O clima misturava dor, memória e determinação para exigir ações concretas do poder público.
Maria Santana Souza -No domingo, 7 de dezembro de 2025, o movimento Mulheres Vivas tomou as ruas de diversas capitais do país, inclusive em Manaus, em atos de protesto contra a escalada da violência de gênero, pedindo fim aos feminicídios e justiça pelas vítimas.
Em Manaus, mulheres de diferentes idades — ativistas, coletivos feministas, representantes de ONGs de direitos humanos, amigos e familiares de vítimas — se reuniram em locais simbólicos da cidade, com cruzes pretas, cartazes com nomes de mulheres vítimas e frases como “Basta de feminicídio” e “Parem de nos matar”. O clima misturava dor, memória e determinação para exigir ações concretas do poder público.
Além de protestos silenciosos, houve intervenções artísticas, discursos e leitura de um manifesto nacional, adaptado à realidade local, com destaque para as particularidades do estado do Amazonas e da capital. A mobilização reuniu coletivos feministas, movimentos sociais, organizações de direitos humanos, artistas e cidadãos mobilizados pela causa.
Veja também

Casos recentes de feminicídio escancaram grave cenário de violência contra a mulher
A SITUAÇÃO DAS MULHERES NO AMAZONAS: uma contribuição para o futuro governo do estado (parte I)

Segundo relatos de participantes, a mobilização buscou dar visibilidade à violência doméstica e feminicídios que ocorrem constantemente, muitas vezes fora dos holofotes da mídia, e exigir que Manaus não seja esquecida nas estatísticas e nas políticas públicas.

Dados recentes do boletim Rede de Observatórios da Segurança apontam que, pela primeira vez, o estado do Amazonas passou a fazer parte do monitoramento nacional em 2024. Nesse ano, 604 casos de violência contra mulheres foram registrados no estado, dos quais 33 resultaram em feminicídio. Dessas mortes, aproximadamente 15 foram cometidas por parceiros ou ex-parceiros.

Em 2025, de acordo com estimativas da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), houve uma redução significativa nos casos de feminicídio. Entre janeiro e junho, o estado registrou 6 feminicídios — contra 14 no mesmo período do ano anterior. Em Manaus, a queda teria sido ainda mais acentuada: de 8 casos para 2, uma redução de 75%. Com isso, o Amazonas aparece com a menor taxa projetada de feminicídio do país, cerca de 0,22 crimes a cada 100 mil habitantes.
Apesar dessa diminuição recente, ativistas alertam que os números ainda representam vidas perdidas, famílias destruídas e uma cultura de violência que persiste — e que muitas vezes começa antes das estatísticas oficiais, com abusos e violências não denunciadas.
Contexto nacional: recorde de feminicídios em 2024

O levante em Manaus também ecoa o contexto nacional dramático: segundo o Ministério das Mulheres, em 2024 foram registrados 1.450 feminicídios em todo o Brasil — 12 a mais do que no ano anterior. Isso representa, em média, uma mulher morta por motivo de gênero a cada 17 horas. Além disso, o país registrou 71.892 casos de estupro, o equivalente a 196 vítimas por dia. Mesmo com uma leve queda nesse dado (–1,44% em relação a 2023), os números seguem alarmantes.

Os dados também mostram que a maioria das agressões atinge mulheres negras ou pardas: entre os casos de violência contra mulheres adultas (20 a 59 anos), 60,4% das vítimas eram pretas ou pardas. E quanto às mortes violentas de mulheres, além dos feminicídios, há também homicídios dolosos e lesões corporais seguidas de morte, o que evidencia a amplitude da violência de gênero no país como um todo.
Maria Santana Souza, idealizadora do portal Mulher Amazônica e Ela Podcast:
(1).jpg)
“A mobilização ‘Mulheres Vivas’ em Manaus é um grito contra o silêncio, contra a invisibilidade e a negligência que cerca a vida de muitas mulheres no Amazonas. Não são apenas estatísticas, são mulheres, filhas, mães, irmãs, amigas. Nosso objetivo com o portal Mulher Amazônica e Ela Podcast é justamente dar voz a quem costuma ser esquecida — relatar as histórias, denunciar as violências, mostrar que nenhuma mulher está sozinha nessa luta. Queremos que Manaus se levante, que nossas ruas, nossas casas, nossas instituições digam alto: basta. Não aceitamos que a barbárie vire rotina. Exigimos políticas públicas eficazes, apoio real às vítimas, e uma transformação cultural que respeite e proteja a vida das mulheres. Enquanto houver machismo, misoginia e impunidade, seguiremos firmes.”
A ação em Manaus não é um evento isolado: representa parte de um movimento maior, nacional e histórico, para pôr fim à violência de gênero. A equipe editorial do Mulher Amazônica, junto com Maria Santana Souza, reafirma seu compromisso de manter um trabalho constante de denúncia, visibilidade e articulação. Acredita-se que apenas com informação, mobilização e pressão social serão possíveis transformações profundas.

Fotos: Divulgação
A Amazônia, região muitas vezes marginalizada nas grandes pautas nacionais. Por isso, acreditamos que cada morte deve ser tratada não apenas como tragédia individual, e sim como crime e também como urgência coletiva. O portal Mulher Amazônica e Ela Podcast seguirá publicando investigações, reportagens de realidade, acompanhando casos, fortalecendo redes de apoio e exigindo justiça.
Porque cada mulher importa — e porque o combate à violência contra a mulher deve ser constante, coletivo e incansável.
Maria Santana Souza é empresária, jornalista e uma das maiores referências em ativismo feminino no Amazonas. Formada em Direito, começou sua carreira no jornalimo como editora do Portal do Zacarias. É uma das autoras da obra” Mulheres Interseccionalidades, Vivencias Amazônicas”, Idealizadora e Diretora executiva do Site” Mulher Amazônica e do Pod Cast “ Ela Pod. Maria Santana Souza tem popularizado as temáticas que envolvem as causas Femininas, desafios e conquistas. É autora de uma coletânea de artigos. Seu olhar afiado e seu discurso direto fizeram dela uma voz ativa no cenário das temáticas que envolvem as causas das Mulheres no Amazonas.
Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.