03 de Maio de 2026

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Mulher na Política - 22/09/2025

'Se EUA não fizerem sua parte, alguém vai ter que fazer', diz Marina Silva

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Foto: Reprodução/Google

Ministra diz que população dos EUA poderá ser uma das maiores prejudicadas pela postura 'negacionista' do governo norte-americano.

A pouco mais de dois meses de o Brasil sediar a 30ª Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, diz estar preocupada com os efeitos da postura adotada pelo governo do presidente norte-americano Donald Trump na área ambiental. "Se os Estados Unidos não fizerem sua parte, alguém vai ter que fazer", diz Marina em entrevista exclusiva à BBC News Brasil concedida em Nova York no domingo, 21/9.

 

Para a ministra, o impacto do anúncio dos Estados Unidos de que o país sairia do Acordo de Paris, um dos principais marcos na tentativa global de frear as mudanças climáticas, não pode ser ignorado. Desde que assumiu o governo, Trump não apenas anunciou a retirada do país do Acordo de Paris, como deixou de enviar delegações para negociações climáticas relativas à COP 30.

 

Além disso, o país passou a oferecer mais incentivos à produção de combustíveis fósseis e ameaçou cortar subsídios a produtos que consumam energias renováveis como carros elétricos.

 

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"Os Estados Unidos são o segundo maior emissor [de gases do efeito estufa] do mundo. É, de longe, uma potência econômica e tecnológica. Não dá para imaginar que isso não seja um prejuízo. Até porque, se eles não fazem a parte deles, alguém vai ter que fazer em benefício da humanidade inteira, inclusive deles, que são altamente afetados pela mudança do clima", afirma a ministra.

 

Marina faz parte da delegação brasileira que veio à cidade norte-americana acompanhando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que vai discursar, nesta terça-feira (23/9), na abertura da sessão de debates da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Na cidade, a ministra vai participar de uma série de eventos e reuniões com autoridades. Uma das principais agendas deverá ser a que vai marcar a formalização do Fundo Floresta Tropicais Para Sempre (TFFF, na sigla em inglês).

 

Trata-se de um fundo com meta de captar US$ 120 bilhões em recursos públicos e privados a serem investidos no mercado para que parte desse lucro seja destinado a países que preservem suas florestas. Na entrevista, Marina disse que a política climática de Donald Trump, conhecido por colocar em dúvida o chamado aquecimento global, estaria incentivando empresas privadas a reduzir seus investimentos em energias renováveis e poderia estar influenciando o atraso de diversos países em apresentarem suas metas para redução nas emissões de gases do efeito estufa — cujo prazo, que era fevereiro deste ano, foi prorrogado para setembro e se encerra no final do mês.

 

 

No campo doméstico, Marina foi questionada sobre se a aposta do governo do presidente Lula na exploração de petróleo, apesar das críticas da comunidade científica, não compromete a liderança do Brasil na agenda climática. Ao responder, Marina diz que a situação do Brasil seria diferente da de outros países que têm uma matriz energética e elétrica menos limpa que a brasileira.

 

Apesar disso, ela diz entender a atual dependência do mundo em relação aos combustíveis fósseis coloca os países em uma situação paradoxal. "O mundo vive uma contradição ao mesmo tempo em que vive uma emergência". Sobre a COP 30, Marina disse que a maior parte do debate público em torno do evento parece estar mais focado em questões logísticas do que no andamento das negociações climáticas — que é onde o foco deveria estar. Nos últimos meses, os preços das hospedagens e atrasos em obras de infraestrutura para receber a COP 30 passaram a causar preocupações em delegações internacionais e acenderam o sinal de alerta junto a autoridades do governo.

 

Apesar disso, ela afirma estar otimista

 

Fotos: Reprodução/Google

 

"Hoje, a parte logística tem tomado conta do debate o tempo todo. Obviamente que, ao superar esses gargalos, esperamos focar no conteúdo". Confira os principais trechos da entrevista, que foi editada para fins de concisão:

 

BBC News Brasil - Uma das principais agendas do presidente Lula e da senhora aqui em Nova York é o lançamento do Fundo Floresta Tropical para Sempre (TFFF na sigla em inglês). Como é que o governo brasileiro vai fazer para que esse não seja apenas mais um fundo entre tantos para o combate ao desmatamento?

 

Marina Silva - O TFFF é um mecanismo inovador para o financiamento voltado para a proteção de florestas tropicais, com uma diferença que não são recursos de doação. São investimentos que são feitos tanto por países quanto pelo setor privado, vão gerar o retorno à medida que o fundo vai sendo aplicado para atividades que são compatíveis com o uso desse dinheiro.

 
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A nossa meta é de arrecadar algo em torno de US$ 125 bilhões. Não iremos usar o principal. Vamos usar apenas os rendimentos do fundo, que dará a algo por volta de US$ 4 bilhões por ano para ser investido em países que são protetores de suas florestas [...] Geralmente, os mecanismos que nós temos hoje é sobre pagamentos para você parar de desmatar. Este é um dos primeiros fundos que vai ser alocado para aqueles países que não desmataram e que tem floresta preservada. 

 

Fonte: com informações Correio Braziliense

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