04 de Maio de 2026

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Comportamento - 25/07/2025

Apostas online fazem jovens adiarem a faculdade e aumentam o desespero econômico: até quando vamos fingir que o problema é individual?

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Foto: Reprodução/Google/Montagem Portal Mulher Amazonica

O Brasil precisa assumir o debate: quem está lucrando com o desespero da população

Em 2025, uma estatística alarmante revelou o impacto silencioso das apostas online na educação superior: 1 em cada 3 jovens entre 18 e 35 anos adiou o ingresso em faculdades particulares por causa do vício em jogos de azar, segundo pesquisa da ABMES (Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior) em parceria com a Educa Insights.

 

A situação se agrava nas regiões Nordeste e Sudeste, onde esse índice ultrapassa os 40%. O que antes era apenas uma distração digital, hoje se configura como uma ameaça concreta aos projetos de vida de milhões de brasileiros.

 

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Além de impedir o início da trajetória universitária, o vício em apostas digitais já afeta quem está matriculado: 14% dos estudantes atrasaram mensalidades ou trancaram seus cursos. E o futuro preocupa ainda mais: quase 1 milhão de jovens poderão desistir do ensino superior privado até 2026, caso esse cenário não mude. O fenômeno é visível nos ônibus lotados das grandes cidades. Um trabalhador, cansado após um dia de esforço físico ou emocional, permanece com o olhar fixo na tela do celular. O jogo do “tigrinho” reluz em neon. Não é lazer. É esperança desesperada de um milagre financeiro em meio à escassez.

 

A promessa do dinheiro fácil diante de uma realidade dura

 

 

Em um país onde o salário mínimo mal cobre o básico e o custo de vida cresce descontroladamente, a promessa de lucro instantâneo por meio de jogos de azar se torna tentadora. Para muitos, trata-se da única “chance” de mudar de vida — mesmo que essa chance seja, na maioria das vezes, uma armadilha. Mas quando um terço da juventude brasileira adia os estudos por causa de apostas, já não estamos mais falando de escolhas puramente individuais. Estamos diante de um problema estrutural, que exige respostas institucionais, políticas públicas e responsabilidade corporativa.

 

Educação financeira é urgência social

 

Fotos: Reprodução/Google

 

A falta de educação financeira cria terreno fértil para a disseminação de práticas predatórias. Empresas e instituições não podem mais fingir que isso é apenas uma questão de “autocontrole” ou “livre arbítrio”. Iniciativas como a da Me Poupe!, maior plataforma de educação financeira do país, mostram que é possível agir. A empresa desenvolve trilhas de aprendizagem voltadas para organizações, oferecendo capacitação em finanças pessoais para colaboradores. São passos fundamentais para quebrar o ciclo da dependência econômica e do desespero digital.

 
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É hora de enfrentar o problema de frente

 

O Brasil precisa assumir o debate: quem está lucrando com o desespero da população? Enquanto o vício em apostas não for tratado como uma questão de saúde pública, educação e regulação, continuaremos a assistir à desconstrução de sonhos — silenciosamente, todos os dias. Se nada mudar, essa cena vai continuar: celulares iluminando o rosto cansado de quem só queria uma chance. Mas não deveria ser o trabalhador ou o estudante quem carregasse essa conta sozinho.
 

 

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