Após Segunda Turma do STF formar maioria para mantê-lo em detenção preventiva, dono do Master dispensa advogados e contrata outro, favorável à colaboração premiada. Mendonça enfatiza a periculosidade do que classificou de organização criminosa
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, trocou de advogados, na sexta-feira, após a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formar maioria para mantê-lo em prisão preventiva. Detido no Presídio Federal de Brasília, ele é acusado de comandar um esquema bilionário de fraudes financeiras, incluindo um grupo para coletar informações, intimidar opositores e até planejar ataques físicos contra jornalistas.
Vorcaro trocou o advogado Pierpaolo Bottini por José Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca, um dos principais criminalistas do país. Roberto Podval, outro integrante da defesa do banqueiro, também saiu do caso.
A decisão é vista como sinal de uma possível delação no futuro, já que Juca tem ampla experiência em casos envolvendo o mecanismo legal. Por outro lado, a defesa anterior do banqueiro tem como clientes possíveis alvos da delação de Vorcaro, como políticos, e a saída da equipe evita conflitos de interesse.
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Foto: Reprodução/Google
Juca já representou clientes como José Dirceu, no caso do Mensalão; o doleiro Alberto Youssef, na Operação Lava-Jato; o ex-presidente da Caixa Pedro Guimarães; o médico Roger Abdelmassih, condenado por estupros contra pacientes; e o general Braga Netto, no julgamento por golpe de Estado.
A Segunda Turma iniciou, nessa sexta-feira, o julgamento, em plenário virtual, da decisão do ministro André Mendonça que determinou a prisão preventiva de Vorcaro. A sessão ficará aberta até a semana que vem, mas já há maioria para manter o banqueiro na cadeia. Os ministros Luiz Fux e Nunes Marques acompanharam o voto de Mendonça pela prisão preventiva. Gilmar Mendes não havia votado até o fechamento desta edição. E Dias Toffoli se declarou impedido.Investigação da Polícia Federal apontou que o banqueiro possui uma extensa rede de contatos com políticos e autoridades de Brasília, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e os ministro Toffoli e Alexandre de Moraes, do STF.
A possibilidade de uma delação do banqueiro preocupa o mundo político, e pode ter impacto significativo nas eleições de outubro, a depender das informações que Vorcaro decidir revelar e dos benefícios que pode obter caso resolva falar. Relator do caso, Mendonça foi enfático, em seu voto, ao descrever o que chamou de uma organização criminosa que utiliza milícia privada para coagir adversários e obstruir investigações sobre fraudes contra o Sistema Financeiro Nacional.
Fonte: com informações Correio Braziliense
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