?Não Estou Preocupada em Agradar ou Vender?, Diz Carla Madeira sobre Novo Livro
Escritora brasileira mais lida nos últimos anos, Carla Madeira já vendeu cerca de 1,2 milhão de livros. Mas o trio de best-sellers no currículo não a pressiona. “Eu não estou minimamente preocupada em fazer nada para agradar ou para vender. Nada. Não tenho essa preocupação. Eu quero contar uma história que tenha ressonância dentro de mim.”
Ela não planejava lançar um novo livro tão cedo. Depois de publicar “Tudo é Rio” (2014), “A natureza da mordida” (2018) e “Véspera” (2021), todos pela Editora Record, a escritora e publicitária mineira queria dar um tempo da literatura para se dedicar a outras paixões, como a música e a pintura. Mas uma sequência de lutos – a perda da mãe, do psicanalista e o diagnóstico de câncer da sócia com quem fundou uma agência há quase quatro décadas – a levou de volta à escrita. “Foi um processo para lidar com o real. Eu tive uma overdose de realidade e senti necessidade da linguagem, da literatura, da imaginação.”
O novo livro, ainda sem título divulgado, nasce desse mergulho. Está em fase de “refinamento”, como ela mesma descreve: “Estou entendendo se tem ponta solta, alguma coisa mal escrita ou sobrando. Normalmente, é muito cortar.” A obra conta a história de uma mãe que denuncia um filho e, diferente das anteriores, traz uma linguagem mais experimental e polifônica, em que narrador e personagens se confundem. “Nunca tinha feito tão radicalmente essa mistura de vozes como experimentei nesse livro.”
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Questões familiares – violência contra um filho, incesto e abandono –, e especialmente a maternidade, atravessam toda a sua obra. “A maternidade virou um assunto meu. Depois que tive filhos, percebi que todas as questões da vida de uma pessoa começam nesse lugar, nessa primeira experiência com o mundo”, diz ela, que é mãe de dois.
“A hora que eu publico, eu tenho certeza que é o livro que eu quis escrever. Eu respondo totalmente por ele. Eu não fiz nada ali que eu não quisesse ou em dúvida.”
Carla Madeira
Das páginas às telas
O reconhecimento trouxe outro desdobramento: adaptações de suas obras para o audiovisual. Ainda sem data de estreia, a série da HBO Max “Véspera”, baseada no livro homônimo de Carla, é protagonizada por Bruna Marquezine, Gabriel Leone e Camila Márdila. “É um exercício de desprendimento para entender que é outra obra. Não é mais minha, é a partir de uma obra minha.”
A autora atuou como consultora na produção e colaborou com a diretora Joana Jabace no refinamento do roteiro. “Foi lindo ver algumas filmagens. Me emocionei muito. Teve cenas que eu escrevi, já tinha lido mil vezes e chorei pra caramba. É lindo.”
Entre a arte e o corporativo
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Fotos: Reprodução/Google
Carla tem dificuldade de afirmar com convicção que é escritora, mas não tem dúvida sobre seu lado publicitária. Paralelamente à carreira literária, ela segue à frente da agência Lápis Raro, em Belo Horizonte, como sócia e diretora criativa. “Na publicidade, eu domino o processo, sei exatamente como entregar uma campanha. Já na literatura, não. Eu nunca sei se vou conseguir escrever um livro.”
A escrita trouxe o respiro de que ela precisava quando o universo dos jobs e dos briefings começou a parecer muito duro. “Não tinha subjetividade ali.” Anos antes, foi a publicidade que assumiu esse papel, depois de deixar a faculdade de matemática. “Sentia falta da linguagem artística.”
Fonte: com informações Forbes
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