Pesquisa Datafolha investigou a percepção sobre quatro doenças, incluindo Parkinson e Aids
Uma pesquisa Datafolha encomendada pela farmacêutica Eli Lilly e divulgada nesta segunda, 9, mostra que o Alzheimer é a segunda doença que os brasileiros mais temem que atinja alguém próximo, atrás apenas do câncer e à frente do Parkinson e da Aids. Os dados também apontam que 4 em cada 10 brasileiros conhecem alguém com Alzheimer.
A pesquisa ouviu 2.002 pessoas com mais de 16 anos em dezembro do ano passado, em todo o Brasil. Quando perguntados sobre qual diagnóstico mais temiam que atingisse algum parente ou amigo —entre Alzheimer, Parkinson, Aids e câncer—, 75% dos entrevistados colocaram o câncer em primeiro lugar.
O Alzheimer aparece na sequência, citado por 13% como o mais temido; a Aids vem depois (9%), e o Parkinson é mencionado por 1% como maior temor.Para especialistas ouvidos pela Folha, o medo do Alzheimer está fortemente ligado ao desconhecimento sobre a doença. A geriatra Celene Pinheiro, presidente da Abraz (Associação Brasileira de Alzheimer), diz que o estigma afasta as pessoas da busca por diagnóstico e tratamento.
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"O medo da doença faz com que muitos evitem procurar ajuda. Ainda existe a ideia de que demência é algo natural do envelhecimento, e isso não é verdade. Sempre que há mudanças cognitivas é preciso investigar." A geriatra Claudia Suemoto, professora associada da disciplina de Geriatria da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), ficou surpresa com o fato de a doença aparecer entre as principais preocupações de saúde em um grupo relativamente jovem. "A média de idade da pesquisa é de 44 anos e apenas 22% têm 60 anos ou mais, que é justamente a população com maior risco para demência", afirma. "É uma população que, em geral, não está em risco imediato. Mesmo assim, o Alzheimer aparece atrás do câncer entre os maiores medos", diz a médica, que também é diretora do Biobanco para Estudos em Envelhecimento da USP.
Com o envelhecimento populacional, Suemoto avalia que cada vez mais pessoas convivem com alguém que recebeu diagnóstico de demência. A pesquisa mostra que 41% dos entrevistados já receberam ou conhecem alguém próximo que recebeu diagnóstico de Alzheimer.Quando questionados na pesquisa sobre em quais casos é mais importante receber o diagnóstico o quanto antes para o sucesso do tratamento, 84% citam câncer em primeiro lugar, e 10%, Aids. No caso do Alzheimer, o percentual cai para 4%, enquanto o Parkinson é mencionado por 1%.

Fotos: Reprodução/Google
A pesquisa também aponta ampla concordância (99%) sobre a importância de procurar um médico aos primeiros sinais do Alzheimer. Apesar disso, 60% reconhecem que, na prática, costuma haver um longo período entre os primeiros sinais de confusão ou perda de memória e a busca por um especialista —88% avaliam que em geral as pessoas só procuram ajuda quando os sintomas já estão mais graves.
Celene Pinheiro afirma que a percepção pública sobre a doença ainda está associada às fases mais avançadas. Ela afirma que hoje, contudo, o acompanhamento precoce pode mudar esse cenário. "A doença de Alzheimer não tem cura, mas tem tratamento, e quanto mais cedo ele começa, melhores são os resultados."
Segundo a geriatra, com medicação, atividade física e estimulação cognitiva muitos pacientes conseguem manter autonomia por anos. "Tem pessoas que viajam, vão ao teatro, ao cinema e mantêm vida social ativa. A realidade hoje é diferente da imagem que muitas pessoas ainda têm da doença."
Fonte: com informações Folha de São Paulo
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