Quando o expediente formal acaba, começa a segunda jornada: cozinhar, limpar, cuidar dos filhos e gerenciar o lar.
Por Maria Santa Souza, Portal Mulher Amazônica - O debate sobre o fim da escala 6x1 não pode ser tratado como uma mera disputa de planilhas econômicas ou melindres políticos.
Para as mulheres mães do Amazonas, especialmente as que movem a capital, Manaus, essa discussão é um grito de socorro. Manter a jornada de seis dias de trabalho por apenas um de descanso é perpetuar uma engrenagem cruel de exploração que adoece, silencia e destrói o direito à maternidade. É uma urgência humanitária que exige resposta imediata.
A realidade de quem vive em Manaus não permite o luxo da espera. Imagine a rotina violenta de uma mãe que trabalha no comércio ou enfrenta o ritmo frenético do Distrito Industrial. Ela acorda na madrugada, enfrenta horas de um transporte público caótico e ineficiente, trabalha sob pressão e retorna para casa no limite das suas forças físicas. Quando o expediente formal acaba, começa a segunda jornada: cozinhar, limpar, cuidar dos filhos e gerenciar o lar.
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O único dia de "folga" é uma farsa. Não há descanso quando se tem uma semana inteira de roupas acumuladas, uma casa para faxinar e compras de supermercado para fazer. A escala 6x1 rouba dessas mulheres o direito de ver os filhos crescerem. Condena mães solo à culpa dilacerante de não estarem presentes e priva as crianças amazonenses do afeto e da supervisão que merecem. Estamos sacrificando a estrutura das nossas famílias em nome de uma lógica de trabalho ultrapassada.
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Essa rotina massacrante cobra um preço alto: depressão, crises de ansiedade e burnout. As mulheres de Manaus estão esgotadas. Elas não estão apenas trabalhando; estão operando no limite da sobrevivência humana.
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A aprovação do fim da escala 6x1, sem redução salarial, não é um favor. É reparação histórica. É devolver o tempo que foi roubado dessas chefes de família para que possam respirar, estudar, cuidar da saúde e exercer a maternidade com dignidade.

O Portal Mulher Amazônica cobra pressa. Não aceitaremos que o cansaço crônico das nossas trabalhadoras seja normalizado. Os legisladores precisam entender que votar a favor do fim da escala 6x1 é salvar vidas maternas do colapso físico e mental. As mães do Amazonas têm pressa para viver, e a mudança precisa acontecer agora.
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Fotos: Reprodução/Google
Fonte de pesquisa:
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.
Organização Internacional do Trabalho.
O país que silenciosamente vem reduzindo a jornada de trabalho para quatro dias por semana - BBC News Brasil
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