Educadora popular e escritora parintinense será a primeira ativista popular a receber a mais alta honraria acadêmica da Universidade Federal do Amazonas
A escritora e educadora parintinense Fátima Guedes foi aprovada, por unanimidade, para receber o título de doutora honoris causa da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). A decisão foi tomada na quarta-feira (19), durante reunião dos Conselhos Superiores da instituição, que contou com 45 participantes.
Como resultado, todos reconheceram a trajetória de Fátima na educação popular, na defesa de direitos e na valorização dos saberes tradicionais da Amazônia.A proposta de concessão do título começou a tramitar em 2022, por iniciativa da Coordenação do Curso de Serviço Social do Instituto de Ciências Sociais, Educação e Zootecnia (ICSEZ), em Parintins. O processo foi aprovado por unanimidade pelo Conselho Diretor do instituto e, posteriormente, recebeu parecer favorável da comissão criada pelo Conselho Universitário (Consuni) para analisar a titulação.
Na justificativa apresentada aos Conselhos Superiores, a reitora da Ufam, Tanara Lauschner, destacou a atuação de Fátima na produção e difusão de conhecimentos na Amazônia, especialmente pela articulação entre saberes acadêmicos e conhecimentos tradicionais. Segundo a reitora, a educadora se consolidou como referência intelectual e política na região por sua atuação na educação popular, pesquisa de conhecimentos tradicionais e articulação social, com trabalhos que envolvem saúde, cultura, organização comunitária e defesa de populações historicamente invisibilizadas.Tanara também ressaltou a produção intelectual de Fátima, expressa em livros, artigos, ensaios e outras formas de manifestação, além de sua contribuição para iniciativas da sociedade civil em Parintins e na Amazônia, especialmente nas áreas de direitos das mulheres, políticas públicas e participação social.
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Reconhecimento à educação popular

Foto: Divulgação
Após a aprovação, manifestações de apoio se multiplicaram nas redes sociais, envolvendo grupos de Parintins e organizações nacionais das quais Fátima participa, como a Articulação Nacional de Movimentos e Práticas de Educação Popular em Saúde (ANEPS), a Marcha Mundial das Mulheres e a Política Nacional de Vigilância Popular em Saúde. A diretora do ICSEZ, professora doutora Eliane Vasconcelos, afirmou que a homenagem representa também o reconhecimento aos coletivos e movimentos sociais associados à trajetória da educadora.
“Não é só a pessoa Fátima, mas o que ela representa, coletivos que ela representa, lutas sociais, políticas, lutas contra as violências que afetam mulheres, crianças, animais, que afetam a saúde”, declarou. Para Eliane, a decisão representa um momento histórico para a universidade e reafirma o compromisso da instituição com a educação popular e com os saberes produzidos nas comunidades. A professora do curso de Serviço Social do ICSEZ, Walmiene Farias, também destacou a importância da homenagem para as mulheres amazônidas, classificando Fátima como uma educadora popular, militante feminista e trabalhadora que representa uma luta coletiva. O antropólogo Eni Carajá Filho, de Minas Gerais, também comemorou a decisão e afirmou que o título reconhece a trajetória de militância da educadora e sua contribuição para a educação popular e para a valorização da ancestralidade amazônica.
Fonte: com informações BNC
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