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Especial Mulher - 11/11/2025

Aos 83, Isabel Allende Diz Que 'Nunca É Tarde Demais' para se Reinventar

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Foto: Reprodução/Google

Em entrevista à Forbes, autora de 30 livros e escritora mais lida do mundo em língua espanhola relembra sua trajetória

“Escrevi meu primeiro romance aos 40, me divorciei aos 74, me casei novamente aos 77 e estou escrevendo meu 31º livro aos 83.” Isabel Allende resume assim sua vida quando questionada sobre o que pensa de mulheres com mais de 50 anos que sentem que é “tarde demais” para se reinventar. A resposta é contundente: “A idade no calendário não deve ser uma razão para nos limitarmos”.

 

Reconhecida este ano pela lista Forbes 50 Over 50, a escritora chilena, cujos livros foram traduzidos para mais de 40 idiomas, passou por Buenos Aires para falar sobre seu novo romance, “Meu Nome é Emilia del Valle”, no palco do Teatro Nacional Cervantes, onde 700 pessoas a aguardavam após os ingressos esgotarem em cinco minutos.

 

Em entrevista à Forbes, Allende contou que sua amiga se formou em direito aos 24 anos, se entediou e começou a estudar medicina aos 40. Aos 60, treinava para escalar o Everest quando sofreu um acidente de carro que a deixou em uma cadeira de rodas. Aos 73 anos, ela continua exercendo a medicina e se tornou monja budista. “Se viver o suficiente, talvez ela se inscreva no Cirque du Soleil”, brinca a escritora. “Não é tarde demais, minhas amigas.” Durante a apresentação no Cervantes, retomou a ideia de reinvenção constante. “Se eu pude me casar perto dos 80, qualquer um pode. Se eu consigo um namorado, qualquer um consegue”. A plateia explodiu em risadas e aplausos.

 

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O que a IA jamais poderá substituir

 

 

 

A pergunta sobre inteligência artificial toca um ponto sensível na indústria editorial. Allende reconhece que “na profissão de escritor há um certo pânico”, porque a IA já pode editar, corrigir, traduzir e criar o esboço de um romance em minutos. “As possibilidades parecem infinitas.” O que ela acredita que nunca poderá ser substituído? “O verdadeiro amor, pele com pele, alma com alma. As relações e os sentimentos humanos são a essência da literatura.”

 

Memórias da trajetória como escritora

 

 

 


Allende está escrevendo suas memórias baseando-se nas mais de 24 mil cartas que trocou com sua mãe ao longo de décadas. “É muito mais difícil escrever uma autobiografia do que um romance, porque é necessário manter-se fiel à verdade.” Qual verdade sobre si mesma foi mais difícil de enfrentar? “Meu querido padrasto, que morreu em meus braços aos 102 anos, costumava dizer que sua vida era perfeita e que não se arrependia de nada. Não é o meu caso”, afirma. “Quanto mais examino meu passado, menos perfeita me parece a minha vida e mais coisas encontro das quais me arrependo, especialmente daquelas ocasiões em que outras pessoas sofreram por minha culpa.”

 

Com 80 milhões de livros vendidos, Isabel Allende fala sobre a decisão comercial mais arriscada que tomou. “A verdade é que nunca encarei a escrita como uma carreira ou uma marca; para mim, é uma vocação e um prazer.” A autora reconhece que teve a sorte de contar com Carmen Balcells, a lendária agente literária (considerada uma das impulsionadoras do boom latino-americano), “a quem devo a publicação da maioria dos meus livros”, e, há dez anos, com Johanna Castillo. “Elas tomaram as decisões comerciais e eu me limitei a segui-las, porque o meu é escrever e o delas é vender os livros.”

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

Durante a apresentação, lembrou que, quando terminou “A Casa dos Espíritos”, Balcells a advertiu: “Este é um bom romance e eu vou publicá-lo, mas isso não significa que você seja escritora. Por ser mulher, você terá que fazer o dobro de esforço que qualquer homem para obter a metade do reconhecimento.” Um dos momentos mais emocionantes da noite no Cervantes foi quando ela falou sobre as mulheres fortes de seus romances. “Não conheço nenhuma mulher fraca”, afirmou. “Quando me perguntam de onde elas vêm, penso: elas estão em todos os lugares. Na minha fundação, vejo diariamente mulheres que, nos momentos mais difíceis, sustentam a vida sem glória nem dinheiro. Elas inspiram meus livros.”

 

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“Meu Nome é Emilia del Valle” presta homenagem às mulheres esquecidas da história: em particular, àquelas que seguiam os regimentos no século XIX para cozinhar, lavar, cuidar dos feridos e morrer com eles, se necessário. “Essas mulheres não aparecem em lugar nenhum, nem nos documentos militares nem nos livros de história. Eu queria resgatá-las.” A escritora encerrou a noite com uma confissão sobre o amor: “Estive apaixonada a vida inteira. Antes, acreditava que o medo era o que movia o mundo. Hoje, sei que é o amor: o de mãe, o de parceiro, o das causas que se abraça.”

 

 

Fonte: com informações Forbes

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