03 de Maio de 2026

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Ciência e Tecnologia - 30/09/2025

Cientistas registram pela primeira vez o processo de tomada de decisão em um cérebro

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Foto: Reprodução/Google

Doze laboratórios ao redor do mundo uniram forças para mapear a atividade neuronal em cérebros de camundongos durante o momento em que tomavam decisões.

Pela primeira vez, os neurocientistas conseguiram observar em escala ampla como o cérebro funciona quando decide. O feito envolveu a inserção de eletrodos no interior do cérebro para registrar, simultaneamente, a atividade de mais de meio milhão de neurônios, distribuídos em 95% do volume cerebral dos roedores.

 

Graças às imagens obtidas, os pesquisadores confirmaram uma hipótese já existente: não há uma única região responsável pela tomada de decisão, mas sim um processo coordenado entre múltiplas áreas cerebrais.

 

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Como o estudo foi realizado

 

 

 

Para identificar as regiões envolvidas, os cientistas treinaram camundongos a girar uma pequena roda, movendo círculos exibidos em uma tela. Quando o movimento levava a forma até o centro da imagem, o animal recebia água açucarada como recompensa.

 

O experimento envolveu 139 camundongos em 12 laboratórios e monitorou a atividade de 620 mil neurônios distribuídos em 279 regiões cerebrais. Desses, cerca de 75 mil neurônios bem isolados foram analisados em detalhe. O mapa neural resultante tem uma resolução sem precedentes nos estudos do cérebro em ação. Até então, apenas cérebros inteiros de moscas-das-frutas, larvas de peixe ou pequenas seções de cérebros mais complexos haviam sido mapeados

 

A decisão como processo holístico

 

 

 

Os resultados foram publicados em dois artigos na revista Nature. Embora ainda não sejam conclusivos, representam um ponto de partida importante para o estudo da tomada de decisões. O grande valor do trabalho está em tornar mais claros os caminhos neurais desse processo, permitindo análises futuras mais complexas. Além disso, os dados obtidos foram disponibilizados publicamente.

 

“Essas conclusões iniciais corroboram aspectos do funcionamento do cérebro já intuídos por estudos menores. É como se suspeitássemos o final de um filme sem tê-lo visto; agora, eles nos mostraram esse final”, explicou Juan Lerma, professor do Conselho Nacional de Pesquisa da Espanha, ao Science Media Centre España. Lerma não participou do estudo. Segundo ele, a pesquisa revela que, na tomada de decisão, muito mais áreas do cérebro participam do que se imaginava, enquanto no processamento sensorial a atuação é mais localizada e distinta.

 

Um passo a mais para entender o cérebro humano

 

Fotos: Reprodução/Google

 

O cérebro humano adulto contém cerca de 86 bilhões de neurônios, cada um capaz de formar milhares de conexões sinápticas. Apesar de pesar apenas 1,4 quilo, consome cerca de 20% de toda a energia do corpo em repouso.

 
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Embora supercomputadores já superem o cérebro em cálculos numéricos, nenhum deles se compara em eficiência energética, capacidade de aprendizado, adaptação e processamento paralelo. Ainda há um longo caminho até que a ciência consiga mapear de forma completa os processos neurais da tomada de decisão humana. Mas estudos como este, conduzido com camundongos, representam um avanço essencial nessa direção.
 

 

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