30 de Abril de 2026

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Mulher em pauta - 01/02/2026

Estudo expõe a violência e o custo invisível de ser menina nas escolas brasileiras

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Foto: Reprodução/Google

Nova pesquisa mostra que a violência de gênero no ambiente escolar não é apenas física: ela se manifesta em "brincadeiras", assédios silenciados e estereótipos

Para muitas meninas, o cotidiano escolar é marcado por uma “vigilância” constante sobre seus corpos e comportamentos, segundo a pesquisa “Livres para Sonhar? Percepções da comunidade escolar sobre violência contra meninas”, realizada pela organização Serenas em parceria com o Plano CDE e a Nova Escola. O estudo expõe que, embora as meninas frequentemente apresentem melhor desempenho acadêmico, elas enfrentam um custo emocional desproporcional para permanecerem na escola.

 

Um dos maiores desafios apontados pela pesquisa é a naturalização da VBG (Violência Baseada no Gênero). Situações como olhares invasivos, comentários sobre o corpo e interrupções em debates, o chamado manterrupting, são frequentemente tratadas como “brincadeiras” ou questões menores. Enquanto os coordenadores tendem a enxergar apenas casos extremos de violência física, as meninas relatam que a agressão começa muito antes, com o assédio verbal e o controle social.

 

Segundo o estudo, 51% dos professores admitem ter presenciado colegas ou alunos fazendo comentários machistas sobre o corpo das estudantes. Nesse caso, as meninas negras e gordas são os maiores alvos dos ataques.

 

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O “sonhar” do título não é metafórico. A violência de gênero impacta diretamente a trajetória escolar: 86% dos professores reconhecem que a VBG afeta negativamente o desempenho e a permanência das meninas no ensino, destes, 71% afirmam já ter testemunhado os danos causados por essas violência. Os efeitos vão desde o desenvolvimento de ansiedade e depressão até o abandono escolar e a gravidez precoce. A pesquisa também mostra que muitos professores sentem-se despreparados: 45% citam a falta de formação como o principal obstáculo para lidar com essa questão, enquanto 38% apontam a ausência de protocolos claros nas secretarias de educação.

 

Além disso, há uma resistência estrutural, com a ideia de que a escola “não é lugar de falar de gênero” ou que esses temas pertencem exclusivamente à família, embora 99% dos professores defendam que a escola deve atuar na prevenção da violência de gênero. Dentre os entrevistados, 77% deles admitem precisar de mais informações sobre o tema, mas não recebem o suporte necessário e apenas 35% dos professores relataram a existência de ações específicas voltadas para o combate às violências de gênero.

 
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Caminhos para a mudança

 

Para a equipe da Serenas, reconhecer e nomear essas violências é o primeiro passo para que possam ter transformações reais. O relatório defende a transformação da escola em um lugar seguro, envolvendo não apenas punição dos agressores e a implementação de normas mais rígidas, mas o suporte para os educadores também. Lançado em novembro de 2025, o estudo combinou métodos qualitativos e quantitativos, ouvindo estudantes, professores e gestores de todo o Brasil para mapear como o machismo estrutural se faz presente nas escolas, com 98 participantes e 1.383 professores. 

 

Fonte: com informações IstoÉ

 

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