Afinal, nenhuma democracia será completa enquanto metade da população continuar sendo sub-representada.
Trinta anos após a histórica Declaração e Plataforma de Ação de Pequim, documento adotado em 1995 durante a 4ª Conferência Mundial sobre a Mulher da ONU, o mundo ainda enfrenta um grande desafio: garantir igualdade de gênero nos espaços de poder e decisão.
Divulgado neste mês, o novo mapa Mulheres na Política 2025, produzido pela ONU Mulheres em parceria com a União Interparlamentar (UIP), revela que a participação feminina em parlamentos e ministérios permanece estagnada globalmente — com avanços tímidos e, em alguns casos, retrocessos preocupantes.
O Brasil ocupa uma posição alarmante: está em 133º lugar no ranking mundial de representação feminina nos parlamentos nacionais. Apesar de ser a sétima maior economia do planeta e contar com uma população majoritariamente feminina, o país tem uma das piores taxas de presença de mulheres no Legislativo.
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Números atuais no Congresso Nacional (2025):

• Câmara dos Deputados: apenas 18,1% de deputadas federais
• Senado Federal: 19,8% de senadoras
Esses dados mostram um baixo índice de representatividade, muito abaixo da média da América Latina, que é de 35,4%, a mais alta entre todas as regiões do mundo. Países como México, Argentina, Chile, Bolívia e Costa Rica têm feito reformas legais e políticas de incentivo à participação feminina, e hoje possuem percentuais superiores a 40%.
Participação feminina no mundo: desigualdade persiste

Apesar de campanhas globais e compromissos firmados por diversos governos, nenhuma região do planeta alcançou a paridade de gênero nos parlamentos.
Segundo o relatório:
• As Américas lideram, com 35,4% de mulheres parlamentares
• A Europa aparece em segundo lugar, com 32,7%
• A Ásia tem 21,9%
• A África Subsaariana chega a 26,7%
• O Oriente Médio e Norte da África tem 18,3%
• A região do Pacífico segue como a mais desigual, com apenas 16,2%
Vários fatores explicam a lentidão do Brasil:

• Cultura política ainda patriarcal, com forte presença masculina nos espaços de decisão
• Violência política de gênero, que afasta candidaturas femininas ou dificulta sua atuação
• Subfinanciamento das campanhas de mulheres, mesmo com leis que exigem repasse proporcional de recursos
• Falta de políticas de incentivo real à participação, como listas paritárias, cotas efetivas e punição a partidos que não cumprem a legislação
• Julgamentos estéticos e morais, que recaem com mais força sobre as mulheres na vida pública
A sub-representação feminina compromete a qualidade da democracia. Quando as mulheres não estão nos espaços de poder, seus direitos, demandas e visões de mundo ficam à margem das decisões políticas. Isso impacta diretamente temas como:
• Violência de gênero
• Saúde reprodutiva
• Educação e creches
• Igualdade salarial
• Políticas públicas voltadas para o cuidado
Em 1995, em Pequim, os países se comprometeram a garantir igualdade plena entre homens e mulheres na vida política, econômica e social. Três décadas depois, o Brasil está longe de cumprir essa meta.
Especialistas e movimentos sociais apontam caminhos possíveis para reverter esse quadro:

Fotos: Reprodução/Google
1. Adoção de cotas de cadeiras, não apenas candidaturas
2. Financiamento eleitoral justo e auditável para mulheres
3. Combate à violência política de gênero com leis e punições eficazes
4. Educação política para meninas e jovens mulheres desde cedo
5. Valorização da pluralidade de vozes femininas – indígenas, negras, trans, periféricas, rurais
No ano em que o mundo relembra os 30 anos da Plataforma de Pequim, o retrato da presença feminina na política brasileira ainda é marcado pela exclusão e desigualdade. O avanço das mulheres no parlamento não é apenas uma questão de justiça social, mas uma exigência democrática. Uma democracia sem mulheres é, por definição, incompleta.
Diante desse cenário de desigualdade persistente, o Portal Mulher Amazônica e o Ela Podcast reafirmam sua missão de fortalecer a presença e a voz das mulheres nos espaços de decisão — seja nas câmaras legislativas, nas comunidades ribeirinhas, nas universidades, ou nos microfones que amplificam histórias invisibilizadas.
Afinal, nenhuma democracia será completa enquanto metade da população continuar sendo sub-representada. Por isso, cada reportagem, episódio, artigo e ação do Portal Mulher Amazônica e do Ela Podcast é, também, um passo em direção a um Brasil mais justo, mais diverso e, sobretudo, mais feminino no poder.
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