Essa nomeação marcou um divisor de águas para o mundo da cultura e da igualdade de gênero
Desde sua fundação em 1793, o Museu do Louvre — referência mundial em arte e cultura, localizado em Paris — jamais havia sido presidido por uma mulher. Isso mudou em 2021, quando a historiadora Laurence des Cars, especialista em arte do século XIX e reconhecida por sua atuação transformadora em grandes instituições francesas, foi nomeada pelo então presidente Emmanuel Macron como diretora do Louvre.
Essa nomeação marcou um divisor de águas para o mundo da cultura e da igualdade de gênero, quebrando um ciclo de 228 anos de direções exclusivamente masculinas. Laurence des Cars nasceu em 1966, em Paris. Filha do jornalista Jean des Cars, cresceu em um ambiente intelectual e desde jovem se interessou por arte e literatura. Estudou na École du Louvre e no Institut National du Patrimoine, onde se formou curadora de museus.
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Antes de chegar ao Louvre, des Cars:
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• Foi curadora no Musée d’Orsay (especializado em arte do século XIX).
• Dirigiu o Musée de l’Orangerie (2014–2017).
• Presidiu o Musée d’Orsay entre 2017 e 2021, onde se destacou por abrir os acervos ao debate contemporâneo, conectando o passado à atualidade.
Ao assumir o Louvre, Laurence declarou: “A ambição é negada às mulheres, para quem há sempre o julgamento da ilegitimidade. E isso é simplesmente insuportável.” “O sexismo ordinário existe em todas as profissões — e também aqui nessa casa, isso é uma certeza.” A nova diretora vem enfrentando resistência estrutural dentro da instituição, ao mesmo tempo em que propõe uma revisão crítica das coleções e busca integrar diversidade, educação e justiça social ao coração das políticas do museu.
Entre suas ações mais marcantes:
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Fotos: Reprodução/Google
• Tornou o Louvre mais acessível para jovens e públicos populares.
• Incentivou exposições com recorte decolonial e de gênero, dando espaço a artistas marginalizados pela história tradicional da arte.
• Trabalhou para reduzir o “elitismo” das instituições culturais, ampliando sua função educativa.
• Estimulou o uso de mídias digitais e ferramentas interativas, aproximando novas gerações do acervo.
O Museu do Louvre recebe mais de 9 milhões de visitantes por ano, abriga cerca de 500 mil obras, incluindo ícones como a Mona Lisa, a Vênus de Milo e a Liberdade Guiando o Povo. Como presidente, des Cars não apenas administra uma vasta coleção, mas também lida com uma estrutura fortemente hierárquica e tradicional, marcada historicamente por visões eurocêntricas e patriarcais. Sua missão exige equilíbrio entre inovação e conservação, entre o respeito às tradições e a necessidade urgente de representatividade e renovação.
A chegada de Laurence des Cars à presidência do Louvre é mais do que uma conquista pessoal: é um símbolo de transformação num setor onde o machismo ainda impera. Ela afirma querer “inspirar outras mulheres a ocuparem o que é delas por direito”, sem medo de serem ambiciosas.
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