Em 2025, foram instaurados 45 inquéritos pela Polícia Federal para apurar esse tipo de crime, contra 30 casos registrados no ano anterior
O Amazonas é o 3º estado da Região Norte com o maior número de inquéritos instaurados pela Polícia Federal (PF) para investigar crimes cibernéticos ligados ao abuso sexual infantojuvenil em 2025. As investigações no estado também tiveram alta de 50% em relação a 2024, segundo dados da Diretoria de Combate a Crimes Cibernéticos (DCiber), da PF, obtidos pela Fiquem Sabendo, organização sem fins lucrativos especializada em transparência pública.
De acordo com o levantamento, em 2025 foram instaurados 45 inquéritos no Amazonas para investigar esse tipo de crime, um crescimento de 50% em relação a 2024, quando foram registrados 30 casos. O número vem aumentando desde 2023, quando o estado contabilizou 26 investigações. O ranking é liderado por Rondônia, com 71 inquéritos instaurados em 2025, seguido pelo Pará, com 60.
Uma pesquisa apresentada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), nesta semana, aponta que uma a cada cinco crianças e adolescentes no Brasil sofreu violência sexual facilitada pela tecnologia em um período de um ano. O estudo alerta que a internet se tornou um dos principais ambientes de aproximação entre agressores e vítimas.
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Segundo a especialista em proteção à criança do Unicef no Brasil, Luiza Teixeira, em 66% dos casos relatados a violência ocorre diretamente em canais online, principalmente no Instagram e no WhatsApp. Outro dado considerado preocupante é o silêncio das vítimas: 34% das crianças e adolescentes que sofreram violência online não contaram o ocorrido para ninguém.
“Muitas vezes os agressores encontram as vítimas em perfis públicos e depois migram para conversas privadas. Muitas crianças e adolescentes não sabem a quem recorrer ou sentem vergonha. Em outros casos, acham que o que aconteceu não é grave o suficiente para relatar. Esse silêncio dificulta a identificação dos casos e o acolhimento das vítimas”, afirmou a especialista.
Circulação de material ilegal

Fotos: Reprodução/Google
Embora haja dificuldade na identificação e possível subnotificação, os dados da PF mostram que, no Amazonas, as investigações sobre esse tipo de crime têm aumentado ano após ano. Especialistas alertam que o crescimento acompanha a maior circulação de material ilegal e o aumento das abordagens a crianças e adolescentes nas redes sociais.
Em agosto de 2025, um caso em Manaus chamou atenção ao mostrar que o perigo pode estar onde menos se espera. Um funcionário de uma escolinha de futebol, que não teve a identidade divulgada, foi preso na capital durante a Operação Red Card, da PF. Segundo as investigações, o suspeito armazenava e compartilhava imagens e vídeos de abuso sexual infantojuvenil em grupos na internet. Durante a operação, os policiais cumpriram um mandado de prisão preventiva e um mandado de busca e apreensão.
Muitos casos para investigar
Para Miriam Longo, coordenadora de dados, tecnologia e produtos da Unidade de Crimes contra Crianças da Interpol, um dos principais desafios enfrentados pelas autoridades é o grande volume de casos que chegam às polícias. “A gente vê no Brasil o mesmo cenário observado globalmente: um volume muito grande de casos. Os recursos das polícias são finitos e esse é um tipo de investigação muito difícil, inclusive pelo impacto psicológico para os agentes que lidam diariamente com imagens de abuso”, afirmou.
Fonte: com informações Acrítica
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