Que teve a certeza de que ela não revidaria. Que contou com o silêncio dos vizinhos, a demora da polícia e a falência de um sistema que ainda não protege mulheres.
Sessenta socos no rosto. Esse é o número brutal que estampa mais um caso de tentativa de feminicídio no Brasil. Não é exagero. É o retrato de uma barbárie. Um homem que acreditou ter o direito de matar uma mulher com as próprias mãos. Que teve a certeza de que ela não revidaria. Que contou com o silêncio dos vizinhos, a demora da polícia e a falência de um sistema que ainda não protege mulheres.
Mas o que se passa na mente de um agressor?
O agressor acredita que “ser homem” é sinônimo de impor autoridade, silenciar, dominar — e que qualquer contestação à sua vontade seria “desrespeitá-lo como homem”. É com base nesse raciocínio covarde e machista que muitos homens perpetuam a violência. Acham que a superioridade física é um salvo-conduto para dominar, punir e aniquilar. Acham que seus socos são justiça. Que seus ciúmes são amor. Que sua impunidade é natural.
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Esses homens não batem apenas no corpo: batem na dignidade, na liberdade, na humanidade das mulheres.
E batem sabendo que, mesmo denunciados, mesmo com medida protetiva, nada vai acontecer com eles.
A realidade é cruel:
Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o feminicídio aumentou nas regiões Norte e Nordeste, as mais vulneráveis estruturalmente.
As estatísticas apontam que:

Mulheres pretas e pobres são as maiores vítimas.
7 em cada 10 feminicídios acontecem dentro da casa da vítima.
Em muitos casos, a mulher já havia denunciado o agressor.
Medidas protetivas falham por falta de monitoramento e fiscalização.
Até quando? O que falta às autoridades?
É urgente dizer: não faltam leis.
Faltam ações efetivas, rapidez nas respostas, monitoramento rigoroso e responsabilização severa. Falta:
Ampliação de Delegacias da Mulher com plantão 24h.
Treinamento das forças de segurança para acolhimento imediato.
Agilidade no deferimento de medidas com aparato real de proteção.
Acesso facilitado a abrigos e suporte psicológico.
Monitoramento eletrônico obrigatório para agressores reincidentes.
O Portal Mulher Amazônica e o Ela Podcast se levantam!

Fotos: Reprodução/Google/Montagem Portal Mulher Amazonica
Diante dessa realidade insustentável, nós gritamos!
Gritamos por cada mulher que apanhou até quase morrer.
Gritamos por aquelas que não conseguiram gritar.
Gritamos por meninas que já crescem com medo.
Gritamos para que os políticos escutem, para que os gestores reajam, para que o povo acorde.
O Portal Mulher Amazônica e o Ela Podcast se tornam, mais do que nunca, ferramentas de denúncia, de articulação e de resistência. Não aceitaremos o silêncio como resposta. Não naturalizaremos a barbárie.
Nosso apelo:
Pedimos a toda a população: olhem para o lado. Ouçam os sinais. Denunciem.
E aos representantes públicos: parem de fingir que estão protegendo mulheres quando tudo o que entregam são folhas de papel chamadas “medida protetiva” que não salvam vidas.
Sessenta socos no rosto não são um “caso isolado”.
São o retrato de um país que ainda precisa aprender o que é justiça de verdade.
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