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Elizabeth Taylor estava nua na banheira quando seu destino cruzou com o de Cleópatra. Era 1959, e o produtor Walter Wanger ligava com um convite: dar vida à rainha mais poderosa que o mundo já conheceu. Cansada das filmagens de De Repente, no Último Verão, a atriz não hesitou em recusar. Mas Wanger estava decidido — queria Taylor, e não outra. Brigitte Bardot? Kim Novak? Marilyn Monroe? Nenhuma servia. A resposta da estrela veio em forma de desafio: US$ 1 milhão de cachê, um valor tão astronômico que ela esperava pôr fim à negociação. Para seu espanto, a Fox aceitou.
Foi assim que Elizabeth Taylor se tornou, aos 27 anos, a primeira estrela de Hollywood a embolsar um milhão de dólares por um único papel. E não era qualquer papel. Era Cleópatra — a mulher que hipnotizou Júlio César, arrancou o coração de Marco Antônio e desafiou o maior império que o mundo já viu: Roma. Mais de 40 atrizes já encarnaram essa figura enigmática, mas nenhuma com o impacto de Taylor. E nenhuma com a profundidade da mulher real por trás do mito.
Cleópatra VII, filha de Ptolomeu XII, nasceu em Alexandria no ano 69 a.C., no seio de uma dinastia marcada por alianças incestuosas, traições sangrentas e jogos de poder implacáveis. Casou-se com dois irmãos ainda crianças, como mandava a tradição. Sobreviveu a ambos — um afogado nas águas do Nilo, outro envenenado. Dizem que foi ela quem ordenou sua morte. Seria fácil pintá-la como vilã. Mas Cleópatra, mais do que uma sedutora, foi uma estrategista implacável.
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Governou um Egito falido e ameaçado por Roma com astúcia política e inteligência fora do comum. Falava nove idiomas, dominava filosofia, astronomia e matemática. Compreendia a arte da guerra, da diplomacia e da retórica. Foi amante de dois dos homens mais poderosos do mundo: Júlio César e Marco Antônio — e com ambos teve filhos. Mas seus relacionamentos, longe de serem meros romances, foram alianças táticas. Usou o casamento como escudo e espada para proteger seu povo e seu trono.

Seu primeiro encontro com César é lendário: enrolada num tapete, foi entregue ao general romano como presente. O gesto, ousado e simbólico, selou uma aliança que mudou o curso da história. Após o assassinato de César, foi a vez de Marco Antônio sucumbir ao fascínio da rainha egípcia. Juntos, desafiaram Otávio, o futuro imperador Augusto, e foram derrotados na Batalha de Ácio. Antônio cravou a espada no estômago. Cleópatra, dizem, deixou-se picar por uma áspide venenosa. Tinha 39 anos.

Mito ou assassinato? A verdadeira causa da morte da rainha continua envolta em mistério. Assim como o paradeiro de sua tumba, supostamente tragada pelo mar após um terremoto que engoliu a Ilha de Faros. Para muitos, Cleópatra optou pela morte como forma de manter sua dignidade. Para outros, foi vítima de uma propaganda brutal orquestrada por Otávio — que quis apagar sua memória e transformar a mulher que ousou desafiar Roma em um símbolo de devassidão.

Fotos: Reprodução/Google
Mais do que uma amante fatal, Cleópatra foi uma das líderes mais formidáveis de todos os tempos. Governou por 21 anos. Construiu alianças. Financiaram guerras. E, mesmo após dois milênios, sua história continua a incomodar, fascinar e inspirar. A nova cinebiografia estrelada por Gal Gadot reacende esse fascínio — e também provoca polêmicas, como a acusação de “embranquecimento” de uma personagem que pertence a uma cultura tantas vezes marginalizada no imaginário ocidental.
Cleópatra não foi só uma mulher no poder. Foi a personificação do poder em forma de mulher. Seu nome significa “Glória de sua Raça”, e sua glória desafia até hoje o tempo, o preconceito e a História escrita por homens que temeram seu brilho. Ela foi muito mais do que um rosto bonito. Foi uma força da natureza. E como toda tempestade grandiosa, ainda ecoa em trovões que não se calam.
Fonte: com informações da BBC
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