No caso de Andrés Link, foi o contato com um dos primatas mais ameaçados do mundo que definiu seu destino. Já Federico Kacoliris foi impulsionado por uma viagem ao norte da Patagônia a dedicar sua vida a salvar da extinção um pequeno anfíbio.
Quando a brasileira Yara Barros ficou frente a frente com uma onça-pintada pela primeira vez, decidiu "fazer o impossível para garantir que aqueles olhos dourados continuassem brilhando na floresta".
No caso de Andrés Link, foi o contato com um dos primatas mais ameaçados do mundo que definiu seu destino. Já Federico Kacoliris foi impulsionado por uma viagem ao norte da Patagônia a dedicar sua vida a salvar da extinção um pequeno anfíbio.
Os três cientistas latino-americanos — Yara Barros, do Brasil, Andrés Link, da Colômbia, e Federico Kacoliris, da Argentina — receberam na terça-feira, 29/4, em Londres um dos prêmios de conservação mais prestigiados do mundo: o Prêmio Whitley, também conhecido como o "Oscar Verde". A honraria é concedida anualmente pela fundação britânica de mesmo nome a líderes da conservação na Ásia, África e América Latina.
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Yara Barros, Brasil: 'Aqueles olhos dourados incríveis cativaram meu coração' Barros é diretora do Projeto Onças do Iguaçu, iniciativa que atua no Parque Nacional do Iguaçu, área protegida com mais de 180 mil hectares no lado brasileiro, famosa pelas suas cataratas.
Ela já tinha uma longa trajetória dedicada à conservação de aves quando, em 2018, teve seu primeiro encontro com uma onça-pintada. A partir desse momento, decidiu dedicar sua vida à proteção do felino. "Capturamos o Croissant, um macho lindo. Ele estava na armadilha e eu fiquei na frente dele para chamar sua atenção, para que o veterinário conseguisse um bom ângulo para aplicar a anestesia. Foi então que pude olhar bem de perto aqueles olhos dourados incríveis — e eles me cativaram o coração", contou a cientista à BBC Mundo, o serviço da BBC em espahol.Barros e seus colegas do Projeto Onças do Iguaçu buscam transformar a percepção das comunidades locais em relação a esses felinos.
"Realizamos cerca de 400 visitas por ano a propriedades no entorno do Parque Nacional do Iguaçu. Isso cria uma relação de confiança, que também ajuda a combater e eliminar crenças equivocadas sobre as onças.""Nós orientamos os moradores rurais sobre boas práticas de manejo para evitar predações e agimos imediatamente em casos de ataque, mesmo de madrugada."Uma das medidas para prevenir ataques ao gado é a instalação das luzes Foxlights, que funcionam com energia solar ou baterias.
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"São dispositivos de iluminação projetados para dissuadir predadores de gado, como lobos, raposas e grandes felinos." "Funcionam emitindo flashes de luz aleatórios ao longo da noite, simulando a presença de humanos ou cães de guarda, o que assusta os carnívoros e os impede de se aproximar.""A população de onças da região circula entre o Brasil e a Argentina, então faz todo sentido que os dois países trabalhem juntos para protegê-las. Realizamos ações conjuntas com o Proyecto Yaguareté (onça-pintada em guarani), na Argentina, como campanhas de captura e censos binacionais. Acho que é uma história de sucesso de dois países e dois projetos que uniram forças para conservar uma espécie."
"O Projeto Onças do Iguaçu utiliza uma linguagem emocional que busca conectar as pessoas às onças-pintadas e ao Parque Nacional, criando um senso de pertencimento e responsabilidade compartilhada por sua proteção", explicou Barros.
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Fotos: Reprodução/Internet
"Transformar o medo em fascínio é uma estratégia que envolve criar uma conexão emocional com as onças."Barros e sua equipe envolvem escolas, instituições e moradores locais em sua missão de conservação. Um exemplo é a iniciativa Crocheteiras da Onça, que empodera mulheres locais e gera renda alternativa.
"Identificamos o crochê como um talento que muitas mulheres da região já tinham. Encontramos uma professora que deu um curso de amigurumi [arte japonesa de fazer bonecos de crochê] e formamos o grupo Crocheteiras da Onça, que reúne mulheres que vivem nos arredores do Parque Nacional do Iguaçu.""Elas produzem amigurumis de onça-pintada, e o projeto ajuda a encontrar compradores entre empresas do setor turístico do Parque Nacional."
O que significa, para Barros, receber o prestigioso Prêmio Whitley?
"Vejo este prêmio como o reconhecimento por toda uma vida dedicada à conservação de espécies ameaçadas de extinção. É um reconhecimento ao esforço de uma equipe extremamente dedicada para que os olhos dourados das onças continuem brilhando na Mata Atlântica."
Fonte:com informações BBC News
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