13 de Dezembro de 2025

NOTÍCIAS
Violência contra Mulher - 15/10/2025

O inferno por trás do luxo: mulheres enganadas e traficadas em Dubai

Compartilhar:
Foto: Reprodução/Google/Montagem Portal Mulher Amazonica

O que começava como um sonho de uma vida melhor acabava em exploração, abuso e, em alguns casos, morte.

Em setembro de 2025, a BBC lançou o documentário Death in Dubai: #DubaiPortaPotty, produzido em parceria com o podcast World of Secrets. A investigação revelou uma rede de tráfico sexual que tem enganado e destruído a vida de mulheres ugandenses, atraídas por falsas promessas de emprego nos Emirados Árabes Unidos. O que começava como um sonho de uma vida melhor acabava em exploração, abuso e, em alguns casos, morte.

 

Um dos principais nomes citados é Charles “Abbey” Mwesigwa, ex-motorista de ônibus em Londres, que teria se transformado em operador de uma sofisticada rede de exploração sexual em Dubai. Em gravações feitas com câmeras ocultas, ele aparece afirmando ter “cerca de 25 garotas” disponíveis para satisfazer clientes, dispostos a pagar por qualquer tipo de prática, incluindo atos profundamente degradantes.

 

De acordo com a investigação, o esquema começava em Uganda, onde recrutadores usavam redes sociais para divulgar falsas oportunidades de trabalho. As mulheres acreditavam que seriam empregadas em cargos legítimos, mas, ao chegarem a Dubai, eram informadas de que tinham dívidas altíssimas referentes a vistos, passagens, hospedagem e supostos “treinamentos”. Sem alternativas, eram forçadas a se prostituir para quitar os valores. Muitas acabavam presas a um ciclo de exploração, medo e violência.

 

Veja também

 

Quebrar o silêncio e denunciar a violência doméstica salva vidas

Mulher é vítima de sequestro-relâmpago na saída de um supermercado na Zona Sul de São Paulo. VEJA VÍDEO

 

O documentário também trouxe à tona mortes suspeitas de mulheres ugandenses em Dubai. Entre os casos mais conhecidos estão os de Monic Karungi, influenciadora conhecida como Mona Kizz, e Kayla Birungi, ambas encontradas mortas após caírem de prédios. As autoridades classificaram as mortes como suicídio, mas familiares e evidências coletadas pela BBC contestam essa versão. Exames toxicológicos independentes apontaram que não havia álcool nem drogas no corpo de Kayla, contrariando as explicações oficiais.

 

Vítimas que sobreviveram relataram situações aterrorizantes. Sob pseudônimos como “Lexi”, algumas descreveram práticas humilhantes impostas por clientes, incluindo violência física e sexual. Muitas foram forçadas a participar de atos extremos, como urinar ou defecar sobre elas. Tentativas de buscar ajuda junto à polícia de Dubai foram frustradas: em vários casos, as autoridades se mostraram indiferentes, deixando as mulheres à mercê de seus exploradores.

 

 

Embora a prostituição seja ilegal nos Emirados Árabes, o comércio sexual prospera nos bastidores da cidade. A investigação da BBC indica que as redes criminosas operam sob disfarces de empresas de eventos e festas de luxo, aproveitando-se da omissão de autoridades e da influência de clientes ricos e poderosos.

 

A repercussão do documentário em Uganda foi intensa. O governo passou a ser pressionado por organizações civis e políticos a agir diante das denúncias. O parlamentar e ativista Bobi Wine criticou publicamente a ausência de prisões e responsabilização dos envolvidos, afirmando que o Estado ugandense “não pode ser cúmplice com o silêncio”. Entidades que combatem o tráfico humano no país afirmam receber diariamente de cinco a dez novos relatos de pessoas enganadas com promessas de trabalho no exterior.

 

 

O termo “Porta Potty”, que dá nome à investigação, surgiu nas redes sociais para descrever festas de fetiche extremo em que mulheres são submetidas a práticas sexuais degradantes envolvendo fezes e urina. O material da BBC comprova que essas práticas, antes tratadas como boatos, realmente acontecem em determinados círculos da elite de Dubai e fazem parte das exigências impostas às mulheres traficadas.

 

Fotos: Reprodução/Google

 

A busca por justiça, contudo, é repleta de obstáculos. As vítimas estão em território estrangeiro, o que torna complexa a cooperação entre países e dificulta a punição dos responsáveis. Muitas dessas mulheres têm vistos de turista ou documentação irregular, o que aumenta o medo de denunciar. Quando as mortes e abusos vêm a público, costumam ser tratados como incidentes isolados, sem o reconhecimento da rede criminosa por trás de cada caso.

 
Curtiu? Siga o Portal Mulher Amazônica no FacebookTwitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp e Telegram.

 

Com a falta de legislação internacional eficaz e recursos limitados para proteger as vítimas, as organizações de tráfico continuam atuando com impunidade. Sob o brilho e a ostentação de Dubai, existe um submundo de horror e silêncio, onde o luxo serve apenas de fachada para esconder o sofrimento de mulheres que foram enganadas, exploradas e esquecidas.
 

Portal Mulher Amazônica

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Nome:

Email:

Mensagem:

LEIA MAIS
Fique atualizada
Cadastre-se e receba as últimas notícias da Mulher Amazônica

Copyright © 2021-2025. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.