Baiana de Correntina, Dona Pifa é testemunha viva de parte da história do Brasil. Ao lado do marido, ela presenciou a inauguração de Goiânia e, posteriormente, a de Brasília
Eunice Mendes, filha viva mais nova de Dona Epifânia, de 72 anos, lembra com carinho dos primeiros tempos em Brasília. "O governo dava uma casa de madeira para os candangos. Todo mundo trabalhava, até as crianças. Na época da ditadura, nós não podíamos falar em política dentro de casa", diz Eunice.
A moradora de Sobradinho 2, Epifânia Maria de Jesus Mendes, mais conhecida como vovó Pifa, celebra seus 108 anos de vida hoje. Com uma trajetória dedicada à família e uma paixão incondicional pela música, Dona Epifânia é um exemplo vivo de alegria pela vida. Natural de Correntina, na Bahia, ela conta histórias que remontam grandes eventos do Brasil no século passado, incluindo sua presença na inauguração de Goiânia e, posteriormente, de Brasília.
Dona Epifânia nasceu no dia 7 de abril de 1917. Em 1935, casada e com dois filhos, acompanhou seu marido e uma tropa de baianos em uma longa jornada de 728,2 km de jegue até Goiânia, cidade que estava sendo inaugurada naquele ano. Ainda assim, ela não esconde a alegria com que encara os desafios e as adversidades. "Hoje, eu só sou alegre. Eu já lutei muito. Lavava, passava, cozinhava, cuidava dos filhos", conta.
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Foto: Reprodução/Google
Em 1956, o marido de Dona Epifânia, Paulo Mendes, foi convocado para trabalhar na construção de Brasília. Para ela, essa foi uma das melhores decisões que tomaram. Na capital federal, viveram na Cidade Livre, um dos primeiros assentamentos que surgiram com a chegada dos operários responsáveis pela construção da cidade.
A adaptação não foi fácil. "Muita poeira quando chegamos em Brasília. Era muito difícil. O povo todo construindo, muito barulho de máquina. A gente não tinha conforto", recorda.
Dona Epifânia não só ajudou a construir um lar, mas também formou uma grande família. Com 14 filhos, 39 netos, 44 bisnetos e 10 tataranetos, ela deixou um legado de afeto e força. Embora tenha perdido 9 filhos ao longo da vida, a família permanece unida e continua a cuidar dela com carinho e dedicação. Eunice é quem cuida da mãe atualmente, mantendo a mesma devoção e carinho que Dona Epifânia sempre demonstrou. "Cuidar da minha mãe é um privilégio. São poucos os que podem envelhecer ao lado dos pais. É uma satisfação muito grande. Eu amo cuidar da minha mãe. Eu cuido com excelência, por mais que esteja ficando cada vez mais difícil".
Além de ser uma mulher de família, Dona Epifânia também se destacou por sua paixão pela música e pela poesia. Mesmo analfabeta, sempre teve uma forte ligação com as artes, especialmente com a música. "Eu sou viciada em música", afirmou. Ao longo da entrevista ao Correio, Dona Epifânia recitou versos de poesias e até cantou. Seu amor pela música a levou a gravar duas canções, com o apoio da família.
Fonte: com informações Correio Braziliense
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