Durante o discurso, o parlamentar questionou a transparência nos contratos municipais e afirmou que não havia registro de pagamento de cachê à artista.
Advogadas especialistas em direitos humanos classificaram como discurso de ódio, LGBTfobia e racismo a fala do vereador bolsonarista Coronel Rosses (PL) contra a cantora Ludmilla, proferida durante sessão plenária da segunda-feira, 13, na Câmara Municipal de Manaus (CMM). O parlamentar acusou a artista de aliciar crianças durante sua apresentação no festival “Sou Manaus – Passo a Paço 2025”, em setembro deste ano.
Durante o discurso, o parlamentar questionou a transparência nos contratos municipais e afirmou que não havia registro de pagamento de cachê à artista. “Não sabemos ainda quanto a Ludmilla embolsou para vir aqui aliciar nossas crianças”, declarou.A advogada Alessandrine Silva afirmou que a fala configura crime de difamação e atenta contra os direitos humanos. “É lamentável. Essa fala é muito grave e viola os direitos humanos porque atenta contra a dignidade, contra a honra, contra a imagem dessa mulher. Espero que isso alcance as autoridades para que tomem as providências”, disse.
A advogada e jornalista Luciana Santos apontou que o comentário do parlamentar reflete preconceito racial e LGBTfobia. “A Ludmilla é uma mulher assumidamente lésbica e que canta um estilo de música com origem negra e periférica. O que se percebe na fala do parlamentar é tanto a LGBTfobia, ligando a orientação sexual à violência contra menores, quanto o racismo pelo preconceito com a cultura negra periférica”, alertou a jurista.
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Ataques conservadores
O episódio ocorre em um contexto de ações conservadoras na CMM em 2025. Ao longo do ano, foram apresentados projetos de lei e feitas declarações contra artistas e eventos culturais por, segundo alguns vereadores, envolverem crianças em contextos considerados inadequados ou promoverem temas como erotização e “ideologia de gênero”.
Pesquisadores defendem que o termo “ideologia de gênero” foi criado para atender a preceitos religiosos e ainda é utilizado com o objetivo de deslegitimar estudos e mobilizações fundamentais para a garantia dos direitos e da liberdade de pessoas LGBT+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, pessoas trans, sendo que o símbolo “+” acolhe as demais orientações e identidades).
Fonte: com informações Cenarium
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