22 de Julho de 2026

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Especial Mulher - 11/07/2026

O VOTO FEMININO DEVE DECIDIR AS ELEIÇÕES DE 2026. Mas o que realmente querem as mulheres brasileiras?

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Foto: Reprodução/Google/Montagem Portal Mulher Amazonica

Com mais da metade dos eleitores brasileiros composta por mulheres, qualquer candidatura que ignore suas demandas corre o risco de ficar pelo caminho.

Por Maria Santana Souza - As eleições de 2026 caminham para consolidar um cenário que cientistas políticos já vinham antecipando há alguns anos: o eleitorado feminino deverá ser o fator mais decisivo da disputa presidencial. Com mais da metade dos eleitores brasileiros composta por mulheres, qualquer candidatura que ignore suas demandas corre o risco de ficar pelo caminho.

 

A avaliação ganhou força após a publicação de análises e pesquisas mostrando que campanhas de diferentes espectros políticos passaram a direcionar estratégias específicas para conquistar as eleitoras. Segundo especialistas ouvidos pela imprensa nacional, a disputa pelo voto feminino será o grande diferencial da reta final da campanha.

 

Mas reduzir as mulheres a um “segmento eleitoral” seria um erro. Elas representam a maioria do eleitorado, porém não formam um grupo homogêneo. As prioridades de uma empresária em São Paulo podem ser muito diferentes das de uma agricultora do semiárido ou de uma mulher ribeirinha da Amazônia. Ainda assim, diversas pesquisas revelam preocupações comuns: segurança pública, saúde, custo de vida, educação dos filhos, estabilidade democrática e combate à violência.

 

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Mais da metade do eleitorado é feminino

 

 


Dados da Justiça Eleitoral mostram que as mulheres representam aproximadamente 53% do eleitorado brasileiro, percentual que vem crescendo continuamente nas últimas décadas. Em 2002 elas correspondiam a cerca de 51% dos votantes; hoje alcançam um novo recorde histórico. Esse crescimento modifica completamente a lógica das campanhas. Se antes bastava conquistar nichos específicos do eleitorado, agora torna-se praticamente impossível vencer uma eleição nacional enfrentando elevada rejeição entre as mulheres.

 

O comportamento eleitoral feminino mudou

 


A cientista política Letícia Cassiano, observa que o voto feminino tende a ser mais sensível à credibilidade dos candidatos, ao comportamento público, à capacidade de diálogo e às propostas concretas para o cotidiano das famílias. Segundo ela, as mulheres “podem definir quem chegará mais forte à reta final da campanha”. Existe um cenário de forte polarização, justamente o eleitorado feminino concentra uma parcela significativa dos votos ainda passíveis de mudança. Em média, essas eleitoras demonstram maior preocupação com estabilidade institucional, políticas sociais e qualidade dos serviços públicos.

 

Segurança continua entre as maiores preocupações

 


Embora temas econômicos permaneçam centrais, pesquisas recentes mostram que violência e segurança pública continuam ocupando lugar de destaque entre as preocupações femininas.
Isso inclui:
violência doméstica;
feminicídio;
segurança urbana;
proteção às crianças;
combate ao crime organizado;
atendimento especializado às vítimas.

Não por acaso, candidatos de diferentes correntes ideológicas passaram a incorporar propostas específicas para mulheres em seus programas de governo.

 

Saúde pesa cada vez mais

 


Outro tema que aparece de forma recorrente é a saúde.Pesquisas de opinião mostram que as mulheres avaliam o funcionamento do SUS, o acesso à atenção básica, exames preventivos, tratamento do câncer, saúde mental e medicamentos como fatores importantes na definição do voto.  Para milhões de brasileiras, saúde pública não é apenas uma política governamental: é uma necessidade cotidiana.

 

Representatividade ainda é pequena

 


Existe um paradoxo na democracia brasileira. As mulheres são maioria entre os eleitores, mas continuam sendo minoria nos espaços de poder. Levantamentos recentes mostram que houve crescimento expressivo das candidaturas femininas nas últimas décadas, porém esse aumento não foi acompanhado pelo mesmo avanço no número de eleitas. O Brasil permanece entre os países com menor participação feminina no Parlamento. Especialistas afirmam que ainda persistem obstáculos como:

 

violência política de gênero;
menor financiamento eleitoral;
menor tempo de propaganda;
preconceito estrutural;
sobrecarga com trabalho doméstico e cuidados familiares.

 

E a Amazônia?

 

 


Na Amazônia, o voto feminino possui características próprias. As mulheres da região convivem diariamente com desafios que raramente ocupam espaço central nos debates nacionais:

 

longas distâncias para acesso à saúde;
violência em áreas isoladas;
dificuldades de transporte;
falta de creches;
insegurança alimentar;
impactos das mudanças climáticas;
eventos extremos, como secas e cheias;
acesso limitado à internet;
exclusão econômica.

 

Essas demandas podem influenciar fortemente o comportamento eleitoral da região Norte.

 

O que dizem os cientistas políticos?

 

 


Diversos estudiosos da ciência política defendem que o voto feminino costuma apresentar maior independência em relação às estruturas partidárias tradicionais. Pesquisadores observam que muitas eleitoras avaliam mais o comportamento, a confiança e a capacidade de governar do que a identificação ideológica pura. Isso explica por que campanhas direcionadas às mulheres costumam enfatizar linguagem moderada, propostas sociais e temas ligados ao cotidiano das famílias.

 

A democracia depende da participação das mulheres O Tribunal Superior Eleitoral tem reforçado que ampliar a participação feminina não significa apenas aumentar o número de candidatas, mas fortalecer a própria democracia. Segundo o TSE, garantir igualdade de oportunidades e combater barreiras históricas à presença das mulheres nos espaços de decisão é uma condição essencial para um sistema político mais representativo.

 

Posicionamento do Portal Mulher Amazônica

 

 

Fotos: Reprodução/Google 


O Portal Mulher Amazônica entende que o voto feminino não pode ser tratado apenas como um ativo eleitoral disputado em períodos de campanha. As mulheres brasileiras representam a maioria da população votante e sustentam, diariamente, famílias, comunidades, empresas e instituições públicas. Mais do que promessas, elas esperam compromisso com políticas públicas permanentes, combate efetivo à violência, acesso digno à saúde, educação de qualidade, autonomia econômica e igualdade de oportunidades.

 
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Na Amazônia, essa realidade é ainda mais urgente. As mulheres ribeirinhas, indígenas, quilombolas, extrativistas, urbanas e periféricas enfrentam desafios que exigem políticas específicas e presença constante do Estado. O Portal Mulher Amazônica defende que ouvir as mulheres não deve ser uma estratégia eleitoral passageira, mas um princípio permanente de construção democrática. Quando a voz feminina influencia as decisões políticas, toda a sociedade avança.

 

Fontes:
Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – Estatísticas do eleitorado e Eleições 2026.
Agência Brasil – “Candidaturas femininas crescem, mas número de eleitas continua baixo”.
Ministério Público Federal – Novas regras para ampliar a participação das mulheres na política.

 

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