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Geral - 15/09/2021

Em ato convocado pelo MBL contra Bolsonaro, 38% não aceitam protestar com PT, mostra pesquisa

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Foto: EPA / BBC News Brasil

Com oposição dividida, atos contra Bolsonaro reuniram poucas milhares de pessoas no 12 de setembro

Com adesão de parte da esquerda, os atos convocados pelo Movimento Brasil Livre (MBL) e o Vem Pra Rua pelo impeachment do presidente Jair Bolsonaro reuniram algumas milhares de pessoas neste domingo (12/09) em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e Brasília.

 

A principal resistência a comparecer veio do PT, maior partido da esquerda, e de movimentos próximos ao petismo, como a Central Única dos Trabalhadores — organizações que, desde a campanha pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, são adversários de MBL e Vem Pra Rua.

 

Uma pesquisa com os participantes do ato da Avenida Paulista deste domingo mostra que a resistência é mútua: embora 85% dos entrevistados tenham concordado que "para o impeachment de Bolsonaro, é preciso uma ampla aliança que vai da direita à esquerda", 38% disseram que não participariam de uma manifestação junto com o PT.

 

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Outros 33% responderam que não ocupariam as ruas ao lado da CUT, e 31% não protestariam com o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).

 

O levantamento, coordenado pelos professores da Universidade de São Paulo (USP) Pablo Ortellado e Márcio Moretto, entrevistou 841 manifestantes e tem margem de erro de 4 pontos percentuais para mais ou para menos.

 

"O resultado é bem contraditório. As pessoas que foram ao ato querem uma frente ampla contra Bolsonaro, mas quase 40% dizem que o PT é demais pra engolir", nota Ortellado.

 

O PT e outros partidos e movimentos de esquerda planejam protestos contra Bolsonaro para 2 de outubro. Segundo Ortellado, a equipe da USP quer pesquisar também nessa manifestação a aceitação da esquerda a participar de atos com grupos da direita. Ele suspeita que identificará uma resistência semelhante do outro lado.

 

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"Um pedaço da direita não engole o PT, e um pedaço da esquerda não engole o MBL. Uma frente ampla para aprovar o impeachment ou para derrotar o Bolsonaro no segundo turno de 2022 precisa superar essas duas resistências", ressalta.

 

Apesar disso, o ato da Avenida Paulista conseguiu atrair parte dos antigos adversários do MBL e do Vem Pra Rua. Segundo a pesquisa da USP, 37% dos entrevistados se disseram de esquerda ou centro-esquerda e 34%, de direita ou centro-direita.

 

"A grande novidade deste domingo é que a manifestação foi ideologicamente diversa. Acho que desde 2014 (ano dos atos contra a Copa do Mundo) não via isso", nota Ortellado.

 

Para atrair parte da esquerda, o MBL e o Vem pra Rua abandonaram o mote inicial da convocação, "Nem Bolsonaro, Nem Lula", que defendia o fortalecimento de uma candidatura presidencial alternativa à disputa hoje polarizada entre o atual presidente e o ex-presidente petista Luís Inácio Lula da Silva.

 

Ato na Avenida Paulista contou com boneco crítico a Lula e Bolsonaro

Ato na Avenida Paulista contou com boneco crítico a Lula e Bolsonaro

 

A pauta dos protestos foi unificada em uma só, o "Fora, Bolsonaro", e foi escolhido o branco como cor oficial dos atos.

 

Ainda assim, foi frequente nos atos deste domingo a presença de manifestantes com faixas e camisetas "Nem Lula, Nem Bolsonaro".

 

E, ao lado de um caminhão de som do Vem Pra Rua na Avenida Paulista, foi inflado um boneco de Lula e Bolsonaro abraçados — o petista vestido de presidiário e o presidente com uma camisa de força.

 

Embora tenham comparecido políticos de peso — como os pré-candidatos à Presidência da República Ciro Gomes (PDT), João Doria (PSDB, governador de São Paulo), e Alessandro Vieira (Cidadania, senador) —, o público desse domingo ficou abaixo dos atos em apoio a Bolsonaro de 7 de setembro e de protestos contra o presidente convocados por movimentos de esquerda nos últimos meses.

 

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O levantamento da USP também investigou a intenção de voto para a disputa presidencial de 2022.

 

Ciro Gomes (PDT), que esteve presente na Avenida Paulista, apareceu em primeiro lugar (16%), seguido de Lula (14%) e do ex-juiz e ex-ministro da Justiça de Bolsonaro, Sergio Moro (11%).

 

João Amoedo (Novo) e João Doria (PSDB), que também participaram do ato em São Paulo, aparecem com 8% e 7%, respectivamente. Outros 31% afirmaram não saber em quem votar.

 

As pesquisas de intenção de voto que têm sido realizadas nacionalmente nas últimas semanas indicam que, se a eleição presidencial fosse hoje, o segundo turno seria entre Lula e Bolsonaro.

 

Considerando esse cenário, 54% dos manifestantes no ato da Avenida Paulista responderam à pesquisa da USP que votariam em Lula, enquanto 40% disseram que anulariam ou votariam em branco — ou seja, um percentual similar ao que não aceita protestar ao lado do PT.

 

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Antigo crítico do MBL, Ciro Gomes discursou no ato deste domingo da Avenida Paulista

Antigo crítico do MBL, Ciro Gomes discursou no ato deste domingo da Avenida Paulista
(Fotos: Reuters / BBC News Brasil)

 

Fonte: Portal Terra

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