Atualmente, Erika busca aprovar a Proposta de Emenda Constitucional
Quase 100 anos depois da conquista do voto feminino no Brasil, dados da União Interparlamentar (UIP) mostram que pouco se avançou em relação à igualdade entre homens e mulheres. Segundo o levantamento, com a quantidade de mulheres eleitas ao Congresso a cada quatro anos, serão necessários 80 anos para que se atinja a equidade de gênero no Senado e na Câmara. Ainda de acordo com o relatório, o Brasil figura na 133ª colocação no ranking de representatividade nos Parlamentos.
Em 2022, foi registrado o melhor desempenho de mulheres eleitas no Congresso Nacional, contudo, as mulheres ocupam nem a metade dos espaços de poder na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, mesmo representando 52% do eleitorado brasileiro. Das 513 cadeiras de deputados, 91 foram ocupadas por mulheres (18%).
No caso do Senado, entre os 27 deputados eleitos, apenas quatro eram mulheres (14%). Do quantitativo de mulheres eleitas na Câmara, duas são trans, fato inédito no Congresso. Uma delas é Erika Hilton — a primeira deputada federal negra e trans eleita na história do país e também a primeira parlamentar transexual a liderar uma bancada no Legislativo. Anos antes, em 2020, ela também conquistou o feito de ser primeira mulher transgênero eleita vereadora em São Paulo e a mulher mais votada do Brasil, com 50.508 votos.
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Foto: Reprodução/Google
Segundo a deputada, tornar-se um dos principais nomes da política nacional não foi algo imaginado, mas, sim, construído. "Eu era uma travesti negra vinda da periferia, expulsa de casa, vivenciado a prostituição, trazendo a sua história de vida, os seus desafios como plataforma de enfrentamento à desigualdade, ao fascismo, ao preconceito, à intolerância e num momento aonde parecia que o mundo estava virando as costas para essas agendas, em especial no Brasil."
Detentora de uma oratória elogiada e dita como forte, a deputada diz ser um "desafio gigantesco" ser ouvida em um Congresso descrito por ela como "silenciador, machista e transfóbico". "É muito difícil porque tentam silenciar a minha voz o tempo todo, seja através das ameaças de morte que fazem, seja através dos afrontes dentro da própria Câmara, mas eu me mantenho de pé, falando, gritando quando necessário e bradando, porque a minha voz e o meu grito não são só meus", diz Erika.
A parlamentar afirma que não deseja ser inserida em uma "caixinha", pois foi eleita não apenas para representar a comunidade LGBTQIA+, mas, sim, para defender um projeto de país que acolha todos os brasileiros. "Eu não sou a deputada das trans, dos gays, das mulheres, dos negros e negras. Eu sou deputada do Brasil. Minha preocupação é com o país como um todo", explica.
Atualmente, Erika busca aprovar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6x1. A PEC foi protocolada em fevereiro, após a deputada reunir 234 assinaturas, inclusive, de outros espectros políticos. "Eu me sinto honrada, feliz e fazendo um trabalho importante de conscientização no país, pois tratar sobre identidade é também tratar sobre essas pautas", defende .
Fonte: com informações Correio Braziliense
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