03 de Maio de 2026

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Educação - 23/08/2025

'Desistir da escola é melhor': Uma armadilha cognitiva e o papel crucial do estudo

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Foto: Reprodução/Google

Esse contexto explica parte do desencanto: quando ver o estudo como inútil parece coerente num país com alto índice de informalidade e subutilização de diplomas.

Quase 40% da população trabalhadora do Brasil atua na informalidade. No trimestre até outubro de 2024, eram 38,9% (aproximadamente 40,3 milhões de trabalhadores), segundo o IBGE. No início de 2025, essa taxa recuou ligeiramente para 38,3% — continha 39,5 milhões de informais, num total de 103 milhões de ocupados.

 

No Pará, o cenário é ainda mais crítico: quase 60% dos trabalhadores estão na informalidade — metade por conta própria, 33% sem carteira assinada. Em termos de educação, mais de 1 milhão de brasileiros com ensino superior estão em ocupações que exigem apenas ensino médio (IBGE e Dieese — citado pelo usuário).

 

Esse contexto explica parte do desencanto: quando ver o estudo como inútil parece coerente num país com alto índice de informalidade e subutilização de diplomas.

 

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A armadilha cognitiva: o que a neurociência mostra?

 

 

Nosso cérebro privilegia recompensas imediatas — elas ativam áreas como o estriado ventral, córtex orbito frontal medial e córtex pré-genual anterior — e desvaloriza ganhos futuros, mesmo se eles forem maiores. Isso explica por que o “empreender da internet” parece tão atraente: seduz com promessa de lucro rápido.

 

Recompensas extrínsecas limitam a aprendizagem futura

 

Estudos mostram que recompensas externas (como dinheiro ou notas) só funcionam no curto prazo — e podem prejudicar a memória posterior, reduzindo a motivação intrínseca. O “efeito da superjustificação” (“overjustification”) confirma isso: recompensar com algo externo pode diminuir o interesse interno pela tarefa.

 

Estudar de forma espaçada (com pausas entre sessões) é muito mais eficaz que estudar tudo de uma vez (“decoreba”). A aprendizagem se fixa melhor e por mais tempo. Em experimentos, participante que revisam gradualmente ao longo de semanas retêm muito mais do que aqueles que aprendem tudo de uma vez só. A neurociência confirma: cometer erros e buscar corrigi-los ajuda na aprendizagem. A técnica de testing do efeito (autotestes espaçados) é mais eficaz do que apenas reler conteúdos.

 

Recompensas internas são mais duradouras

 

 

Engajar-se por curiosidade e prazer no processo, não por recompensas externas, ativa circuitos amplos no cérebro (ex: córtex pré-frontal, cíngulo anterior, insula) e fortalece hábitos a longo prazo. Com o tempo, o estímulo não vem do resultado, mas do ambiente ou do hábito em si — o cérebro libera dopamina só ao perceber que está no contexto de estudo, sem esforço consciente.

 

Segundo o neurocientista Andrew Westbrook (Universidade de Rutgers), pensar que tarefas difíceis são extremamente difíceis leva à procrastinação. Mas, na prática, esforço mental não consome tanto quanto pensamos — e técnicas como focar nos benefícios ou criar “fluxo” tornam o difícil bem mais prazeroso.

 

Embora escapar da escola e tentar “viver da internet” pareça tranquilo e recompensador, é uma armadilha que ativa atalhos cerebrais: gratificação instantânea, reforço de curto prazo, sem base real de domínio. No mundo real, empreender de verdade exige competências robustas: fluência em idiomas, comunicação clara, escrita, persistência, planejamento e constante atualização — tudo favorecido pelo estudo e pela formação estruturada.

 

Do ponto de vista neurocientífico, insistir no estudo é investir em:

 

Fotos: Reprodução/Google

 

 

• Capacidades cognitivas duradouras (via espacimento e testes;
• Memória robusta = aprendizado mais eficiente e flexível;
• Motivação intrínseca sustentável — que persiste mesmo sem recompensas externas;
• Criação de hábitos automáticos que mantêm o empenho diário sem sofrimento.

 
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Conselho prático para jovens e pais

 

• Equilibre ambos: considere estudos como base, não obstáculo.
• Use recompensas internas: celebre progresso, não só entrega final.
• Estude com constância e espaçamento — rotina importa mais que intensidade.
• Acolha os erros como parte natural da aprendizagem.
• Trabalhe sua motivação: encontre prazer em aprender, não só no sucesso imediato.
• Cultive hábitos sociais e emocionais que valorizem o conhecimento.

 

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