07 de Maio de 2026

NOTÍCIAS
Elas nos inspiram - 08/07/2024

Ana Fontes, uma empreendedora que ajuda mulheres em seus negócios

Compartilhar:
Foto: Reprodução/Google

Fundadora do Instituto Rede Mulher Empreendedora (RME) conta sua trajetória, desafios e fala da importância de capacitar mulheres

Cada vez mais mulheres desejam não só ter mais espaço no mercado de trabalho, mas almejam ingressar no mundo dos negócios e serem donas. Elas querem estar à frente e envolvidas em seus projetos para crescer profissionalmente e garantir autonomia financeira.

 

Para tornar isso possível, existem projetos e ações que apoiam, principalmente, mulheres em situação de vulnerabilidade social, que querem empreender e conquistar a liberdade financeira. O Instituto Rede Mulher Empreendedora (RME), por exemplo, nasceu com esse propósito.

 

A instituição foi fundada pela publicitária Ana Fontes, que após 18 anos no mundo corporativo, pediu demissão. Durante esse período, ela foi discriminada por ser mulher, nordestina e de origem negra. Então, em 2017, fundou a RME e, desde então, já impactou mais de 750 mil pessoas, capacitando e dando suporte às mulheres para transformar as suas vidas por meio do empreendedorismo feminino.O Dicas de Mulher conversou com a empresária, que falou sobre a sua trajetória, conquistas, projetos e deu dicas para mulheres que desejam empreender e se tornar donas do próprio negócio. Confira!

 

Veja também 

 

Mulheres entram para história como primeiras fuzileiras navais da Marinha

Conheça 3 mulheres inspiradoras e seus melhores discursos

Ana Fontes, uma porta-voz do empreendedorismo feminino

 

 

 

De origem humilde, Ana Lúcia Pedro Fontes, é empreendedora social, nasceu na cidade de Igreja Nova, no sertão de Alagoas, e foi criada em Diadema, na grande São Paulo. Em 1970, a família se mudou para o estado, devido à seca que assolava o nordeste.“Meus pais, como milhões de nordestinos, vieram tentar a vida em São Paulo para construir uma vida um pouco melhor. Eu cresci em Diadema, numa cidade super difícil, bastante violenta até a época, com muita dificuldade.”

 

Ela menciona que conseguir estudar foi bem complexo, mas apesar de todas as dificuldades que enfrentou, conseguiu se formar em Publicidade e Propaganda. Então, trabalhou por quase 18 anos em uma grande corporação da indústria automotiva, mas uma série de fatores influenciaram para trilhar outro caminho na carreira profissional.

 

“Eu não me sentia representada no ambiente corporativo, não me identificava com um ambiente bastante preconceituoso e muitos desafios para enfrentar. Então, pedi demissão em 2017.” Além disso, “tinha o fato de eu ter duas filhas, isso pesou um pouco porque eu queria construir uma jornada um pouco melhor para elas”, conta.

 

Quando começou a empreender

 

 

 

No final de 2018, Ana ingressou no mundo do empreendedorismo e teve o primeiro negócio em parceria com dois sócios. “Uma plataforma de recomendações positivas na internet, chamada “Elogie Aqui”, que ainda existe, porém, em 2011, vendemos para outra organização, mas foi a minha primeira experiência oficial”, informa.

 

Ana diz que a sua primeira experiência como empreendedora foi muito difícil, pois ela e os sócios não estavam preparados. “Pensamos, e tudo no papel funcionava muito bonito, o nosso plano de negócios era bem estruturado, só que na realidade, a combinação com o mercado acontece de uma forma bem diferente.”

 

Ela ainda menciona que essa experiência a preparou para outras fases e etapas da sua jornada como empreendedora. “Eu digo que foi o meu melhor e maior MBA, acho que foi quase um doutorado empreender e as coisas indo por caminhos muito diferentes, e isso, de certa forma, foi o que me preparou”.

 

Desafios e maternidade

 

 

 

Um dos maiores desafios enfrentados pelas mulheres é ter que se dividir entre a carreira e a maternidade. Sobre isso, a fundadora da Rede Mulher Empreendedora diz que começou a empreender com 40 anos e, na época, as duas filhas eram pequenas.“Assim, como todas as mulheres, eu sempre tive que equilibrar a questão da maternidade, carreira, trabalho e empreendedorismo. Eu acho que tenho a felicidade de ter um companheiro que divide sempre as atividades comigo.” Entretanto, Ana relata que ouviu sempre: “com quem ficaram as suas filhas?”, como se elas não tivessem pai.

 

Além disso, a empreendedora diz que ainda existe muito preconceito com a mulher nesse meio e, muitas vezes, já presenciou mulheres sendo questionadas sobre a sua vida pessoal em bancas de investimentos e premiações. O que não acontece com os homens, mas ela sempre enfrentou essas situações.

