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Mulher em pauta - 16/08/2025

Brasileiras que chegaram à cabine de comando abrem caminho para mais pilotas

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Foto: Reprodução/Google

Mulheres representam 5% dos pilotos nas principais companhias do mundo; profissionais compartilham os desafios da carreira e as trajetórias até o cargo

A carreira de piloto de avião costuma ser linear. O mais comum é ingressar em uma companhia área como copiloto para, eventualmente, ser promovido a comandante, podendo assumir rotas internacionais e novos modelos de aeronaves ao longo da trajetória. Chegar ao comando é, portanto, o auge dessa carreira. “Meu primeiro voo como comandante foi para Brasília, e o avião estava lotado. Olhei para o lado esquerdo e vi o meu reflexo. Eu, comigo mesma, à frente de tudo”, lembra Marcela Fernandes, promovida a comandante após 10 anos na Azul. Hoje, a profissional de 41 anos é comandante de uma aeronave Embraer, com capacidade para até 136 passageiros, e acumula 7,5 mil horas de voo.

 

A memória de Gabriela Duarte também continua fresca. A carioca de 50 anos voou como comandante pela Gol pela primeira vez em 2011, após sete anos como copilota na companhia. “Meu pai, que sempre sonhou em ser piloto, dizia: ‘Quando vou te ver com as quatro faixas?’ Quando finalmente me viu com o uniforme completo, ele me abraçou, chorou e disse: ‘Filha, você conseguiu!’.”

 

Ser piloto de avião, mais do que um sonho de criança, é a profissão mais desejada do mundo – e do Brasil –, segundo um levantamento da plataforma Resume.io. Mas o caminho até a cabine de comando não é simples, especialmente para mulheres.

 

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O setor é um dos mais desiguais em gênero: hoje, existem 7.409 mulheres piloto no mundo todo, o que representa apenas 5,18% dos pilotos das 34 principais empresas aéreas do planeta, de acordo com a International Society of Women Airline Pilots. “As principais barreiras são as poucas referências femininas na profissão, os estigmas sobre a ‘feminilidade’ incompatível com cargos técnicos e a falta de incentivo desde a infância, além do alto custo da formação”, explica Aline Pacheco, professora do curso de ciências aeronáuticas da PUCRS.

 

Os desafios para alçar voo

 

 

 

Entre certificações e horas de voos – que custam entre R$ 700 e R$ 1000 cada –, há uma série de exigências para quem deseja se formar como piloto e seguir carreira na aviação. “Primeiro, você precisa concluir o curso de piloto privado, e depois o de piloto comercial, que exige muito mais horas de voo e um custo ainda maior”, diz Aline Canedo, copilota de um Boeing de carga na LATAM, em rotas internacionais. “Foi uma fase de muita renúncia, sabia quais etapas precisava completar e vivia em função disso”, lembra Marcela Fernandes. “Seis meses depois de tirar as carteiras, ainda tinha cheques para cobrir.”

 

Depois da formação, ainda existem os entraves para ingressar em um mercado altamente competitivo. “Quando me formei, tentei entrar na aviação executiva e em táxis aéreos, mas o mercado era muito fechado, especialmente para mulheres”, afirma Gabriela Duarte. “Ouvi diversas vezes que ‘não contratavam mulheres’. Mesmo com habilitações completas, as portas continuavam fechadas.”

 

 

 

“Você está pronta, com currículo em mãos e pensa: ‘agora é só trabalhar’. Mas não é bem assim”, diz Karina Guidi, que se formou aos 21 anos e só conseguiu a primeira entrevista de emprego para pilotar um avião aos 27. A pilota acaba de ser promovida a comandante na LATAM após seis anos de companhia, e deve assumir o novo cargo em setembro deste ano.

 

Entre os conselhos para enfrentar os desafios, Gabriela Duarte, da Gol, destaca que, além de perseverança, é importante buscar meios de se aproximar da aviação antes de fazer grandes investimentos. “Trabalhe como comissária, despachante de voo ou até em solo, dentro de uma companhia aérea. Pode ser uma boa porta de entrada, porque muitas empresas têm seleções internas para pilotos com requisitos menores.”

 

De copilota a comandante

 

Após assumir o cargo de copilota em uma companhia aérea, a promoção para comandante envolve uma série de etapas: provas, entrevistas, simuladores e treinamentos, além da espera na lista de senioridade. “Não basta apenas querer o cargo. Quando você entra na empresa, é preciso ter paciência para esperar a sua vez na fila”, explica Aline Canedo, da LATAM. “Precisa haver demanda para novos comandantes – seja com a aquisição de novas aeronaves ou pela aposentadoria dos que já estão na função.”

 

Na prática, as funções operacionais de um copiloto e de um comandante dentro da cabine são semelhantes. A principal diferença é a gestão e a responsabilidade legal. “Ao fechar as portas do avião, a comandante se torna a autoridade máxima a bordo”, diz Gabriela Duarte. “Somos como o CEO da empresa na cabine de comando.” Todo o gerenciamento operacional e administrativo do avião é de responsabilidade do comandante: desde o carregamento, o embarque dos clientes e o bem-estar dos passageiros, até o abastecimento, a coordenação da equipe e a condução da aeronave. “Cada voo é um projeto que se inicia e termina em poucas horas, e cabe ao comandante garantir que tudo transcorra com excelência.”

 

Por mais pilotos mulheres

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

Parte desse avanço – ainda que lento – se deve a iniciativas que as empresas têm colocado em prática para atrair e reter mais mulheres no setor. A GOL, que conta com 3% de mulheres entre os pilotos, segundo um relatório de 2023, e a LATAM, que contava com 4% de mulheres entre os pilotos em março de 2024, implementaram a Escala Mãe, que permite que mães de crianças pequenas façam voos mais curtos e estejam em casa diariamente.

 
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A LATAM também contratou 39% do total de mulheres que ocupam esse cargo em sua equipe no Brasil entre o início de 2024 e o 1º semestre de 2025. “As companhias têm feito um movimento para contratar mulheres, inclusive já especificando nos anúncios de vaga que a preferência é feminina”, explica Marcela Fernandes, comandante na Azul, companhia que já tem 4,6% de mulheres entre os pilotos.

 

 

Fonte: com informações Forbes

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