21 de Abril de 2026

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Especial Mulher - 15/08/2025

PROSTITUIÇÃO: da idolatria à violência de gênero (Parte II)

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Foto: Fotomantagem Portal Mulher Amazônica

Tudo sob a leniência da igreja, que enfrentava dentro da instituição o monstro do sexo proibido e o tesão incontido dos clérigos.

Por Maria Santana Souza - O imperativo religioso e a força da igreja católica na idade média trataram a prostituição com a tolerância exigida pela coesão social. A necessidade sexual masculina tinha que ser atendida, para não criar infortúnio às famílias vítimas de assédio e violência contra suas filhas.

 

Entre os séculos XIV e XV, o Estado se fez gestor de casas públicas de prostituição na França, sendo tolerados, ainda, banhos, bordéis particulares e prostitutas autônomas. Tudo sob a leniência da igreja, que enfrentava dentro da instituição o monstro do sexo proibido e o tesão incontido dos clérigos.

 

A igreja medieval cumpria um papel fundamental na coesão da sociedade. O casamento era amplamente defendido e propalado, assim como era ensinado à mulher sua submissão absoluta ao homem. Leis amparavam essa subjugação. Não era incomum uma mulher preferir ser prostituta do que ser esposa. Desde a antiguidade grega, por exemplo, quando a mulher era o obrigada por lei a se casar e ter filhos, a prostituição se tornou uma opção, mesmo entre mulheres da elite.

 

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A pressão feita pela igreja católica para criminalizar a prostituição era forte e reis cediam, mesmo tendo que abrir mão de uma fonte de renda. Segundo Nana Queiroz, "o rei Henrique II, por exemplo, garantiu que, durante 400 anos, a começar em 1161, o bispado britânico teria direito a um percentual do lucro dos bordéis – e com o suor das prostitutas foram construídas muitas das belas catedrais de Londres."

 

 

 

O jogo da hipocrisia cristã não é recente. A reforma protestante e a contra-reforma não trouxeram nada de novo no campo da moral. Seus embates se davam em torno de questões econômicas.

 

 

O século XII marca o início da criminalização da prostituição nos Estados europeus. Em alguns deles, o estupro de prostitutas era tolerado e elas podiam ser presas se seu violentador fosse considerado homem honrado, em caso de denúncia.

 

 

 

Séculos as passaram e o capitalismo deu as caras, com suas máquinas e esteiras de fábricas. Para as mulheres, poucas mudanças. Continuaram sendo vítimas da violência de gênero. Longas jornadas de trabalho e salários inferiores aos dos homens colocavam-nas numa condição de necessidade persistente. A opção para muitas ainda era a prostituição como forma de sobrevivência.

 

 

Da condição sacra na antiguidade, agora a prostituta se tornou apenas uma mercadoria, tendo a mulher apenas o seu corpo como objeto disponível para venda e forma de sobrevivência.

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

O mundo moderno trouxe velhas mazelas, agora manufaturadas. A prostituição passou a ter cor de pele, sexualidade, classe social e local de exclusão. A violência se aprimorou, existem meios de comunicação que naturalizam o preconceito nas suas novelas, comerciais e notícias ideologizadas. Os séculos XIX e XX se tornarão palcos de velhos debates sobre a legalização ou não da prostituição.

 
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Maria Santana Souza é Jornalista, sob o nº 001487/AM, diretora-presidente do Portal Mulher Amazônica e apresentadora do podcast Ela.

 

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