Levantamento do Todos pela Educação mostra que 2,3 milhões de crianças de até 3 anos estão fora dessa etapa
A desigualdade no acesso a creche entre ricos e pobres só cresce no Brasil, aponta um novo estudo do Todos Pela Educação que foi publicado nesta segunda-feira, 11.
Segundo o levantamento, de 2016 a 2024, a diferença no atendimento entre os 20% mais pobres e os 20% mais ricos passou de 22 para 29,4 pontos percentuais. Foram desconsiderados 2020 e 2021 devido à pandemia. As creches atendem crianças até 3 anos, depois encaminhadas à pré-escola.
O estudo usou como base dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do IBGE) e do Censo Escolar. No final do ano passado, 30,6% das crianças de famílias mais pobres estavam matriculadas; entre as mais ricas, a taxa chegava a 60%. A maioria dos que não frequentavam esta etapa estava fora por opção dos responsáveis, uma proporção que é semelhante em todas as faixas de renda.
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Entretanto, existe uma grande desigualdade quando analisada as crianças fora da creche por dificuldade de acesso. Quanto menor é a renda, maior a porcentagem de pessoa sem vaga, mesmo demandando o serviço. Entre os mais pobres, 36,5% estão em casa por opção e 28,3% por falta de oportunidade. Entre os mais ricos, a proporção é de 30,2% e 6,1%.
A imagem mostra uma fileira de escorregadores de plástico em cores vibrantes, incluindo rosa, vermelho, azul, amarelo e verde. Os escorregadores estão dispostos lado a lado, com uma superfície lisa e um design que lembra um cavalo. Ao fundo, há uma parede cinza e janelas com grades.
O cenário é ainda mais crítico entre os bebês de até 1 ano: apenas 18,6% são atendidos. Segundo o levantamento, em 2024, um a cada quatro (24,8%) não frequentava o serviço por algum tipo de barreira de acesso. Entre os mais pobres, são 34%.

Fotos: Reprodução/Google
No total, quase 2,3 milhões de crianças de 0 a 3 anos estão fora da creche por falta de vaga. O número representa 60% dessa população. Nessa fase, a educação não é obrigatória, mas é um direito. Em 2022, o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu que o poder público precisa garantir vagas em creches e pré-escolas para crianças de até cinco anos.
O Plano Nacional de Educação previa chegar em 50% das crianças nos berçários até 2024. Isso não ocorreu. Em 2016, o percentual de crianças matriculadas era de 30,3%. A taxa nacional cresceu 9,5 pontos percentuais em oito anos, até alcançar cerca de 40% em 2024. Naquele ano, a maior taxa de escolarização de 0 a 3 anos foi a do Sudeste (46,9%). O Norte teve a menor (22,5%).
A educação infantil é responsabilidade dos municípios, que muitas vezes encontraram dificuldades orçamentárias para essa oferta. Governos estaduais têm obrigação de colaborar com as prefeituras, assim como a União.
No ano passado, o levantamento Retrato da Educação Infantil no Brasil: Acesso e Disponibilidade de Vagas, realizado pelo Gabinete de Articulação pela Efetividade da Política da Educação no Brasil em parceria com o Ministério da Educação, mostrou que 44% dos municípios do país declararam ter fila por vagas em creches, com 632.763 solicitações de matrícula. O número pode variar, pois 7% das cidades não fazem essa identificação.
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