Três anos após deixar o esporte no auge, americana reaparece transformada, mais livre e madura, pronta para encarar o maior palco do gelo
Durante uma caminhada pelo Himalaia, em 2023, Alysa Liu e sua melhor amiga, Shay Newton, se viram em meio a um debate existencial profundo. Dada apenas essa opção, prefeririam voltar na próxima vida como uma galinha ou como uma vaca?
Era uma conversa absurda, admite Liu hoje, mas depois de sete horas subindo trilhas e “agachando e fazendo xixi atrás de pedras”, as duas haviam ultrapassado um certo limite. O absurdo se tornou essencial.
Naquele ponto da viagem ao Nepal, estavam em modo reflexivo, aprendendo e compartilhando todo tipo de coisa uma com a outra. A escolha entre vaca ou galinha parecia crucial. Liu defendia com convicção que ser vaca não era apenas a resposta certa — era a única possível. Bovinos, argumentava, passeiam tranquilamente e comem grama no próprio ritmo, como se o mundo fosse um grande cocho particular.“As galinhas que eu vi ficam escondidas atrás de grades”, explicou recentemente. “É, não, obrigada. Acho que minhas chances de renascer como uma vaca na colina talvez sejam bem maiores. Tem galinha demais por aí, sabe o que eu quero dizer?”
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Liu, na verdade, já foi uma delas

Foto: Reprodução/Google
Durante boa parte da infância, viveu dentro da gaiola dourada da patinação artística. Aos 10 anos competia no Central Pacific Regionals; aos 13, venceu o Campeonato Nacional dos Estados Unidos, tornando-se a campeã mais jovem da história. Defendeu o título no ano seguinte e, aos 16, representou o país nos Jogos Olímpicos de Pequim. Terminou em sétimo lugar, mas meses depois conquistou o bronze no Mundial — apenas a segunda americana a subir ao pódio desde 2006.
Então, Liu saiu da gaiola.Duas semanas após deixar o gelo no Mundial, anunciou a aposentadoria. Foi viver a vida que sentia ter perdido. Houve experiências extraordinárias, como a trilha no Himalaia, mas foram as coisas comuns que ela mais valorizou: idas para comprar ração de gato que viravam visitas a um café gamer a uma hora de casa, karaokês ruins, aulas de arte, cursos de psicologia na faculdade, carteira de motorista, caça a conchas, tirolesa, vida em dormitório, dormir demais, pintar o cabelo, fazer piercings — uma imersão completa na descoberta de quem era além das exigências do esporte. Tomou decisões boas e ruins, mas todas foram dela.
“Eu achava que a única forma de tentar outras coisas era sair, porque me sentia presa e estagnada. Na minha cabeça, a única maneira de me libertar era deixar o esporte”, disse. “E funcionou.”
Fonte: com informações CNN Brasil
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