04 de Maio de 2026

NOTÍCIAS
Especial Mulher - 29/07/2025

Dra. Vânia Santos no Portal Mulher Amazônica: Vozes da Amazônia por Justiça Climática e Saberes Ancestrais

Compartilhar:
Foto: Divulgação/Portal Mulher Amazônica

Dra. Vânia fez questão de tecer elogios à idealizadora do Portal Mulher Amazônica e do Ela Podcast, Maria Santana

Por: Maria Santana Souza / Carla Martins - Dra. Vânia Maria Nunes dos Santos é uma referência nacional quando o assunto é educação ambiental, ensino de geociências e políticas públicas voltadas à sustentabilidade. Cientista social com formação sólida e visão interdisciplinar, ela tem consolidado uma trajetória acadêmica marcada pelo rigor científico, pela inovação metodológica e por um comprometimento profundo com a formação cidadã e a preservação ambiental.

 

Dra. Vânia fez questão de tecer elogios à idealizadora do Portal Mulher Amazônica e do Ela Podcast, Maria Santana, destacando o papel essencial que ela exerce na comunicação da realidade das mulheres na Amazônia. Para a Dra. Vania, o trabalho de Maria vai muito além da produção de conteúdo — ele se traduz em ações concretas, que contribuem diretamente para ampliar o protagonismo feminino na região. É um trabalho realmente admirável e necessário. Por isso, é uma grande satisfação poder retornar a esse espaço, dialogar com você mais uma vez e também com todos que estão nos acompanhando e prestigiando neste momento.” afirmou.

 

Durante entrevista ao Portal Mulher Amazônica, a jornalista Carla Martins, destacou a importância histórica de Manaus sediar dois grandes eventos internacionais que colocaram a capital amazonense no centro das discussões globais sobre sustentabilidade: o VIII Congresso Internacional de Educação Ambiental dos Países Lusófonos e o IX Encontro Nacional de Educação Ambiental (ENEA).

 

Veja também 

 

'Julho das Pretas': Mulheres Negras em Espaços de Poder são tema de roda de conversa promovida pela ABMCJ e FOPAAM

25 de julho, Dia da Mulher Negra: conheça quem está transformando o empreendedorismo no Brasil

 

Com a participação de quase 1.600 pessoas, incluindo lideranças do Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, São Tomé e Príncipe, Galícia e Timor-Leste, os encontros promoveram a troca de experiências, saberes e práticas entre povos de diferentes culturas, etnias e territórios.

 

Ao ser questionada pela jornalista sobre o impacto de reunir tantas vozes em pleno coração da Amazônia, a cientista social Dra. Vânia Santos destacou a dimensão simbólica, ambiental e cultural do evento:

 

“Você já colocou a questão certa”, iniciou. “A troca, em si, já é muito significativa. Trazer delegações desses países que compartilham a língua portuguesa fortalece não apenas a identidade linguística, mas também os debates que temos em comum como nações interligadas por histórias e desafios semelhantes. Esse diálogo é valioso em qualquer parte do mundo — mas tê-lo aqui, em Manaus, no coração da Amazônia, em meio a uma grave crise climática, é extremamente simbólico.”Dra. Vânia reforçou que os olhares do mundo estão voltados para a Amazônia como fonte de respostas às urgências ambientais globais:

 

“Quando o evento acontece aqui, estamos trazendo o debate para o lugar central dessa discussão: a Amazônia. Sempre que se pensa em alternativas, olha-se para cá. O mundo olha para a Amazônia como possibilidade de preservação e também de resgate de ancestralidades, de cultura.”

 

 

 

A cientista social também enfatizou o papel das mulheres amazônidas — indígenas, ribeirinhas e urbanas — como guardiãs da biodiversidade e da vida, mesmo diante das adversidades:

 

“É preciso reconhecer o quanto essas mulheres valorosas conseguem criar suas famílias, manter vivas suas tradições e, ao mesmo tempo, conservar o meio ambiente. É uma aula. É uma riqueza imensa.”

