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Ciência e Tecnologia - 28/10/2024

Apesar de mercado promissor, faltam investimentos em pesquisas de anticoncepcionais masculinos

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Foto: Reprodução/Google

Há atualmente mais de 2 bilhões de homens no mundo

Interesse de homens por métodos para controlar a própria fertilidade cresce, mas certificação demorada e resistência da indústria farmacêutica impedem expansão do setor e popularização de alternativas.Um grupo curioso se aglomera em volta do enfermeiro Maxime Labrit, em Paris, num evento sobre direitos reprodutivos no qual ele exibe anéis coloridos de silicone. O que parece engraçado num primeiro momento tem um objetivo mais profundo: Labrit quer revolucionar a contracepção masculina, e o potencial é enorme.

 

Há atualmente mais de 2 bilhões de homens no mundo. Estima-se ainda que uma em cada duas gravidezes seja indesejada. O fardo geralmente recai sobre as mulheres devido às poucas opções de controle de fertilidade à disposição dos homens.Mas há boas notícias: existem muitas alternativas, e algumas delas já estão disponíveis. A parte complicada: leva um certo tempo para certificar a segurança desses métodos.

 

Cresce o número de homens que têm interesse em métodos contraceptivos masculinos, mostram estudos globais apoiados por organizações como a Fundação Gates ou as Nações Unidas.Os cientistas estão trabalhando em mais de 100 inovações, de acordo com a Iniciativa Contraceptiva Masculina (MCI, na sigla em inglês). Alguns métodos impedem o desenvolvimento do esperma, outros se concentram em evitar que espermatozoides alcancem o óvulo.

 

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Tentativas de desenvolver novos métodos contraceptivos para homens fracassaram várias vezes. Mas, atualmente, há um produto hormonal bastante promissor: o gel NES/T. Aplicado no ombro, ele é, até o momento, o mais avançado em testes clínicos.Entre os produtos mais promissores estão ainda o gel da Contraline, que bloqueia o tubo que transporta o esperma, e a pílula diária não hormonal da empresa americana YourChoice. Atualmente, essas opções estão sendo testadas em humanos, mas só estarão disponíveis no mercado daqui a cinco ou dez anos.

 

Diversos produtos que já estão disponíveis no mercado usam um método especial: calor. "Não é preciso esperar. É possível praticar a contracepção térmica masculina agora mesmo", diz Labrit, que inventou os anéis de silicone devido a uma frustração pessoal. Depois de se apaixonar por uma francesa, ela lhe disse para assumir a responsabilidade por seu esperma. Juntamente com seus pais, o enfermeiro desenvolveu o protótipo do anel Andro-Switch.

 

O princípio parece muito simples: a produção de esperma é sensível à temperatura. O anel eleva os testículos para perto do corpo, permitindo que eles absorvam o calor natural do corpo. O aumento da temperatura em alguns graus pode levar à infertilidade temporária.Enquanto Labrit viaja pela Europa – em um barco a vela – para divulgar sua missão, produtos similares continuam surgindo em outros lugares. Roupa íntima térmica está sendo vendida na França com um adesivo quente.

 

 

 

Com isso, os testículos são envolvidos em uma camada de calor, o que interrompe a produção de esperma.Uma das principais formas de monitorar a fertilidade é por meio do seminograma, a análise do sêmen que avalia a qualidade do esperma. Pensando nisso, Rolf Tobisch, pesquisador da Universidade de Ciências Aplicadas de Hessen, na Alemanha, desenvolveu um seminograma doméstico – um dispositivo que permite aos usuários testar sua fertilidade em casa.

 

No entanto, colocar esse produto no mercado tem sido um desafio. Além de caras, as certificações médicas demoram, e as principais indústrias farmacêuticas não parecem dispostas a investir.Tobisch também desenvolveu um dispositivo contraceptivo térmico projetado para aquecer os testículos por apenas dez minutos por mês, o que poderia tornar os homens temporariamente inférteis. Apesar do potencial, ele tem tido dificuldades para obter financiamento. "Pensei em desistir diversas vezes", admite o pesquisador, que confia na eficácia de sua invenção.

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

Normalmente, os investidores esperam retorno em até um ano, mas a certificação médica pode levar vários anos, exigindo extensa pesquisa de laboratório, testes clínicos e aprovação das autoridades de saúde.Como último recurso, muitos inventores marcam seus produtos de forma diferente: como brinquedos sexuais ou de bem-estar. A roupa íntima térmica é comercializada como um item de conforto, e o anel de silicone de Labrit é vendido como um "objeto decorativo vindo diretamente de Urano" no site Thoreme.com.

 

Testes em seres humanos devem avaliar se cada produto é seguro individualmente, embora há décadas pesquisas acenem positivamente para isso. Três estudos diferentes testaram se o aumento da temperatura dos testículos de 1°C a 2°C por pelo menos 15 horas por dia afeta a produção de esperma. Os casais usaram a contracepção térmica como única forma de controle de natalidade, e nenhuma gravidez foi registrada entre mais de 500 ciclos menstruais.O crescente interesse global dos homens indica que a mudança está no horizonte. Não se trata apenas de disponibilidade, mas também de aceitação. "É preciso apenas um produto para abrir o caminho", diz Nickels, destacando o potencial efeito dominó.

 

Ele acredita que os homens precisam ter conversas francas com pares de confiança para descobrir se esses novos produtos são adequados para eles.Com a previsão de que o mercado global de contraceptivos atinja 44 bilhões de dólares até 2030, vários países estão investindo nisso. Em grande parte, o financiamento é impulsionado por organizações sem fins lucrativos e instituições acadêmicas, principalmente nos Estados Unidos, mas também na Índia, no Brasil e na Austrália.

 

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No recente evento sobre direitos contraceptivos em Paris, os participantes se mostraram otimistas em relação ao tema e ao futuro: a contracepção masculina representa uma forma de empoderamento. Não se trata apenas de liberdade sexual ou financeira, mas sim de dar a bilhões de pessoas a capacidade de moldar suas vidas e seu planejamento familiar. 

 

Fonte: com informações Revista IstoÉ

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