Em poucos segundos, a tecnologia identifica o usuário e permite concluir o pagamento. Essa tecnologia já existe e começa a ser preparada para entrar no mercado brasileiro.
Imagine chegar a uma loja sem carteira, cartão ou celular. No caixa, em vez de aproximar o telefone ou digitar uma senha, basta colocar a palma da mão diante de um equipamento. Em poucos segundos, a tecnologia identifica o usuário e permite concluir o pagamento. Essa tecnologia já existe e começa a ser preparada para entrar no mercado brasileiro.
A Positivo Tecnologia apresentou em 2026 um terminal inteligente desenvolvido em parceria com a Tencent Cloud que utiliza a biometria da palma da mão para autenticar pagamentos por Pix, crédito e débito. Chamada PalmAI, a tecnologia combina a leitura da superfície da mão com a identificação da estrutura vascular localizada sob a pele, utilizando sensores multiespectrais. A autenticação pode ocorrer em aproximadamente meio segundo.
Mas há um detalhe que torna essa novidade especialmente relevante para o Amazonas: o equipamento está sendo produzido na fábrica da Positivo em Manaus. A empresa trabalha na introdução comercial da solução no país e prevê sua disponibilização para adquirentes brasileiros no segundo semestre de 2026. Ou seja, uma tecnologia desenvolvida por uma empresa chinesa e adaptada ao mercado brasileiro passa também pela indústria instalada na capital amazonense.
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Não é a China implementando pagamentos no Brasil

A origem chinesa da tecnologia pode gerar uma interpretação equivocada. Não se trata de a China simplesmente implantar um sistema de pagamentos no país. A tecnologia PalmAI é desenvolvida pela Tencent. No Brasil, chega por meio da parceria com a Positivo Tecnologia, responsável pelo terminal, e de empresas que integram o ecossistema de pagamentos. A Tencent informa que sua tecnologia já foi validada em mais de 50 milhões de usuários e utilizada em mais de 100 mil estabelecimentos na China, incluindo varejo, transporte, academias, hospitais e restaurantes corporativos.A escala ajuda a explicar por que a tecnologia está sendo observada como uma possível nova etapa dos pagamentos digitais.
Como pagar usando a mão?
O consumidor precisa realizar um cadastro biométrico e associar a identificação a uma forma de pagamento. Depois, basta aproximar a palma do leitor para que o equipamento compare as características da mão com o registro cadastrado. A tecnologia não depende apenas da superfície da pele. Ela também identifica padrões vasculares sob a pele, criando uma camada adicional de autenticação. A proposta é justamente eliminar algumas etapas hoje comuns: não seria necessário retirar o cartão da carteira, desbloquear o celular ou digitaruma senha. Mas isso não significa que cartões e celulares estejam prestes a desaparecer. A tecnologia ainda depende da instalação dos equipamentos, da adesão de adquirentes e estabelecimentos comerciais e, principalmente, da disposição do consumidor em cadastrar sua biometria.
A mão pode virar carteira, senha e identidade

É aqui que a novidade deixa de ser apenas uma questão de praticidade. A mesma biometria utilizada para pagar pode ser aplicada em outras situações, como controle de acesso, eventos, ambientes corporativos e programas de fidelidade. A tecnologia, portanto, não está apenas propondo uma nova forma de pagamento. Ela pode transformar a própria mão em uma credencial de identificação. E isso traz uma pergunta que vai além da inovação: quanto mais serviços dependerem da biometria, maior será a responsabilidade sobre os dados de quem utiliza o sistema. A biometria é considerada dado pessoal sensível pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Segundo informações divulgadas pela Positivo, o sistema deverá contar com consentimento do usuário e possibilidade de saída, utilizando um modelo biométrico criptografado em vez de uma fotografia convencional da palma. A conveniência, portanto, vem acompanhada de uma discussão que não pode ser ignorada: quem controla esses dados, como eles são protegidos e o que acontece quando o consumidor decide deixar o sistema?
E o Amazonas nessa transformação?
É nesse ponto que a notícia ganha uma dimensão regional.A produção do equipamento em Manaus coloca o Amazonas dentro de uma cadeia tecnológica que envolve uma empresa brasileira e uma das maiores companhias de tecnologia da China. Mais do que fabricar um terminal, a indústria amazonense passa a participar de uma tecnologia que pode modificar a experiência de pagamento no varejo brasileiro. Supermercados, farmácias, restaurantes e outros estabelecimentos de grande circulação estão entre os ambientes com potencial para receber a solução, enquanto a Positivo negocia com empresas do setor para sua implantação.
O movimento também abre uma discussão maior sobre o papel de Manaus na nova economia digital. Se o futuro dos pagamentos está incorporando biometria, inteligência artificial e conectividade, que outras tecnologias poderão ser produzidas a partir da indústria instalada na capital amazonense?
O futuro realmente está na palma da mão?

Fotos: Reprodução/Google
Ainda é cedo para dizer que os brasileiros deixarão cartões e celulares de lado. A tecnologia está entrando em fase de introdução comercial e sua expansão dependerá da infraestrutura, das empresas participantes e da aceitação dos consumidores.Mas uma mudança já está em curso: o pagamento pela palma deixou de ser apenas uma ideia futurista. Existe tecnologia desenvolvida, aplicação em larga escala na China, parceria com uma empresa brasileira e um equipamento sendo produzido em Manaus. A promessa é simples: pagar sem cartão, sem celular e sem senha. A discussão, porém, é maior. Quando o próprio corpo passa a funcionar como meio de pagamento e identificação, praticidade e privacidade passam a caminhar juntas. E, para o Amazonas, há uma particularidade que merece ser observada: parte desse futuro está sendo fabricada em Manaus.
Posicionamento do Portal Mulher Amazônica
O Portal Mulher Amazônica acompanha as transformações tecnológicas que podem mudar a vida cotidiana dos brasileiros, mas entende que inovação também precisa ser acompanhada de informação, transparência e responsabilidade. No caso da biometria da palma da mão, a novidade chama atenção não apenas pela praticidade do pagamento sem cartão, celular ou senha, mas pelo fato de uma tecnologia baseada na identificação do corpo passar a ocupar diferentes espaços da vida cotidiana. Para o Amazonas, há ainda uma dimensão estratégica: o equipamento desenvolvido para esse novo mercado está sendo produzido em Manaus. A inovação, portanto, não está apenas chegando ao Estado. Ela também está saindo da indústria instalada na capital amazonense para participar de uma transformação tecnológica que pode alcançar todo o país.
Reportagem especial produzida pelo Portal Mulher Amazônica com base em informações oficiais da Positivo Tecnologia e da Tencent PalmAI, além de informações publicadas pela imprensa especializada sobre a introdução da tecnologia no mercado brasileiro.
Fontes
Positivo Tecnologia — informações sobre o terminal inteligente, parceria com a Tencent Cloud, funcionamento da biometria, aplicações e previsão de disponibilidade comercial.
Tencent PalmAI — informações sobre reconhecimento da palma e das veias, escala da tecnologia e aplicações internacionais.
Mobile Time — informações sobre produção do equipamento em Manaus, introdução comercial no Brasil e negociações com adquirentes, varejistas e integradores.
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