 

A jornalista Carla Martins, do Portal Mulher Amazônica, também destacou durante a entrevista a relevância da participação de autoridades federais no evento, como a Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, e o presidente do IBAMA, Rodrigo Agostinho. Ao comentar essa presença institucional, a jornalista questionou:

 

“A presença deles indica o fortalecimento da educação ambiental como uma política transversal, não é mesmo, Dra. Vânia?” A resposta veio com convicção:

 

“Ótimo de novo a sua fala”, iniciou a cientista social. “Sim, eu acredito que essa presença representa, acima de tudo, um compromisso. Um compromisso governamental com as práticas e as políticas públicas voltadas à educação ambiental.” Para ela, quando gestores federais acompanham os debates e assumem posições públicas em espaços como o Congresso Internacional, isso legitima e fortalece as ações realizadas nos territórios:

 

“Quando você tem essas lideranças participando, ouvindo, se posicionando, isso tem um significado enorme. É um respaldo direto às ações locais e às iniciativas que surgem nas comunidades, nas escolas, nas universidades.” Ao ser perguntada se alguma fala específica da Ministra Marina Silva ou do presidente do IBAMA sinalizou que “agora a coisa vai mudar”, Dra. Vânia respondeu com esperança e realismo:

 

Fotos: Divulgação/Portal Mulher Amazôica

 

“Olha, eu entendo que sim. O próprio nome do ministério já é um sinal importante — Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Essa mudança de nomenclatura reflete uma consciência mais ampla sobre a emergência climática.” Ela também ressaltou que a atenção dada à Amazônia é crescente:

 

“Esse governo está claramente antenado com as questões ambientais e, em especial, com a Amazônia. Vamos sediar a COP30, e isso reforça ainda mais o protagonismo da região. O que temos visto são luzes sendo lançadas sobre a importância de fazer com que a sociedade participe, discuta e defenda esse território, que é estratégico para o planeta.”

 

No decorrer da entrevista, a jornalista Carla Martins abordou um dos pontos mais sensíveis do debate ambiental na Amazônia: a necessidade urgente de integrar os saberes indígenas, quilombolas e ribeirinhos com a ciência acadêmica, especialmente diante da crise climática que atinge em cheio as populações tradicionais do estado do Amazonas. “Esse evento precisa estar pautado em como os povos indígenas, os quilombolas e o conhecimento tradicional podem — e devem — dialogar com a ciência acadêmica. Mas, sendo muito sincera, parece que a gente ainda não está avançando. Aqui no Amazonas, a crise climática maltrata a mulher ribeirinha, o povo indígena… A logística, o isolamento, tudo se torna mais difícil,” questionou a jornalista. Com serenidade e profundidade, Dra. Vânia começou explicando o escopo da mesa da qual participou:

 

“O tema foi ‘Educação Ambiental e Respostas Sociais e Ambientais: Sócio Biodiversidade, Geodiversidade, Ancestralidade, Povos Indígenas, Comunidades Tradicionais e Grupos em Situação de Invisibilidade e Vulnerabilidade’. Veja o leque! Um leque maravilhoso de reflexões, de realidades e de resistências.”

 

 

Ela relatou que o encontro reuniu experiências diversas, de projetos de cinema à formação de professores, passando por ações de valorização das mulheres ribeirinhas — tudo com foco em respostas locais e contextualizadas para os desafios socioambientais. Mas reconheceu que os avanços são lentos diante da gravidade dos problemas:

 

“Quanto mais os problemas se explicitam, mais percebemos que a velocidade das respostas não acompanha a urgência. Existe, sim, um descompasso.” Dra. Vânia explicou que essa lentidão está associada à complexidade que envolve o campo da sustentabilidade, que exige o entrelaçamento de dimensões ambiental, social e econômica. Segundo ela, esse entrecruzamento de interesses distintos muitas vezes resulta em travamentos e conflitos:

 

“A gente vive em meio à complexidade. E aí entra a área com a qual mais trabalho: a aprendizagem social. É preciso envolver diferentes atores sociais na discussão. Isso exige metodologias que promovam três pilares: o diálogo, a participação e, sobretudo, a corresponsabilização.” Ela reforçou que não há avanço possível sem o reconhecimento mútuo entre os diferentes sujeitos que habitam um mesmo território:

 

“É entender que, sem o outro, a gente não avança. É reconhecer que diferentes interesses geram conflitos — no micro e no macro. E é nesse cenário que os problemas socioambientais se multiplicam. Justamente por isso, a construção de soluções precisa ser coletiva.” A cientista social Dra. Vânia Santos trouxe uma reflexão profunda sobre a importância de ouvir e valorizar os saberes ancestrais dos povos originários no enfrentamento da crise climática e dos conflitos socioambientais.

