Movimento começou em 1971 com a formação do Grupo Palmares
A consagração do Dia de Zumbi e da Consciência Negra como feriado nacional percorreu um árduo caminho de 53 anos, iniciado em plena ditadura cívico-militar. Essa data, 20 de novembro, emerge como um símbolo de resistência e transformação histórica, substituindo o 13 de maio, que marcava apenas a abolição formal da escravidão. Para os militantes do movimento negro, o 13 de maio era vazio, incapaz de representar a luta e a resistência do povo negro ao longo dos séculos.
Foi em 1971, em Porto Alegre, que o Grupo Palmares lançou a proposta revolucionária. Formado por jovens negros, como Oliveira Silveira, Antônio Carlos Cortes e outros, o coletivo ousou desafiar a narrativa oficial, propondo uma nova referência histórica para o Brasil. A escolha de Zumbi dos Palmares não foi por acaso. Ele personifica a luta coletiva, a resistência e o sonho de uma sociedade igualitária, simbolizado pelo Quilombo de Palmares, uma organização política e social única contra o sistema escravocrata.
Sob a repressão implacável do regime militar, o Grupo Palmares organizou a primeira homenagem a Zumbi em novembro de 1971. Perseguidos, interrogados e censurados, os integrantes do grupo não recuaram. A resistência culminou em um evento histórico, no Clube Náutico Marcílio Dias, onde os participantes se reuniram para celebrar e debater a história de Palmares e o significado do 20 de novembro. Aquela noite marcou o início de um movimento que ecoaria por décadas.
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O poeta e pensador Oliveira Silveira, no Grupo Palmares (Foto Instituto Oliveira Silveira/Divulgação)
Zumbi dos Palmares, assassinado brutalmente em 1695, teve seu corpo esquartejado e sua cabeça exposta como forma de intimidação. Mas sua memória renasceu como um símbolo da luta pela igualdade. Para o historiador Marcos Antônio Cardoso, Palmares foi mais do que resistência; foi a utopia de uma sociedade justa e democrática, construída pelos chamados "vencidos" da história.
A força dessa data cresceu com o Movimento Negro Unificado (MNU) na década de 1970, que transformou o 20 de novembro em um ato político de reafirmação da história do povo negro. Em 2003, a data foi incluída no calendário escolar, e, em 2011, tornou-se oficialmente um feriado nacional. No ano passado, ganhou reconhecimento definitivo como um dia de reflexão em todo o país.
Hoje, em um Brasil onde negros e pardos representam 55,5% da população, o Dia da Consciência Negra é mais do que uma lembrança; é um marco de resistência e luta por um país livre do racismo e da desigualdade. Como afirmou o senador Paulo Paim, relator da lei que instituiu o feriado: "Nós só seremos uma nação de primeiro mundo quando superarmos a chaga do racismo."
Fonte: com informações da Agência Brasil
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