Presidente denuncia que, infelizmente, oposição está fazendo de tudo para barrar a votação. Flávio Bolsonaro foge de votação, se omite e defende "proposta alternativa"
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva segue firme na defesa do fim da escala 6×1, sem redução de salários, e aguarda os desdobramentos das votações marcadas para esta semana no Congresso Nacional. Lula acusou os adversários de tentarem articular contra a votação, marcada para esta quarta-feira, 2 de setembro, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
“Trabalhar seis dias para folgar um não é viver. É sobreviver. Enviei o projeto que acaba com a escala 6×1, sem redução de salário. Infelizmente, meus adversários estão fazendo de tudo para não aprovar a lei. Eles jogam contra o trabalhador. Vamos com tudo até vencer essa batalha. Acabar com a escala 6×1 é devolver o que é seu: tempo para você e sua família”, disse o presidente, em postagem no X.
Já o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato da extrema direita à Presidência, evitou se comprometer com a proposta que pode garantir mais descanso a milhões de trabalhadoras e trabalhadores brasileiros. Nesta terça-feira, 1º de setembro, ao ser questionado por jornalistas no Congresso se é a favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de seis dias de trabalho para apenas um de descanso pela imprensa, Flávio não deu uma resposta direta.
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Pelo fim da escala 6 x 1 pic.twitter.com/1FJWPddPd2
— Lula (@LulaOficial) September 1, 2026
Flávio Bolsonaro marcou uma agenda de campanha na quarta-feira, e não estará no Congresso nos dias de votação, evitando se comprometer. O fim da escala 6×1 tem apoio de quase 70% da sociedade brasileira. Em vez de declarar apoio ao fim da jornada 6×1, o candidato da extrema direita voltou a defender a proposta alternativa baseada na flexibilização das relações de trabalho, batizada de PEC 7×0, na qual cada trabalhador define com o contratante a jornada, enfraquecendo o poder das negociações coletivas.
A diferença as posições de Lula e Flávio Bolsonaro ficou ainda mais evidente às vésperas da análise da proposta no Senado. Mesmo diante de perguntas diretas sobre o voto, o senador tergiversou e disse que votaria a favor de sua própria proposta. Questionado sobre o que faria se a proposta de PEC apresentada pelo seu coordenador de campanha, Rogério Marinho, fosse derrotada, respondeu: “Primeiro vota a nossa proposta e depois vê o que faz”.
Duas visões sobre o trabalhador e seu tempo
Mais do que uma divergência sobre a organização de jornadas, o debate revela duas concepções distintas sobre as relações de trabalho, o respeito ao direito dos trabalhadores e a visão sobre o bem-estar e dignidade. Na alternativa defendida por Flávio Bolsonaro, a solução passa pela negociação individual e pela possibilidade de adequação da remuneração à quantidade de horas trabalhadas. Lula, por sua vez, defende uma mudança geral nas regras para que a redução do tempo dedicado ao trabalho não resulte em perda no salário.
A proposta apoiada pelo presidente reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, estabelece dois dias de descanso e preserva a remuneração. A medida já foi defendida por Lula como uma forma de devolver aos trabalhadores tempo para se viver. É essa diferença que coloca frente a frente dois projetos para o país: um que defende os privilegiados, aposta na flexibilização individual da jornada, e outro que trata a redução do tempo de trabalho como um direito coletivo.
Mais tempo para mulheres e homens viverem
Trabalhar para viver. E ter tempo para cuidar de si, da família, passear e descansar. ??
— Lula (@LulaOficial) August 29, 2026
O fim da escala 6x1 é mais tempo para as trabalhadoras viverem a própria vida. É dignidade, descanso e qualidade de vida. pic.twitter.com/SAfgmAj7sN
Nas últimas manifestações sobre o tema, Lula tem associado o fim da escala 6×1 não apenas às relações dentro das empresas, mas à vida que existe para além delas.O presidente relaciona a redução da jornada ao direito de descansar, cuidar de si, conviver com a família e ter acesso a momentos de lazer. A defesa ganha ainda mais peso quando se olha para a rotina das mulheres brasileiras, que muitas vezes acumulam o emprego remunerado com o trabalho doméstico e as responsabilidades de cuidado. Ao tratar da redução da jornada, no Ato Nacional Lula com Mulheres, no sábado, 29, o presidente afirmou que acabar com a escala 6×1 é uma “questão sagrada” para a melhoria da qualidade de vida da população feminina.
Apoio do governo e manutenção dos salários
O Congresso analisa nesta semana uma série de pautas importantes para a população. Entre elas, o fim da escala 6x1 sem redução de salário. É uma proposta de amplo interesse da classe trabalhadora e que conta com o apoio do nosso governo. Mais tempo, mais dignidade e mais descanso…
— Lula (@LulaOficial) August 31, 2026
Na segunda-feira, 31, o presidente ressaltou um ponto central do debate: o fim da escala sem redução salarial. Lula classificou a medida como uma proposta de “amplo interesse da classe trabalhadora” e afirmou que ela conta com o apoio do Governo Federal. A proposta defendida por Lula estabelece a redução da jornada sem diminuição da remuneração, preservando o salário dos trabalhadores ao mesmo tempo em que amplia o período de descanso. Flávio Bolsonaro, por outro lado, defende um modelo de flexibilização da jornada, no qual o número de horas trabalhadas poderia variar e a remuneração seria proporcional ao período efetivamente trabalhado. Na prática, uma trabalhadora que optasse por uma jornada menor também receberia um salário proporcionalmente reduzido.
“Governar é escolher. Ter lado”
Governar é escolher. Ter lado. Juntos, vamos acabar com a Escala 6 x 1. Toda hora a mais para os trabalhadores brasileiros importa. https://t.co/6uzYp1MumU
— Lula (@LulaOficial) August 30, 2026
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Ao defender o fim da escala 6×1, Lula também tem apresentado o tema como uma escolha política sobre as condições de vida da população trabalhadora. “Governar é escolher. Ter lado”, afirmou o presidente em publicação nas redes sociais.Na mensagem, Lula destacou o impacto que a redução da jornada pode ter sobre o tempo disponível fora do trabalho. “Toda hora a mais para os trabalhadores brasileiros importa”, escreveu. Em outra manifestação, o presidente voltou a relacionar o fim da escala 6×1 à melhoria das condições de vida, afirmando que a mudança representa “mais descanso, mais qualidade de vida e mais dignidade”.
Fonte: com informações do Portal Partido dos Trabalhadores
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