04 de Maio de 2026

NOTÍCIAS
Internacional - 16/07/2025

Brasil oficializa entrada no processo da África do Sul contra Israel por genocídio em Gaza no Tribunal Internacional de Justiça

Compartilhar:
Foto: Reprodução/Google

A entrada do Brasil no caso marca uma guinada na postura diplomática do país. Desde o início do conflito, o governo brasileiro adotava uma posição voltada à mediação e ao diálogo.

O Brasil confirmou sua adesão como terceira parte no processo movido pela África do Sul contra Israel no Tribunal Internacional de Justiça (CIJ), em Haia, que acusa o Estado israelense de genocídio contra o povo palestino na Faixa de Gaza. A decisão foi anunciada pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, em entrevista à emissora Al Jazeera no sábado, 13 de julho.

 

A entrada do Brasil no caso marca uma guinada na postura diplomática do país. Desde o início do conflito, o governo brasileiro adotava uma posição voltada à mediação e ao diálogo. No entanto, segundo o chanceler, “os últimos desenvolvimentos da guerra” e o agravamento da crise humanitária motivaram a mudança de postura. A tragédia humanitária vivida pelos palestinos e a continuidade dos ataques, apesar das decisões preliminares da Corte, levaram o Brasil a buscar a via judicial.

 

O processo “África do Sul v. Israel” foi iniciado em 29 de dezembro de 2023, com base na Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio, da qual ambos os países são signatários. Em janeiro de 2024, o CIJ reconheceu a plausibilidade das acusações e emitiu medidas provisórias exigindo que Israel permitisse a entrada de ajuda humanitária e tomasse ações para preservar evidências. Desde então, a África do Sul apresentou um memorial com mais de 750 páginas e cerca de 4 mil páginas de anexos contendo provas, vídeos, relatórios e testemunhos.

 

Veja também 

 

Trump envia novas armas à Ucrânia e ameaça taxar Rússia em 100%

Israel anuncia ataques contra o Hezbollah no leste do Líbano

Brasil se junta a outros países do Sul Global

 

 

Com sua adesão formal, o Brasil passa a integrar um grupo crescente de países que manifestaram apoio direto ou ingressaram como partes no processo. Entre eles estão Jordânia, Bangladesh, Espanha, Chile, Turquia, Irã e Cuba, além de blocos como a União Africana, a Liga Árabe e a Organização para a Cooperação Islâmica (OIC). Segundo analistas internacionais, o movimento reforça o alinhamento do Brasil com princípios de legalidade internacional e fortalecimento das instituições multilaterais — uma marca da política externa do governo Lula.

 

Reações e possíveis impactos

 

Fotos: Reprodução/Google

 

A reação de Israel foi imediata e previsível. O governo israelense rejeitou de forma categórica as acusações, chamando-as de “falsas e infundadas” e acusando a África do Sul de atuar como “braço jurídico do Hamas”. A entrada do Brasil, que sempre manteve relações diplomáticas com Tel Aviv, pode provocar um esfriamento nas relações bilaterais.

 

Nos Estados Unidos, que atualmente voltaram a ser governados por Donald Trump, espera-se uma reação crítica severa. A decisão brasileira pode tensionar ainda mais as relações diplomáticas com Washington, especialmente em meio ao contexto eleitoral nos EUA e ao reposicionamento estratégico do país no Oriente Médio.

 

Caminho jurídico e riscos calculados

 

Internamente, a decisão representa um gesto de coerência com a postura histórica do Brasil em defesa dos direitos humanos e da autodeterminação dos povos. No entanto, analistas alertam para possíveis retaliações diplomáticas, comerciais e até restrições em fóruns internacionais sob influência de Israel ou dos EUA.

 
Curtiu? Siga o Portal Mulher Amazônica no FacebookTwitter e no Instagram
Entre no nosso Grupo de WhatApp e Telegram.

 

Apesar dos riscos, a adesão ao processo reafirma o papel do Brasil como um ator relevante no sistema internacional de justiça e como defensor da ordem multilateral, sobretudo no que diz respeito à proteção da vida civil em conflitos armados. Em uma guerra que já custou milhares de vidas, a decisão brasileira de participar formalmente do processo de acusação por genocídio representa não apenas um posicionamento diplomático, mas um marco histórico de coragem jurídica e solidariedade internacional.
 

 

Portal Mulher Amazônica

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Nome:

Email:

Mensagem:

LEIA MAIS
Fique atualizada
Cadastre-se e receba as últimas notícias da Mulher Amazônica

Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.