Neurilene Cruz, da etnia Kambeba, comanda o Sumimi, que atende apenas por reserva e acomoda até 100 pessoas
A indígena Neurilene Cruz, 40 anos, encontrou no empreendedorismo uma forma de preservar sua cultura e fortalecer a comunidade onde vive. Incentivada pelo pai, Waldemar da Silva, líder da comunidade indigena Três Unidos, assumiu o desafio de abrir um restaurante que valorizasse os ingredientes locais.
“A culinária indígena tem vários lugares hoje, já que ela é muito mostrada, mas por pessoas que não são indígenas. Eu quero fazer diferente, quero mostrar a alimentação feita pelas minhas mãos, pela minha origem, pela minha cultura”, disse Neurilene Cruz, chef indígena da etnia Kambeba, em entrevista.
Um dos maiores desafios que Neurilene encontrou foi o machismo, que está presente em todos os recortes. “Sempre teve aquilo de que a mulher foi feita para cuidar do marido e da casa, e não para liderar um empreendimento dentro de sua própria aldeia. Ouvi falar que mulher não consegue comandar e que não é capaz, principalmente mulheres indígenas, porque fomos educadas para casar, cuidar do marido, dos filhos e da casa, e não para ser uma empreendedora".
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Restaurante Sumimi
O restaurante de Neurilene, Sumimi, nasceu para atender uma demanda local durante a construção de uma escola na região. O arquiteto responsável percebeu a necessidade de um local de alimentação para os trabalhadores.
Ele investiu R$ 5 mil reais para iniciar o projeto e, em poucos meses, o valor já havia sido quitado com o lucro do estabelecimento, que seguiu em expansão. Com foco na culinária local, o Sumimi utiliza peixes como tambaqui e pacu, além de temperos regionais como urucum e cipó-alho. Os pratos custam entre R$ 40 e R$ 60 reais.
Um dos pratos mais famosos do estabelecimento é o faní, feito de mandioca recheada com pirarucu, item co cardápio que rendeu um prêmio de culinária para Neurilene em 2016. “É um prato muito especial, porque é tradicional, um prato da minha cultura, da minha avó. É uma alimentação saudável tirada da própria natureza, dos nossos próprios rios”.
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Foto: Reprodução Google
Com o reconhecimento do prato e do estabelecimento, o restaurante conseguiu alcançar um faturamento de R$ 40 mil reais por mês. Atualmente, o Sumimi atende apenas por reserva e acomoda até 100 pessoas. “Consegui esse faturamento através de grupos, de conhecidos, do conhecimento também, e sempre dando o melhor para os nossos clientes. O empreendedorismo é isso, você gostar do que faz, dar o melhor para o seu cliente para que atraia mais pessoas”.
Fonte: com informações do Portal Terra
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