Do brutal feminicídio ao linchamento que mobilizou mais de 1000 pessoas, confira toda a linha de tempo do caso
O que começou como um sábado comum na pequena Tonantins, a 865 km de Manaus, transformou-se em um dia de horror que chocou o Amazonas. Em menos de 24 horas, o feminicídio brutal de Valdilene Prestes desencadeou uma onda de violência extrema, culminando no linchamento público de José Andrei, mais conhecido como “Compensa”. Esta é a linha do tempo de uma tragédia que expôs a dor de uma família, a fúria de uma multidão e os limites entre justiça e barbárie.
Valdilene Prestes, de 44 anos, e sua filha de 21 anos viviam uma rotina simples em Tonantins. Valdilene era esposa de José Andrei, conhecido como “Compensa”, um nome que, após o ocorrido, ganharia contornos sombrios na história do município. A família, como muitas na região, enfrentava desafios cotidianos, mas nada que preparasse os entes queridos para o que estava por vir.
No sábado, 2, o silêncio da noite em Tonantins foi quebrado por gritos. “Compensa”, em um acesso de fúria, atacou Valdilene a facadas, matando-a dentro da própria casa. Sua enteada, que tentou intervir, também foi esfaqueada na cabeça, mas sobreviveu por pouco. Ferida e ensanguentada, a jovem conseguiu pedir ajuda, e vizinhos acionaram a polícia.
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O suspeito fugiu para uma área de mata, mas foi capturado horas depois. Alguns dizem que ele se entregou; outros, que foi encurralado. O que se sabe é que, algemado e sob custódia, ele foi levado para a delegacia local, um trajeto que seria seu último. A notícia do feminicídio se espalhou rápido. Uma multidão começou a se formar em frente à delegacia. Homens e mulheres, muitos encapuzados, gritavam por vingança. Vídeos mostram o momento em que invadem o local, arrancam “Compensa” da cela e o arrastam para a rua.
O que se seguiu foi uma cena de terror: socos, chutes, pedaços de pau. Até que alguém trouxe gasolina. O corpo de “Compensa” foi incendiado em plena via pública, diante de centenas de pessoas, muitas delas filmando e transmitindo ao vivo. Em uma das transmissões, um comentário evidenciou o tom violento dos atos: “Vou levar a farinha pra comer”, uma referência macabra ao corpo carbonizado.

Fotos: Divulgação
Enquanto a fumaça se dissipava, a realidade voltava a assombrar Tonantins. Valdilene estava morta e seu corpo aguarda repatriação para Manaus, onde a maioria da família mora. A filha, gravemente ferida, segue internada e até o momento não há atualizações sobre seu estado de saúde. A polícia enviou reforços, mas nenhum linchador foi preso. O caso agora é investigado sob dois aspectos: o feminicídio e o linchamento.
Fonte: com informações do Portal Tucumã
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