A dança das cadeiras na Esplanada, com a saída de ao menos 18 ministros, mostra que o Planalto entrou em modo eleitoral
Com a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) já nas ruas e a cristalização de seu nome como principal polo da oposição, a montagem dos palanques regionais virou o centro das preocupações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o fim do prazo de desincompatibilização. O chefe do Executivo continua sendo um candidato competitivo, mas já não pode operar apenas com a força do cargo, da máquina federal e da memória de seus governos anteriores.
O empate técnico com Flávio, captado por pesquisas recentes, mudou o cenário da disputa: deixou de ser uma eleição em que Lula administrava a vantagem e passou a ser uma eleição em que precisa reconstruir, estado por estado, a base política capaz de sustentar sua candidatura até o segundo turno.
A dança das cadeiras na Esplanada, com a saída de ao menos 18 ministros, e a substituição de boa parte deles por secretários-executivos, mostram que o Planalto entrou em modo eleitoral. Não se trata apenas de cumprir a legislação da desincompatibilização, mas de tirar o burrinho da sombra e engrenar a montagem de palanques.
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Os ex-ministros Fernando Haddad em São Paulo, em companhia das ex-ministras Simone Tebet e, possivelmente, Marina Silva, em São Paulo; Rui Costa, na Bahia; Gleisi Hoffmann, no Paraná; Renan Filho, em Alagoas, além de outros nomes lançados ao Senado ou aos governos estaduais, são as peças do xadrez eleitoral de Lula para cercar Flávio com alianças regionais amplas.
Palanque de Paes
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Fotos: Reprodução/Google
O peso do governo para ancorar candidaturas locais e produzir capilaridade eleitoral somente agora começou a ser efetivado. No Rio de Janeiro, esse esforço está mais adiantado. O palanque de Lula é o mais robusto do Sudeste, com a saída de Eduardo Paes da prefeitura para disputar o governo estadual, movimento que o transforma na principal aposta do campo governista num estado decisivo e politicamente complexo. Paes lidera cenários para o governo fluminense desde o fim de 2025, em terreno no qual a direita tem densidade popular, presença midiática e forte conexão simbólica com a família Bolsonaro.
O Rio é reduto afetivo e base política de Flávio, mas também um estado em que a eleição local tende a ser mais pragmática do que ideológica. É aí que Paes joga um papel decisivo, pois encabeça um bloco amplo de forças, capaz de reunir centro, centro-esquerda e segmentos moderados da máquina municipal e estadual. Para o presidente, consolidar esse palanque é estratégico, porque reduz o isolamento do PT no estado e impede que a campanha de Flávio transforme o Rio numa alavanca de sua eleição. devido ao capital político da família, da memória do governo Bolsonaro e do discurso de segurança pública, que ali encontra centralidade.
Fonte: com informações Correio Braziliense
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