Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista '101 Brasileiros que Constroem o Futuro', reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã
Nina Silva mantém o tom de voz constante durante a entrevista. Fala de família, educação, sua trajetória profissional, e do desgaste ao enfrentar estruturas racistas e misóginas que se intensificavam enquanto ela galgava posições de poder. No entanto, ao lembrar sobre as pessoas que impactou nesse percurso, deixa escapar uma emoção diferente. Um alívio. É o que acontece quando comenta, por exemplo, sobre a baiana Simara Conceição: da venda de quentinhas num box de crossfit, ela se tornou desenvolvedora de softwares e é uma das professoras do Afreektech, plataforma pensada por Nina para capacitar, gratuitamente, pessoas negras em tecnologia.
— Simara voltou para a Bahia, e emite boleto para os EUA — enfatiza Nina, bem-humorada. Aos 44 anos, Nina coleciona uma lista imensa de prêmios. O mais importante para ela é um de 2021, quando foi reconhecida a Mulher Mais Disruptiva do Mundo pela comunidade global Women in Tech. O mais recente veio ano passado: o Brics Startup Women, oferecido pela Aliança Empresarial Feminina Brics a empresas inovadoras lideradas por mulheres nos países do bloco e nações parceiras.
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Especialista em gestão de negócios, inovação, finanças e tecnologia, ela é uma das fundadoras e CEO do Movimento Black Money e Afreektech, somando 25 anos de experiência. Para completar, integra o Fórum Econômico Mundial e o Conselho de Desenvolvimento Econômico do Governo Federal. Mas nenhum desses cargos e títulos chegou a ela sem esforço.
— Minha mãe teve uma gravidez de risco. Eu estar aqui é um milagre. Então, acho que fui criada dentro da lógica: "Nós já chegamos até aqui. Você não tem como parar, não pode se contentar só com as superações do dia a dia. Você precisa ir além". É uma pressão, claro, e até um pouco cruel, mas foi o que me motivou a ir em busca do que eu e minha família merecemos — expõe.
Esse pensamento se ampliou: além de parentes, decidiu investir na coletividade, criando projetos que emancipassem pessoas negras e outras minorias. A meta — palavra que tem como guia — se transformou em "implodir tudo de dentro para fora", sendo "tudo" referência ao que insiste em manter desigualdades, termo que ela bem conhece: nasceu em São Gonçalo, na Região Metropolitana, num contexto de vulnerabilidade social.
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Fotos: Divulgação
— Sou cria com orgulho e busco sempre valorizar meu território e meus pares. Minha meta é instruir pessoas negras, transformá-las em donas de serviços e produtos tecnológicos; ver o Movimento acolhendo mais histórias, sendo sustentável. Claro, também é importante que políticas públicas sejam pensadas nessa perspectiva. O Brasil tem todos os problemas e todas as soluções para resolvê-los. Temos potências que só precisam de acesso.
O segredo, completa, é a ampliação de oportunidades, fazer com que o desenvolvimento social seja prioridade no país. No entendimento sobre tecnologia e finanças, suas áreas, Nina reforça a importância de se investir na melhoria do poder econômico dos grupos minoritários no Brasil, e não somente o poder de consumo. Para ajudar em projetos futuros, ela desenvolveu um dossiê de políticas públicas sobre o tema, cuja base é a equidade social.
Fonte: com informações da Agência O Globo
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