Vaticano divulga detalhes sobre a morte de Francisco e revela que ele agradeceu ao enfermeiro por ter se aproximado dos fiéis, no domingo. Ritos fúnebres começam em meio às dúvidas sobre os rumos da Igreja Católica
A imagem do corpo de Francisco dentro de um caixão de madeira, na Capela de Santa Marta, lança incertezas sobre os rumos da da Igreja Católica. Com um de seus principais reformistas morto, existem dúvidas sobre se instituição seguirá a visão progressista do pontificado do jesuíta argentino e se continuará no rumo da abertura dogmática.
Depois da Confirmação da Morte do Pontífice um dos ritos fúnebres dedicados ao papa —, o cortejo fúnebre deixará a capela às 9h desta quarta-feira (4h em Brasília) e seguirá até a Basílica de São Pedro, onde ficará exposto para visitação pública até sábado. Vestido com uma túnica púrpura e com uma mitra, Francisco tem um terço nas mãos. Dentro do caixão, foi colocado um cilindro de metal com o resumo do pontificado.
No domingo de Páscoa, um fragilizado Francisco perguntou ao enfermeiro particular Massimiliano Strappetti: "Você acha que consigo fazer isso?". Durante 15 minutos, Francisco abençoou bebês, a bordo do papamóvel. Ao fim do percurso, dirigiu as últimas palavras ao assessor: "Obrigado por me trazer de volta à praça". Descansou à tarde, no apartamento 201 da residência de Santa Marta, e teve um jantar tranquilo. Voltou a chamar Strappetti às 5h30 de segunda-feira, 21 (0h30 em Brasília), quando passou mal. Antes de entrar em coma, levantou a mão, como um gesto de adeus, e morreu às 7h35.
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O site Vatican News publicou o prefácio de um livro escrito pelo cardeal Angelo Scola, que será lançado nesta quinta-feira. No texto, o papa reflete sobre a velhice e a morte. "É verdade, nos tornamos idosos, mas este não é o problema: o problema é como nos tornamos idosos. Se vivemos o tempo da vida como uma graça, e não com ressentimento; se aceitamos o tempo no qual experimentamos a redução da força", escreveu. "A morte não é o fim de tudo, mas o começo de algo. É um novo começo. A vida eterna (...) é o começo de algo que nunca acabará."
Nomeações
Para o vaticanista norte-americano Thomas Reese, analista do site Religion News Service, Francisco fez o que qualquer pontífice faria, ao escolher 108 dos 135 cardeais aptos a votar no próximo conclave. "Ele nomeou cardeais que refletiam suas visões sobre a Igreja. Apesar disso, pode haver surpresas.
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Fotos: Reprodução/Google
Os cardeais que foram escolhidos por João Paulo II e por Bento XVI escolheram Jorge Mario Bergoglio para papa", lembrou ao Correio. Reese acredita que o desafio da Igreja será manter a unidade em uma instituição composta por pessoas de todas as raças, nacionalidades e ideologias. "A Igreja também precisará lidar com um declínio no número de padres e com um número crescente de pessoas 'sem religião' no mundo, especialmente entre os jovens."
O italiano Salvatore Cernuzio, também vaticanista e jornalista do L'Osservatore Romano e da Radio Vaticana, prevê que a Igreja permanece fiel a como tem sido ao longo dos séculos, "semper reformanda" (sempre em reforma, em latim). "A contribuição do papa Francisco é idelével. Ele iniciou processos: em andamento, concluídos e irreversíveis, até mesmo para aqueles que virão depois dele", disse à reportagem. "Penso, em particular, no maior espaço para as mulheres; nos múltiplos papéis confiados aos leigos; na sinodalidade; em uma gestão mais colegial da Igreja; na atenção especial aos pobres, aos migrantes, às vítimas da guerra. Essas foram portas abertas para o futuro, as quais dificilmente poderão se fechar."
Fonte: com informações Correio Braziliense
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