As condições extremas do fundo oceânico ? escuridão completa, frio intenso (~2?4?°C) e alta pressão ? normalmente limitam a incubação da vida marinha.
Em maio de 2025, uma equipe internacional liderada pela bióloga marinha Cherisse Du?Preez, do Fisheries and Oceans Canada, fez uma descoberta impressionante ao explorar a costa oeste do Canadá, próximo à Ilha de Vancouver. Utilizando ROVs e sonar de alta resolução, eles identificaram uma impressionante colônia de 2,6 milhões de ovos dourados da raia branca do Pacífico (Bathyraja spinosissima), depositados na base de um vulcão submarino ativo a cerca de 3.000?m de profundidade.
O papel vital do calor geotérmico
As condições extremas do fundo oceânico – escuridão completa, frio intenso (~2–4?°C) e alta pressão – normalmente limitam a incubação da vida marinha. Mas a descoberta revela que esse vulcão atua como um berçário natural, fornecendo calor suficiente para acelerar o desenvolvimento dos embriões, reduzindo o tempo de eclosão que pode durar de 4 a 10 anos.
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Foi capturado em vídeo o momento em que uma fêmea deposita ovos, uma curiosa evidência de que o local é parte integrante do ciclo reprodutivo da espécie. Estudos anteriores, como em Galápagos (2018), já apontavam comportamento semelhante — mas em escala muito menor, com apenas milhares de ovos.
Ecossistema parcialmente escondido
Esse ambiente vulcânico não só favorece a raia-branca, mas também sustenta outras espécies adaptadas ao calor e à riqueza mineral, criando um microecossistema diversificado em águas antes consideradas “zonas da morte”.
Por que tudo isso importa?

Fotos: Reprodução/Google
• Redefinição de ecossistemas extremos: mostra que ecossistemas saudáveis podem existir onde se supunha inviável.
• Aceleração do desenvolvimento: o calor reduz drasticamente o período de incubação, elevando as chances de sobrevivência.
• Validade para conservação: pontos salientes como este são frágeis e ameaçados por mineração submarina, poluição e mudanças climáticas. A proteção desses locais torna-se imprescindível.
A descoberta de um berçário com 2,6 milhões de ovos dourados em águas profundas representa um divisor de águas: confirma que vulcões submarinos não são apenas geologia, mas berceiros de biodiversidade. Revela uma estratégia evolutiva brilhante, em que vida e calor geotérmico se combinam para superar os extremos do oceano profundo. Uma chamada urgente para proteger e preservar esses habitats frágeis, antes que sejam impactados irremediavelmente.
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