29 de Abril de 2026

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Elas nos inspiram - 05/03/2026

Cerca de 43% das mulheres negras ajudam financeiramente filhos e netos nas periferias

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Foto: Envato

Estudo do Data8 revela que público feminino das classes C e D vive mais, mas envelhece com menos saúde, renda e reconhecimento; 70% se autodeclaram negras

O estudo “Velhices Periféricas: o descompasso entre os tempos de viver, trabalhar, cuidar e sustentar”, quarto relatório da série Brasil Prateado, realizado pelo Data8 e divulgado na terça-feira, 3, revela que as mulheres das classes C e D são as que alcançam maior longevidade. Contudo, o aumento da expectativa de vida não se traduz em descanso, mas em um prolongamento do esforço físico e financeiro.

 

Composta majoritariamente por mulheres negras (70%), essa população é a que mais sustenta os domicílios e atua como provedora de múltiplas gerações. Segundo o IBGE, 55% das pessoas com mais de 50 anos nas classes baixas são mulheres, número que sobe para 59% na classe D. Elas vivem em lares multigeracionais, com uma média de quatro pessoas, e cuidam de netos e filhos enquanto tentam equilibrar o próprio envelhecimento, com 43% ajudando financeiramente a família.

 

O acesso à saúde também é limitado para 61% delas, que têm acesso apenas à UBS (Unidade Básica de Saúde), sendo que 42% dessas mulheres nunca tiveram plano de saúde. Segundo o relatório, o cuidado é visto como luxo ou impedimento para o trabalho e só se procura o médico quando a dor impossibilita a diária.

 

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O peso das múltiplas tarefas

 

 

No campo econômico, o relatório destaca o “descompasso dos quatro tempos”: vida, saúde, trabalho e dinheiro. Embora vivam mais, essas mulheres não possuem plena autonomia financeira. Apenas 34% dos idosos das classes C e D têm a aposentadoria como principal fonte de renda. Na classe D, 52% dos aposentados continuam trabalhando, geralmente de forma autônoma (41%), para fechar as contas. A previdência privada é praticamente inexistente: apenas 2% têm acesso.

 

Fotos: Reprodução Google

 

O isolamento é outro eixo presente entre essa população, com a sensação de solidão atingindo 38% dos idosos e 48% das mulheres na classe D. Nesse caso, 70,5% das pessoas das classes C e D têm netos e mais filhos que as classes A e B, porém, 18% dos idosos vivem sozinhos, índice que sobe para 24% na classe D.

 

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Segundo o levantamento, trata-se de uma “solidão do cuidado”, onde a sobrecarga de responsabilidades e a ausência de reciprocidade geram um esgotamento invisível. O principal problema relatado é “ter muito trabalho e muitas preocupações”, citado por 15% na classe D, contra 6% nas classes A e B. A fé, sobretudo a evangélica, citada por 31% dos entrevistados, surge como a principal ferramenta de suporte psicológico diante da escassez.

 

Fonte: Com informações Revista IstoÉ 

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