09 de Outubro de 2026

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Violência contra Mulher - 02/10/2026

ONU alerta para retrocessos nos direitos das mulheres e cobra presença feminina no poder

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Foto: Reprodução

Secretário-geral da ONU alerta para ameaças a direitos conquistados e defende participação feminina nos espaços onde são tomadas decisões sobre paz, economia e políticas públicas.

 

Os direitos das mulheres, conquistados ao longo de décadas, voltaram a enfrentar ameaças em diferentes partes do mundo. O alerta foi feito pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, durante a abertura do Debate Geral da 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU, em 22 de setembro.

 

Ao falar sobre as desigualdades entre homens e mulheres, Guterres chamou atenção para situações de discriminação, violência, exclusão e abusos que ainda atingem mulheres e meninas. Para ele, o avanço da igualdade de gênero passa necessariamente pela presença feminina nos espaços onde as decisões são tomadas.

 

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“A paz é mais duradoura quando as mulheres têm lugar à mesa”, afirmou o secretário-geral.

 

A declaração ultrapassa a ideia de simplesmente aumentar o número de mulheres em cargos públicos. A discussão envolve garantir que elas tenham condições efetivas de participar das decisões que definem políticas, direitos e prioridades para toda a sociedade.

 

“A igualdade não é um sonho. É uma decisão”

 

 

Durante o discurso, Guterres também apresentou a experiência das próprias Nações Unidas como exemplo de mudança institucional. Segundo ele, a organização alcançou, pela primeira vez, paridade de gênero em todos os cargos superiores de liderança, em todas as sedes e entre o pessoal profissional.

 

Para o secretário-geral, o resultado foi possível a partir da identificação e eliminação de barreiras que historicamente dificultaram o acesso das mulheres aos espaços de liderança. “A igualdade não é um sonho. É uma decisão”, declarou.

 

A afirmação foi acompanhada de um chamado para que governos, parlamentos, empresas, processos de paz e outras instituições também promovam mudanças capazes de ampliar a participação feminina nas estruturas de poder.

 

O alerta acontece em meio a retrocessos

 

 

A preocupação apresentada por Guterres ocorre em um cenário que também vem sendo acompanhado pela própria ONU Mulheres.

 

Relatório divulgado em setembro pela ONU Mulheres e pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas aponta que um em cada três mecanismos institucionais voltados à igualdade de gênero sofreu erosão nos dois anos anteriores. O levantamento também identificou redução de recursos destinados à promoção da igualdade de gênero e às organizações que atuam na defesa dos direitos das mulheres.

 

O cenário internacional encontra reflexo na realidade brasileira.

 

No Brasil, as mulheres representam 52,8% do eleitorado, mas ocupam apenas 17,2% das cadeiras da Câmara dos Deputados e 18,5% do Senado, segundo dados apresentados pela ONU Mulheres no contexto das eleições de 2026.

 

A diferença evidencia uma contradição que continua presente na democracia brasileira: mulheres são maioria entre as pessoas que escolhem seus representantes, mas permanecem minoria entre aquelas que ocupam os espaços de decisão.

 

Não basta chegar ao poder

 

 

A presença feminina na política também precisa ser observada para além dos números.

 

Mulheres que chegam aos espaços de poder podem enfrentar violência política, ataques, constrangimentos e diferentes formas de discriminação que dificultam sua atuação. Esses obstáculos podem atingir de maneira ainda mais intensa mulheres negras, indígenas e aquelas que enfrentam múltiplas formas de desigualdade.

 

Por isso, a ONU Mulheres apresentou para o ciclo eleitoral de 2026 o documento “10 Propostas pela Vida das Mulheres”, com medidas voltadas à ampliação da participação feminina no poder, igualdade nas disputas eleitorais e enfrentamento à violência política de gênero e raça.

 

A proposta parte de uma questão fundamental: não basta permitir que mulheres participem das eleições. É preciso criar condições para que possam disputar, ocupar e exercer o poder com liberdade e segurança.

 

A mesa precisa ter mulheres, mas também precisa ouvi-las

 

 

A expressão utilizada por Guterres sobre ter “lugar à mesa” ganha um significado ainda maior quando observada a partir da realidade brasileira.
Estar presente em uma instituição não significa necessariamente ter poder de decisão. Uma mulher pode ocupar uma cadeira e ainda encontrar barreiras para ser ouvida, participar das decisões ou exercer plenamente suas funções.

 

Por isso, a discussão sobre igualdade não termina quando uma mulher chega ao cargo. Ela envolve autonomia, condições de trabalho, respeito, segurança e possibilidade real de influenciar as decisões.

 

Na Amazônia, essa discussão ganha outras dimensões. Mulheres indígenas, ribeirinhas, negras, agricultoras, trabalhadoras, empreendedoras e mulheres que vivem em diferentes territórios enfrentam desafios que nem sempre aparecem nos grandes debates nacionais.

 

Quando essas mulheres estão fora dos espaços de decisão, parte das realidades amazônicas também corre o risco de permanecer distante das políticas públicas.

 

O poder também precisa refletir quem vive a sociedade

 

 

A participação feminina na política não deve ser tratada como concessão ou favor. Mulheres não precisam apenas estar entre aquelas que votam. Precisam também estar entre aquelas que decidem.

 

Isso significa participar de parlamentos, governos, empresas, instituições públicas, universidades, organizações sociais e dos diferentes espaços em que escolhas coletivas são construídas.

 

A fala de Guterres recoloca uma questão que permanece atual: quem está sentado à mesa quando decisões que afetam a vida das mulheres são tomadas?
Se as mulheres são mais da metade da população e do eleitorado brasileiro, a distância entre essa maioria e os espaços de poder não pode ser naturalizada.

 

 

Posicionamento do Portal Mulher Amazônica

 

Para o Portal Mulher Amazônica, o alerta da ONU chega em um momento em que discutir a presença feminina no poder é também discutir a própria qualidade da democracia.

 

Não basta abrir a porta. É preciso garantir que as mulheres possam entrar, permanecer, falar e participar das decisões.
Essa discussão é especialmente importante para as mulheres amazônidas, cuja diversidade precisa estar representada nos espaços onde são definidas políticas que atingem seus territórios e suas vidas.

 

A presença feminina no poder não deve significar apenas uma cadeira ocupada. Significa voz, autonomia e participação efetiva.

 

Quando uma mulher chega à mesa de decisões, ela leva consigo uma trajetória. Quando muitas mulheres chegam, diferentes experiências passam a fazer parte da construção das políticas públicas

 

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Como afirmou António Guterres, “a igualdade não é um sonho. É uma decisão”. E decisões sobre o futuro das mulheres também precisam contar com a presença delas.

 

Reportagem especial produzida pelo Portal Mulher Amazônica, com base em informações das Nações Unidas e da ONU Mulheres sobre participação feminina, igualdade de gênero e presença das mulheres nos espaços de poder.

 

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