Uma equipe de arqueólogos brasileiros e internacionais acaba de anunciar a descoberta de dezenas de geoglifos e estruturas arqueológicas inéditas em uma área remota da Amazônia, nos estados do Acre e do Amazonas
Pesquisadores identificam complexas construções milenares escondidas sob a floresta, indicando uma ocupação humana mais sofisticada do que se imaginava.
Uma equipe de arqueólogos brasileiros e internacionais acaba de anunciar a descoberta de dezenas de geoglifos e estruturas arqueológicas inéditas em uma área remota da Amazônia, nos estados do Acre e do Amazonas. As revelações, feitas com o auxílio de tecnologia de sensoriamento remoto por laser (LiDAR), revelam um passado milenar até então oculto sob o denso manto verde da floresta tropical.
Segundo os especialistas, os geoglifos — desenhos geométricos gigantes esculpidos no solo — possuem formas circulares e retangulares interligadas por caminhos planejados, indicando um nível de engenharia social e territorial avançado. Além disso, foram identificadas fundações de aldeias organizadas em padrões concêntricos, com evidências de agroflorestas manejadas e redes hidráulicas que abasteciam essas antigas populações.
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“Estamos diante de uma das maiores descobertas arqueológicas das últimas décadas na América do Sul. Esses povos dominavam técnicas agrícolas, construíam vilas planejadas e mantinham conexões sociais e econômicas que cobriam vastas áreas da Amazônia”, afirmou a arqueóloga Dra. Helena Costa, da Universidade Federal do Acre.

As escavações iniciais datam os sítios entre 500 a.C. e 1.500 d.C., desafiando a ideia ultrapassada de que a Amazônia era um território intocado antes da chegada dos colonizadores europeus. “Essas descobertas desmontam o mito do ‘paraíso vazio’ e reforçam a importância do conhecimento ancestral dos povos indígenas sobre o manejo sustentável da floresta”, destaca o antropólogo indígena W?h Kamarapa, da etnia Baniwa.
Tecnologia e proteção do patrimônio

Fotos: Reprodução/Google
A descoberta só foi possível graças à utilização do LiDAR, tecnologia que permite mapear o relevo do solo mesmo sob a cobertura da vegetação. A partir dos dados coletados por aeronaves, os arqueólogos puderam visualizar estruturas soterradas e planejar escavações pontuais, minimizando o impacto ambiental.
No entanto, os especialistas alertam para o risco de destruição dessas estruturas por queimadas, desmatamento e atividades ilegais na região. A equipe pede urgência na criação de políticas públicas que protejam o patrimônio arqueológico e valorizem o saber ancestral das comunidades locais.
As escavações continuam, e novos achados devem ser revelados nos próximos meses. A expectativa da comunidade científica é de que a região amazônica se consolide como um dos principais centros de pesquisa arqueológica do mundo, reposicionando o Brasil no debate global sobre as origens da civilização nas Américas. A floresta guarda memórias profundas, construídas por povos que souberam viver em harmonia com a natureza. É tempo de aprender com eles e defender esse legado.
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