19 de Junho de 2026

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manchete - 13/06/2032

Duas Décadas da Lei Maria da Penha II: Da Luta Amazônica ao Impacto Global na Defesa dos Direitos das Mulheres

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Foto: Fotomontagem Portal Mulher Amazônica

Duas décadas se passaram desde que o país ganhou seu mais potente instrumento jurídico contra a violência doméstica. No Portal Mulher Amazônica, entendemos que esta data vai além da celebração.

Por Maria Santana Souza - Portal Mulher Amazônica - Manaus, Amazonas.

 

Em agosto de 2026, o Brasil celebra os 20 anos da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006). Duas décadas se passaram desde que o país ganhou seu mais potente instrumento jurídico contra a violência doméstica. No Portal Mulher Amazônica, entendemos que esta data vai além da celebração.

 

Ela exige uma reflexão profunda sobre o impacto dessa legislação nas realidades complexas do nosso território e na engrenagem global dos direitos humanos.

 

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Para nós, que vivenciamos a cobertura diária das realidades do Norte, a Lei Maria da Penha ganha contornos específicos na maior floresta tropical do mundo. Proteger as mulheres na Amazônia significa enfrentar desafios geográficos e sociais únicos.

 

As distâncias continentais, o isolamento de comunidades ribeirinhas, indígenas e quilombolas, e a escassez de delegacias especializadas no interior tornam a aplicação da lei um ato de resistência. Quando uma mulher em uma comunidade isolada precisa de uma Medida Protetiva de Urgência, a lei precisa navegar rios e superar a falta de conectividade.

 

 

Nossa posição tem sido clara: a eficácia da proteção deve ser descentralizada. Defendemos incansavelmente a ampliação das Patrulhas Maria da Penha fluviais, o uso de tecnologia para denúncias em áreas remotas e o fortalecimento de redes locais de apoio. A violência de gênero na Amazônia é agravada por conflitos agrários e ambientais. Salvar vidas aqui exige olhar para a floresta e seus povos com especificidade.

 

Conexão Brasil: A Evolução Jurídica Nacional

 

 

 

Olhando para o cenário brasileiro, a Lei Maria da Penha transformou a cultura jurídica do país. Ela tirou a violência doméstica do âmbito privado e a transformou em um problema de Estado.Ao longo desses 20 anos, o ecossistema de proteção evoluiu. Vimos a criação da Lei do Feminicídio em 2015 e, mais recentemente, a tipificação do crime de violência psicológica. O monitoramento eletrônico de agressores e o afastamento imediato do lar por autoridades policiais — mesmo em municípios sem juiz fixo — foram vitórias cruciais para conter a impunidade. O Brasil construiu uma das legislações mais avançadas do planeta, servindo de espelho para a América Latina.

 

Uma Visão Global: A Luta Que Une o Mundo

 

 

 

A violência contra a mulher não respeita fronteiras. A própria Lei Maria da Penha nasceu de uma pressão internacional, após a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (OEA) condenar o Estado brasileiro pela negligência no caso da farmacêutica Maria da Penha. Hoje, a Organização das Nações Unidas (ONU) reconhece o texto brasileiro como uma das três melhores legislações do mundo no combate à violência de gênero.

 

 

 

Ao pautarmos os direitos das mulheres a partir da Amazônia, nos conectamos diretamente com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, especialmente o ODS 5 (Igualdade de Gênero).

 

Dialogamos com os movimentos globais que combatem o feminicídio na Europa, a mutilação genital na África e as barreiras de direitos civis no Oriente Médio. A dor e a resistência das mulheres amazônidas encontram eco na luta de mulheres ao redor do globo.

 

O Compromisso do Portal Mulher Amazônica

 

 

 

Chegar aos 20 anos da Lei Maria da Penha com números ainda alarmantes de violência nos mostra que a lei no papel não basta. É preciso orçamento público, educação de gênero nas escolas e o desmantelamento do machismo estrutural que ainda mata.

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

O Portal Mulher Amazônica reafirma seu compromisso editorial de ser voz, escudo e megafone para as mulheres. Continuaremos cobrando os governantes, fiscalizando a aplicação das medidas protetivas e dando visibilidade às histórias de sobrevivência. Seja nas capitais hiperconectadas, nas margens dos rios amazônicos ou nas conferências internacionais em Genebra ou Nova York, nossa missão permanece a mesma: defender a vida e a dignidade de todas as mulheres, em sua total amplitude. 

 

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Maria Sanatana Souza - Jornalista | Fundadora do Portal Mulher Amazônica | Especialista em Comunicação para Causas Sociais e Representatividade Feminina na Política

 

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