 

“Muitas das respostas que precisamos hoje vêm justamente de culturas ancestrais. São os povos originários que, ao longo do tempo, aprenderam a lidar com essas questões e que hoje podem nos apontar muitos caminhos,” afirmou. Para Dra. Vânia, reconhecer essas fontes de sabedoria é mais do que uma postura política ou ambiental — é um reposicionamento ético e civilizatório diante do mundo. Ela explicou que, ao falarmos de educação ambiental, não estamos tratando apenas de conteúdos escolares ou conceitos científicos, mas de uma visão integrada de mundo, onde se entrelaçam saberes, espiritualidade, arte, ética e pertencimento:

 

“Quando a gente fala em educação ambiental, a gente está falando sobre uma visão de mundo. Aí entram o conhecimento, a espiritualidade, os valores, as artes… tudo isso ajuda a construir outra forma de pensar, de sentir e de estar no mundo.” Esse novo “estar no mundo”, segundo a pesquisadora, é justamente o que pode nos reconectar com a terra, com os outros e com o futuro.

 

Encerrando a entrevista, a jornalista Carla Martins trouxe à tona um dos questionamentos mais urgentes do cenário atual: como a COP30 — prevista para acontecer em Belém do Pará — pode transformar compromissos em ações concretas, fiscalizáveis e duradouras, especialmente nos países amazônicos, marcados por desigualdades socioambientais históricas?

 

 

“Será que essa será nossa última chance?”, questionou a jornalista.

 

Dra. Vânia, com a experiência de quem já participou da Rio-92, respondeu com franqueza e esperança realista: “Eu sempre prefiro acreditar que temos outras chances. Mas isso vai depender do compromisso genuíno — dos governos, dos técnicos, das comunidades, de todos que estarão presentes nesses debates.”

 

Ela reconheceu que a trajetória dos grandes encontros ambientais mundiais tem sido marcada por muita discussão e pouca ação efetiva, especialmente em relação à fiscalização, participação social e justiça climática. “De novo, estamos diante da complexidade. E esse é um alerta importante: não podemos continuar presos ao modelo de eventos pontuais. Daqui a dois ou três anos, podemos estar discutindo os mesmos problemas — e talvez em cenários ainda mais agravados.”

 

Para a cientista social, o legado da COP30 não pode ser apenas institucional ou diplomático, mas precisa reverberar nas comunidades, nas bases, nos territórios: “É por isso que insisto tanto em um conceito que considero fundamental: a capilaridade social. A partir de eventos como esse, temos o potencial — e a responsabilidade — de construir redes de ação, articulação e monitoramento que cheguem aonde as políticas públicas muitas vezes não chegam.” Ela finalizou destacando a importância de garantir a voz e o protagonismo dos mais atingidos:

 

“Precisamos assegurar a representatividade real das populações indígenas, quilombolas, ribeirinhas, periféricas — que sentem no corpo e no território os efeitos da emergência climática. Sem eles, qualquer ação será incompleta.” A idealizadora do Portal Mulher Amazônica e do Ela Podcast, Maria Santana, agradeceu a presença da Dra. Vânia Santos, que gentilmente concedeu a entrevista ao portal, e destacou:

 

“Para nós, do Portal Mulher Amazônica e do Ela Podcast, foi uma honra imensa receber a Dra. Vânia Santos — uma mulher pesquisadora, cientista social comprometida com a educação, com a sustentabilidade e, sobretudo, com a justiça climática. A sua trajetória inspira, mas também provoca: ela nos convoca à ação, à escuta e à corresponsabilidade.

 
Curtiu? Siga o Portal Mulher Amazônica no FacebookTwitter e no Instagram
Entre no nosso Grupo de WhatApp e Telegram.

 

Ter uma mulher como a Dra. Vânia nos nossos microfones não é apenas motivo de orgulho, é também uma afirmação do nosso propósito: amplificar vozes femininas que constroem pontes entre ciência e ancestralidade, entre política pública e saberes tradicionais, entre academia e território. Agradecemos profundamente por essa entrevista tão rica e necessária, que trouxe luz a temas urgentes para o povo amazônico — especialmente para as mulheres que vivem nas margens, nas florestas, nas cidades invisibilizadas da nossa região. E reforçamos: Dra. Vânia, o Portal Mulher Amazônica estará sempre de portas e corações abertos para trabalharmos juntas, em rede, em favor da Amazônia e de seus povos. A senhora nos fortalece. Seguimos lado a lado nessa missão.”
 

 

Portal Mulher Amazônica

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Nome:

Email:

Mensagem:

LEIA MAIS
Fique atualizada
Cadastre-se e receba as últimas notícias da Mulher Amazônica

Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.