 

“A minha forma de enfrentar esse preconceito, é óbvio, é conscientizando, educando e mostrando para as pessoas que isso é uma atitude ruim. Mas também busco me juntar com outras mulheres, como a criação da própria Rede Mulher Empreendedora, para fortalecer o empreendedorismo feminino.”

 

Conquistas e realizações

 

 

 

Ana compartilha que teve vários momentos de luta e de glória, e que a instituição teve conquistas importantes ao longo da sua trajetória. Em 2017, a RME foi premiada pela Revista Fortune, nos Estados Unidos. “Em parceria com a Goldman Sachs, eles elegeram três mulheres que fazem a diferença pelo mundo e eu fui uma das escolhidas”.

 

Além da premiação em dinheiro, Ana conta que participou do evento em Washington e foi muito importante. Mas, fala que, o fato de alcançar mulheres e receber milhares de mensagens agradecendo e contando o quanto está sendo importante ter o trabalho da Rede e do Instituto, é que faz a diferença.No ano seguinte, em 2018, a Rede Mulher Empreendedora “recebeu a primeira doação, o Grant da fundação do Google, do Google.org, para fazer o maior projeto de capacitação para mulheres, chamado “Ela Pode”, que inclusive já recebeu um novo recurso”, conta.

 

Contudo, os reconhecimentos não pararam por aí e, em 2019, a empreendedora foi eleita pela Forbes, uma das 20 mulheres mais poderosas do Brasil. “Foi um marco extremamente importante na minha trajetória, um dos momentos que a gente vê o reconhecimento do nosso trabalho, vê que toda a luta e todo o desenvolvimento da jornada faz sentido”. Além disso, em 2020, Ana foi eleita Empreendedora do Ano IstoÉ Dinheiro e Top Voices LinkedIn.

 

Por que ajudar mulheres a empreender?

 

Fotos: Reprodução/Google

 


Para Ana, o empreendedorismo feminino “é bem importante porque ajuda as mulheres a se desenvolverem e conseguirem gerar renda. Para nós, gerar renda ou a inclusão produtiva, é um fator fundamental para as mulheres, inclusive, para elas saírem de situações de violência.”Seja por meio do empreendedorismo ou da empregabilidade, é fundamental para as mulheres terem liberdade financeira e fazer as próprias escolhas.

 

“Socialmente, as mulheres são julgadas por absolutamente tudo. O Brasil é um dos países mais violentos contra as mulheres, e o fato dela gerar a própria renda, ter o próprio recurso financeiro, ajuda essas mulheres a reconstruírem a autoconfiança”.Entretanto,segundo a empresária, elas enfrentam diversas barreiras para empreender, principalmente para conseguir recurso financeiro ou capital, linhas de crédito, investimentos, fundos, venture capital e anjo investidor para iniciarem os seus projetos.

 

Apoio ao empreendedorismo feminino

 

As mulheres recebem menos recursos financeiros que os homens, dificultando as chances de ascensão dos negócios. “Então precisamos de políticas públicas, precisamos de conscientização quanto a essa questão para mudar o jogo também.”Além disso, a empreendedora considera importante valorizar a economia do cuidado, ou seja, o cuidado com os filhos, família, idosos e doentes, que é majoritariamente feito por mulheres. “A gente precisa compartilhá-la entre homens e mulheres e remunerar essa economia do cuidado, porque infelizmente isso impacta muito o tempo de dedicação dessas mulheres aos negócios.”

 

Ana cita a questão do acesso a ambientes de inovação como outra dificuldade que as mulheres enfrentam para empreender. “Até algum tempo atrás, boa parte dos programas de aceleração de negócios que a gente tinha, principalmente no que diz respeito a startups, eram majoritariamente compostos por homens.”Então, a RME, há quase 5 anos, tem um programa de aceleração de negócios liderados por mulheres. “É óbvio que a gente queria que todos os programas de aceleração olhassem para isso, olhassem para a diversidade, e que a gente pudesse conectar essas mulheres a esses ambientes de inovação”, acrescenta.

 

Curtiu? Siga o Portal Mulher Amazônica no FacebookTwitter e no Instagram

Entre no nosso Grupo de WhatApp e Telegram.

 

Para a empreendedora, “é importante dar acesso ao mercado, pois as mulheres têm produtos e serviços para vender. No entanto, a dificuldade em acessar esse mercado é ainda mais difícil quando se é uma mulher empreendedora.” Ela pontua que é preciso “trabalhar outros pontos, mas se esses fossem enfrentados de forma séria e consistente, já melhoraria bastante.” 

 

Fonte: com informações do Portal M de Mulher

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Nome:

Email:

Mensagem:

LEIA MAIS
Fique atualizada
Cadastre-se e receba as últimas notícias da Mulher Amazônica

Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.