A violência de gênero não é um problema isolado, é uma chaga social que insiste em atravessar gerações, lares e fronteiras. Em 2025, os números são devastadores e apontam para um cenário que exige urgência e ação.
Por Maria Santana Souza - Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher, celebrado em 10 de outubro, a dura realidade permanece: mais uma mulher foi agredida, silenciada ou morta. A violência de gênero não é um problema isolado, é uma chaga social que insiste em atravessar gerações, lares e fronteiras. Em 2025, os números são devastadores e apontam para um cenário que exige urgência e ação.
De acordo com o relatório “Visível e Invisível: a Vitimização de Mulheres no Brasil”, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 21,1% das mulheres relataram já ter sido forçadas a manter relações sexuais contra sua vontade ou sofreram algum tipo de ofensa sexual de parceiros íntimos ou ex-parceiros. Além disso, 10,3% afirmaram ter sido privadas de recursos básicos, como dinheiro, alimentação e assistência médica, em uma forma de controle silencioso e devastador.
Em 2024, o país registrou 71.892 casos de estupro, o equivalente a 196 denúncias por dia, segundo dados oficiais, e ainda assim, especialistas alertam que a subnotificação é gigantesca. Estima-se que 61% das agressões domésticas nunca chegam ao conhecimento das autoridades, o que torna o problema ainda mais grave e invisível.
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Quebrar o silêncio e denunciar a violência doméstica salva vidas
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A letalidade também assusta. De janeiro a setembro de 2025, mais de 3.000 mulheres e meninas foram mortas no país, mas apenas um terço desses casos foram registrados oficialmente como feminicídios. Isso significa que milhares de mortes femininas continuam sendo tratadas como “homicídios comuns”, apagando o componente de gênero que caracteriza o crime. Desde 2014, o número de registros de violência contra mulheres segue em ascensão, com aumento médio anual de quase 10 casos por 100 mil mulheres, segundo levantamento publicado pela revista Epidemiologia e Serviços de Saúde.
Esses dados revelam o que muitas ainda vivem em silêncio. A violência contra a mulher é múltipla: física, sexual, psicológica, simbólica e institucional. Ela acontece nas ruas, nas redes sociais, nos ambientes de trabalho, mas principalmente dentro de casa, onde o afeto se mistura ao medo e o agressor, muitas vezes, é quem promete amor. O machismo estrutural continua sendo o combustível dessa engrenagem violenta, sustentado por uma cultura que ainda naturaliza o controle e a submissão feminina.
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Estudos internacionais apontam que a violência doméstica tende a crescer 95% na próxima década se não houver investimentos efetivos em políticas públicas de prevenção e acolhimento. No Brasil, as causas são profundas e estruturais: a desigualdade de gênero, a dependência econômica, a revitimização das mulheres que denunciam, o enfraquecimento das redes de proteção e o desmonte de programas sociais voltados à equidade. Em territórios de vulnerabilidade como comunidades rurais, ribeirinhas, indígenas e periféricas a ausência do Estado é ainda mais cruel.
Apesar da Lei Maria da Penha, de 2006, ser uma das legislações mais avançadas do mundo no combate à violência doméstica, sua efetividade depende de muito mais do que o texto legal: é preciso estrutura, financiamento, profissionais capacitados e uma sociedade que compreenda que o “lar” também é espaço público quando nele se perpetra a violência.
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Nesse cenário, a mobilização da sociedade civil tem sido essencial para romper o silêncio e dar visibilidade às vítimas. Entre as vozes que resistem, está a da jornalista Maria Santana Souza, idealizadora do Portal Mulher Amazônica e do Ela Podcast, que reforça o compromisso de seguir na linha de frente desse combate.
“Aqui no Portal Mulher Amazônica continuamos firmes na missão de dar voz, visibilidade e suporte às mulheres que vivem essa realidade brutal. Por meio dos nossos podcasts, reportagens e redes de acolhimento, seguimos esse combate junto com o mundo — sem silenciar, sem desistir.”
A fala de Maria Santana sintetiza o propósito de milhares de mulheres que, todos os dias, transformam a dor em denúncia, o medo em força e a indignação em ação. A violência contra a mulher é uma epidemia silenciosa, que mata e paralisa, mas também desperta redes de solidariedade e resistência.
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O combate passa pela educação, pelo fortalecimento de políticas públicas e pelo engajamento coletivo. É urgente ampliar o acesso a canais de denúncia como o Ligue 180, garantir atendimento humanizado nas delegacias, investir em campanhas permanentes de conscientização e, sobretudo, trabalhar a desconstrução do machismo desde a infância.
O Portal Mulher Amazônica reafirma seu compromisso de continuar sendo voz ativa na luta contra todas as formas de violência, unindo informação, empatia e ação para que nenhuma mulher precise escolher entre sobreviver e ser livre. Porque cada número representa uma vida. E cada vida importa.
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Fontes e referências
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Fotos: Reprodução/Google
1. Fórum Brasileiro de Segurança Pública — Visível e Invisível: a vitimização de mulheres no Brasil (5ª edição, 2025);
https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2025/03/relatorio-visivel-e-invisivel-5ed-2025.pdf;
2. Agência Brasil — Violência letal contra mulheres cai levemente, mas estupros seguem alarmantes (2025);
https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2025-03/violencia-letais-mulheres-dados-2025;
3. Human Rights Watch — World Report 2025: capítulo Brasil https://www.hrw.org/world-report/2025/country-chapters/brazil.
Maria Santana Souza é empresária, jornalista e uma das maiores referências em ativismo feminino no Amazonas. Formada em Direito, começou sua carreira no jornalimo como editora do Portal do Zacarias. É uma das autoras da obra” Mulheres Interseccionalidades, Vivencias Amazônicas”, Idealizadora e Diretora executiva do Site” Mulher Amazônica e do Pod Cast “ Ela Pod. Mária Santana Souza tem popularizado as temáticas que envolvem as causas Femininas, desafios e conquistas. É autora de uma coletânea de artigos. Seu olhar afiado e seu discurso direto fizeram dela uma voz ativa no cenário das temáticas que envolvem as causas das Mulheres no Amazonas.
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