No Mês do Orgulho LGBTQIAPN+, a Pouca Vergonha fala sobre a vivência da comunidade não-binária, que luta contra a cisnormatividade
Junho é o Mês do Orgulho LGBTQIAPN+ e, uma das pautas pouco conhecidas dessa luta é a vivência não-binária e a constante busca por respeito e reconhecimento de identidades além do binarismo. A não-binariedade é um termo “guarda-chuva” para identidades de gênero que não são estritamente masculinas ou femininas, estando fora da binariedade e da cisnormatividade.
A coluna conversou com Alinne Grazielle Costa, psicóloga e especialista em Direitos Humanos e Diversidade, a fim de compreender melhor a sigla e seus desafios diários. Segundo ela, o primeiro passo é entender gênero como algo construído socialmente.
“Segundo alguns estudiosos, o gênero não é uma essência natural ou biológica, mas sim algo socialmente construído. A não-binariedade, portanto, se refere a identidades de gênero que não se enquadram no sistema binário tradicional de ‘homem’ ou ‘mulher’ construído em nossas sociedades normativas e patriarcais”, explica.
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A profissional destaca que o sistema binário é uma norma regulatória que força as pessoas a se conformarem a papéis pré-definidos. A não-binariedade, por sua vez, rompe com essas normas, demonstrando que o gênero pode ser vivido de formas diversas, múltiplas e mutáveis.
Alinne ainda comenta que, segundo a escritora Judith Butler, a vivência de gênero afeta diretamente como o desejo é socialmente construído. “Pessoas não-binárias podem formar relações que rompem com expectativas normativas e podem criar novas formas de afetividade que não dependem dos papéis “masculino/feminino”, ou seja, elas performaram formas distintas e diversas de afetividade.”
Maiores desafios
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Para a profissional, um dos maiores desafios da não-binariedade é a violência normativa, o que gera uma pressão para se conformar ao binarismo e a patologização de identidades dissidentes.
“Estamos falando de pessoas, da sua dignidade humana e subjetividade que não são aceitas e, consequentemente, lhe é negado o direito de existir. A invisibilidade social e institucional ocorre pois hoje muitas estruturas (como documentos oficiais, escolas, sistemas de saúde) ainda reconhecem apenas o masculino e o feminino e dificultam a utilização da linguagem não binária ou o próprio reconhecimento da sua identidade”, comenta Alinne.
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Fotos: Reprodução/Google
Além disso, a psicóloga acrescenta, por fim, ser necessário refletir sobre o preconceito e exclusão, inclusive dentro da própria comunidade LGBTQIAPN+, em que ainda há resistências ao reconhecimento pleno da não-binaridade, dificultando o processo de acolhimento.
Fonte: com informações do Portal Metrópoles
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