Participação em entregas do auditório Vasco Vasques e lotes do conjunto Manauara foram obras iniciadas no governo Dilma e aceleradas na gestão Temer.
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deixou em branco mais uma vez seu diário de promessas em sua terceira passagem por Manaus e quarta ao Amazonas somente neste ano. A capital esperava dele o anúncio de mais de R$ 1 bilhão em investimentos que ele prometeu em junho ao prefeito David Almeida (Avante).
Na sua chegada a Manaus, na terça-feira (26) à noite, David reiterou essa confiança de que parte do prometido seria anunciado. No entanto, o anúncio não aconteceu até a partida do presidente de volta a Brasília, no fim da noite de quarta (27).
Pautas esquecidas
Além da falta de anúncios durante a visita, o presidente ignorou temas recorrentes da pauta de reivindicações do estado. A Zona Franca de Manaus, a BR-319 e a BR-174, destruída em seu governo, sumiram de sua fala.
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Em quase três anos de governo, o presidente Jair Bolsonaro ainda não tem uma obra no Amazonas para chamar de sua. Este ano, em Manaus, inaugurou um auditório no Centro de Convenções Vasco Vasques, mas a obra foi iniciada na gestão Dilma Rousseff.
Ele também inaugurou um bloco de apartamentos no conjunto Cidadão Manauara. No entanto, a obra nasceu no governo Dilma e foi acelerada na gestão Temer.
Oba-Oba caro
A única obra, com sua cara, efetivamente, foi inaugurada em uma zona rural de São Gabriel da Cachoeira. Foi uma ponte, ainda no fim de maio deste ano. A ponte foi chamada de "pinguela" pela proporção da obra, foi a menor da história inaugurada por um presidente no Amazonas e a inauguraçao em si foi mais cara do que os trabalhos executados.
A ponte improvisada de madeira saiu a R$ 255 mil, já os gastos para a inauguração da obra rodaram em torno de R$ 711 mil, segundo o Congresso em Foco.
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“Ao discriminar os gastos com a empreitada de inauguração, a Presidência da República diz que R$ 50 mil foram pago em diárias ao chamado 'Escalão Avançado', e outros R$ 610 mil em deslocamentos terrestres na cidade, isolada na floresta amazônica. Há ainda outros R$ 50 mil em gastos com cartão de crédito corporativo, e mais R$ 742 em telefonia. A viagem da equipe presidencial durou cinco dias”, diz o site.
Sem memória aos mortos da pandemia
O presidente poderia ter aproveitado a viagem a Manaus para se solidarizar com as vítimas e as famílias das vítimas fatais da pandemia. A onda no Amazonas movimentou o Brasil e não foi esquecida nem por atletas que passaram pela capital em partida da seleção, porém o presidente perdeu a memória.
O gesto seria sem custo, mas de alto valor para a cidade que foi epicentro da pandemia no mundo.
Com a cabeça em 2022
A única coisa que o presidente Bolsonaro fez no Amazonas, nas 24 horas que passou em Manaus, foi fazer o que já era lido por analistas políticos com malícia: a campanha antecipada pela sua reeleição. Após a sinaliação de que Lula estaria em linha com lideranças religiosas de todo o país, Bolsonaro voltaria a articular fileiras dentro de igrejas.
O presidente fez isso ao se encontrar com policiais e evangélicos, segmentos que mais o apoiam. E reiterou a conduta de candidato ao passar o dia todo dando entrevistas.
Fonte: ABN
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