30 de Abril de 2026

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Elas nos inspiram - 11/11/2025

De engenheira da Nasa a empreendedora, ela chegou ao espaço e agora quer levar a Nova Geração

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Foto: Reprodução/Google

Ex-cientista de foguetes, Aisa Bowe participou de voo espacial da Blue Origin composto apenas por mulheres e junto de Katy Perry

Em mais de cinquenta anos de exploração espacial humana, 90% dos astronautas foram homens e, entre as mulheres que chegaram ao espaço, menos de dez são negras. Em abril deste ano, um grupo estrelado de mulheres — incluindo a cantora Katy Perry — fez sua histórica viagem ao espaço. A missão da Blue Origin, que marcou o primeiro voo espacial composto apenas por mulheres desde 1963, durou pouco mais de dez minutos, mas chamou atenção para a necessidade de representatividade no espaço (e além dele).

 

Como a Nasa só seleciona novos astronautas a cada quatro anos — e nenhuma mulher negra foi incluída na turma de 2025 —, o debate sobre acesso e inclusão ganha ainda mais urgência.

 

É isso que torna o voo NS-31 de Aisha Bowe, ex-cientista de foguetes da Nasa, empreendedora e uma das primeiras mulheres negras astronautas civis, especialmente significativo. Sua viagem histórica a bordo do New Shepard, da Blue Origin, neste ano, representou um marco não apenas na história aeroespacial, mas também na demonstração do que é possível para mulheres negras em setores nos quais elas têm sido historicamente sub-representadas. Ao levantar fundos de forma independente para garantir seu assento, ela abriu novos caminhos para o acesso ao espaço.

 

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A trajetória da empresária e engenheira aeroespacial da Nasa

 

 

 

A trajetória de Aisha Bowe vai de um community college nos EUA à Nasa; da diplomacia internacional como palestrante de STEM (sigla em inglês para Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática) do Departamento de Estado dos EUA ao empreendedorismo, como CEO da STEMBoard e da Lingo. Também tem presença na mídia, com participações no curta “In Her Element”, da Hello Sunshine, produtora de Reese Witherspoon. Ela recebeu reconhecimentos dos EUA, incluindo o Engineering Honor Award e a Equal Employment Opportunity Medal, ambos da Nasa, além do Black Enterprise Luminary Award.

 

Ainda assim, sua jornada não começou com um destino claro, mas com dúvidas. “Na faculdade, você não acha que é capaz de conquistar algo porque não vê pessoas que se parecem com você fazendo essas coisas”, diz Aisha. “Mas e se você estiver errada? E se tudo o que você internalizou sobre o que é possível for falso?” Essa mudança de mentalidade alimentou três metas ousadas: se formar na universidade, estudar engenharia aeroespacial (“porque parecia incrível”) e trabalhar na Nasa.

 

Lição de pai para filha

 

 

 


Essa crença de reescrever os limites do possível tem raízes na sua história familiar. Antes de Aisha Bowe sonhar com tudo isso, ela assistia ao pai construir a própria visão. Em meados dos anos 1980, ele deixou as Bahamas rumo aos Estados Unidos em busca de uma vida melhor por meio da educação. “Minha história não é tão diferente da de muitas pessoas cujos pais vieram para esse país em busca de oportunidades.”

 

Na infância, Aisha não tinha muitos exemplos do que o sucesso poderia ser além de trabalho duro. “Meu pai dirigia táxi e minha mãe limpava casas”, lembra. “Não conhecia nenhuma mulher na área de matemática ou ciência. Não conhecia ninguém que tivesse um negócio. Meus pais trabalhavam tanto para pagar as contas e sempre davam um jeito, mesmo quando não havia saída.” “Pensava que todo mundo trabalhava duro — e que era isso que você tinha que fazer.”

 

A determinação do pai ganhou um novo significado quando, já com cerca de 35 anos, ele decidiu cursar engenharia elétrica. “A trajetória dele coincidiu com o momento em que eu estava reprovando no ensino médio”, conta. “Estava perdida, me sentia esmagada pelo peso de todas aquelas expectativas para o futuro.” Ela se formou com uma média de notas baixa, enquanto o pai provava que a reinvenção era possível em qualquer fase da vida. Ele se matriculou no mesmo faculdade comunitária que a filha frequentaria anos depois.

 

Uma noite, após um longo turno dirigindo, seu pai encontrou uma pilha de livros de cálculo descartados no lixo. “Se você conhecesse meu pai, saberia que ele é aquele tipo de pessoa que traz tudo para casa”, diz. “Ele colocou aqueles livros no táxi e começou a resolver os exercícios entre uma corrida e outra. À noite, ele fazia perguntas para mim sobre os problemas.” Anos mais tarde, Aisha Bowe se viu matriculada em uma aula de cálculo ministrada pelo próprio autor daqueles livros. “A sua realidade se torna a sua percepção. E, com isso, as coisas nas quais eu focava começaram a mudar”, diz. “Foram mudanças pequenas, mas foi progresso. Comecei a perceber que a forma como eu me via fazia diferença.”

 

O sonho da Nasa

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

Quando Aisha entrou pela primeira vez pelas portas da Nasa, estava determinada a conquistar seu espaço. “Desde o primeiro dia, estava tentando descobrir ‘como me torno uma funcionária federal’? Percebi que essas oportunidades só surgiam de tempos em tempos.” Então, ela fez disso sua missão: estar preparada quando elas aparecessem.

 

mentalidade alimentou sua curiosidade. Ela participou de todos os seminários que pôde, bateu de porta em porta e se apresentou a qualquer pessoa disposta a conversar. “As pessoas achavam que eu era guia turística”, conta, rindo. “Levava elas para conhecer os lugares, batia nas portas e perguntava: ‘O que você faz?’ Ao meu lado, tinha gente trabalhando com astrobiologia, meteoritos e todo tipo de coisa. Tínhamos helicópteros e simuladores de voo.” Sua iniciativa acabou dando resultado. Depois de estagiar durante o verão, negociou uma extensão para continuar no programa e se candidatar a uma vaga em tempo integral.

 
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O que veio depois foram seis anos de aprendizado. Por meio do Nasa FIRST, programa de desenvolvimento de liderança para talentos em início de carreira, foi selecionada após um rigoroso processo de avaliação por líderes seniores da agência espacial. Como parte do programa, o grupo viajou para diferentes centros da Nasa para conhecer as prioridades da instituição. A experiência levou Aisha desde o Neutral Buoyancy Lab, em Houston, até o imponente Vehicle Assembly Building, no Kennedy Space Center. Nesse percurso, ela recebeu os prêmios da agência. “Foram seis anos muito ricos”, conta. Durante esse período, ela mentorou estudantes, deu palestras e trabalhou em projetos que reforçaram para ela que representatividade não é apenas estar na sala, é ajudar outras pessoas a entrarem também.

 

Fonte: com informações Forbes

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