04 de Maio de 2026

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Internacional - 25/06/2025

Estreito de Ormuz pode explodir o mundo: o estreito que decide o preço da sua gasolina

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Foto: Reprodução/Google

lém disso, a hidrovia é responsável pelo escoamento de um terço do gás natural liquefeito (GNL) do planeta

Com apenas 34 quilômetros de largura em seu ponto mais estreito, o Estreito de Ormuz se consolida como um dos pontos mais estratégicos — e vulneráveis — do planeta. Diariamente, cerca de 21 milhões de barris de petróleo e derivados atravessam o Estreito de Ormuz, o que representa aproximadamente 30% do consumo mundial.

 

Além disso, a hidrovia é responsável pelo escoamento de um terço do gás natural liquefeito (GNL) do planeta. Esses números fazem da região o chamado “ponto de estrangulamento mais importante do mundo”, de acordo com a Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA).

 

Localizado entre o Irã ao norte e os Emirados Árabes Unidos (EAU) e Omã ao sul, o estreito é mais do que uma simples passagem marítima. Trata-se de um verdadeiro termômetro geopolítico, onde qualquer faísca tem o potencial de incendiar os mercados globais e provocar choques nos preços da energia.

 

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A maioria das exportações de petróleo e gás natural dos países do Golfo — como Iraque, Kuwait e Catar — depende exclusivamente do Estreito de Ormuz. Embora Arábia Saudita e EAU possuam oleodutos que contornam parcialmente a passagem, eles não são suficientes para escoar toda a produção regional.

 

Segundo o Grupo Mirabaud, dois terços do petróleo que passa por Ormuz têm como destino mercados asiáticos, como China, Japão, Coreia do Sul, Índia e Singapura. Em outras palavras, Ormuz é o elo vital entre os grandes produtores do Oriente Médio e os principais consumidores globais.

 

Conflito e Controle: O Irã em Foco

 

 

 

Apesar de não controlar inteiramente o estreito, o Irã detém toda a costa norte da hidrovia — o que lhe confere uma vantagem estratégica significativa. O país frequentemente ameaça interromper o tráfego marítimo como resposta a pressões internacionais ou ataques de Israel e aliados ocidentais.

 

Na história recente, momentos de tensão foram recorrentes:

 

• Década de 1980: Durante a guerra Irã-Iraque, ambos os países atacaram petroleiros na região.
• 2008: Lanchas iranianas tiveram confrontos com navios dos EUA.
• 2024: A Guarda Revolucionária do Irã apreendeu um navio ligado a Israel, horas antes de lançar um ataque de drones.

 

Esses episódios mostram como o Estreito de Ormuz se tornou um palco silencioso de confrontos indiretos, onde a diplomacia e a força militar dividem espaço.

 

Trânsito sob Tensão: Organização e Risco

 

 

 

A Organização Marítima Internacional (IMO) coordena o tráfego no Estreito por meio de um sistema de Separação de Vias (TSS), com dois corredores de apenas 3 quilômetros de largura cada — um para entrada e outro para saída. Essa estreiteza torna o tráfego marítimo altamente suscetível a incidentes, como bloqueios, colisões ou ações militares.

 

Impacto Econômico Global

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

Qualquer interrupção em Ormuz pode provocar um efeito dominó:

 

• Segundo Àlex Fusté (Andbank), um eventual fechamento elevaria o preço do petróleo em até US$ 20 por barril.
• Em cenários mais extremos, o barril poderia ultrapassar US$ 120 a US$ 130, segundo analistas do JPMorgan.
• Empresas petrolíferas (como ExxonMobil e Shell) lucrariam, mas setores dependentes de combustível, como companhias aéreas e marítimas, sofreriam perdas significativas.

 

A inflação global também entra na equação: preços mais altos de energia pressionam o custo de vida e reduzem a margem de manobra de bancos centrais, como o Federal Reserve (Fed), para cortar juros e estimular a economia.

 

Ormuz no Xadrez Geopolítico

 

Mesmo distante geograficamente, Israel pode se tornar um gatilho para tensões no estreito. Qualquer retaliação do Irã a ataques israelenses pode envolver bloqueios a navios aliados ou ações militares nas redondezas — comprometendo a segurança energética global. Marinhas dos Estados Unidos, Reino Unido e China mantêm presença ativa na região, em uma tentativa de garantir a liberdade de navegação e estabilidade comercial. Segundo o estrategista John Plassard (Grupo Mirabaud), o interesse é claro: proteger o fluxo energético que sustenta economias inteiras.

 
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O Estreito de Ormuz é muito mais que uma faixa de mar entre desertos: é o coração pulsante do mercado energético global. Suas águas estreitas concentram poder, tensão e dependência — um verdadeiro termômetro de estabilidade internacional. Enquanto o petróleo for o sangue que irriga a economia mundial, Ormuz continuará sendo sua artéria mais sensível.

 

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